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IVAN JOSÉ e o Grupo de Teatro FÁBRICA LÚDICA

Grupo teatral paulistano criado em fevereiro de 1973 por Ivan José e Fausto Brunini. 45 montagens. 21 grandes Projetos ligados ao Ministério da Cultura e Secretarias Municipais e Estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro. Trabalha em sistema de teatro de repertório (várias peças simultaneamente em cartaz). TODOS OS TEXTOS E FOTOS DESTE BLOG SÃO PRESERVADOS E QUEM OS UTILIZAR SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO FICARÁ PASSÍVEL DAS PENAS DE LEI.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

APÓS LONGO E TENEBROSO INVERNO, CHEGAMOS EM 1973... E EIS QUE SURGE, FINALMENTE, A HISTÓRIA DE COMO COMEÇOU O FÁBRICA LÚDICA !!!

então... quem espera sempre-alcança,
três-vez salve a esperança!!!!!!!
Postado por Ivan José às 18:16 Nenhum comentário:
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SEJAM BENVINDOS !!!!!!!

BENVINDOS, BENVINDOS SEJAM TODOS AO NOVO BLOG DO GRUPO DE TEATRO FÁBRICA LÚDICA!!!
... CONHEÇAM UM POUCO DO NOSSO TRABALHO, NOSSOS OBJETIVOS, IDÉIAS E IDEAIS, UM TANTINHO DA NOSSA HISTÓRIA QUE COMEÇOU LÁ EM FEVEREIRO DE 1973!!!
... QUEM DIRIA... 36 ANOS JÁ!!!
UMA VIDA INTEIRA!!!

... É CLARO QUE A HISTÓRIA DO FÁBRICA LÚDICA SE MISTURA COM A MINHA E, PRINCIPALMENTE, COM AS MINHAS IDÉIAS E IDEAIS E, ASSIM, CONHECENDO-O TAMBÉM ME CONHECERÃO UM POUCO!

... MAS ENTREM, POR FAVOR, SINTAM-SE A VONTADE! A CASA É DE VOCÊS!
... QUEM SABE, ATÉ, NOS TORNEMOS AMIGOS DE VERDADE...
... E ATÉ VENHAMOS A TRABALHAR JUNTOS UM DIA!
NÉ???


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Quem sou eu

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Ivan José
São Paulo, SP, Brazil
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UM CONTO HETEROSSEXUAL !

... foi logo-depois dos DOIS-PONTOS!

os lixeiros-passaram e, então, a São João ficou
ainda-mais-imunda!

fedia, quase-indescritivelmente!

então, Outro-Ponto (vestido de bermud'azul e sem camiseta),
descalço e sujo,
16 anos?,
crackeado?,
cruza o-caminho d'uma Vírgula,
rica (e sabe que acharão-que-as-suas-esmeraldas, verdadeiras, são-falsas... e, porisso, usa-as)!

- ae, mina? tô cum fomi!
- então vamos-comer!

... aí... exatamente-aí,
materializou-se o PONTO-E-VÍRGULA
que raríssimos-trouxas-sabem-usar!



UN CUENTO-HOMOSSEXUAL !

... seriam umas duas-da-madrugada de uma noite-qualquer de 1972!
eu acabara de deixar o Ademar no apartamento-Dele após umas-3-horas-de-papos!

volvi à la esquina da Ipiranga com a Sâo João e, felizmente, Caetanos estavam-dormidos!

... um Ponto encontrou-se, ali, então, com Outro-Ponto!
por acaso!


... e, desde-então, existem os DOIS-PONTOS!

Seguidores


ANA LÚCIA

... tomamos um taxi, papai e eu, e ele disse ao chofer:
- ... aquele hospital na margem do rio...

meu pai... saudades-dele!
e da mamãe também!

ela vestia rosa, toda-rosa-ela, tudo fabulosamente tecido pela tia trindade... e sorria, quando eu a vi!
ivan josé tinha, enfim, uma irmã, seu-igual!





NANI CARDOSO

chamava-se Ernani! Rubens Ernani!
nome que, aliás, odeio e, porisso, transmutei-o num mais-poético Nani Cardoso, que me soa bem-melhor!
é ele quem vai cuidar de mim na minha-velhice! coisa que, aliás, não tardará em acontecer!

tem ele, saibam-todos, e já, uma história deveras interessante de se contar!

foi, bebê, adotado, achado na rua (de fato e não, apenas, como figura de linguagem)!
a doce-senhora que o adotou jamais soube lhe dizer quem foram, factualmente, os seus pais ou a mãe-desnaturada que o abandonou mas foi, ela-sim, a mãe-que-o-amou!
e ele, desde menino, cuidou dela e a idolatrou!

quiz por bem a vida que, um dia, ele já com vinte e poucos anos, ela adoecesse, mal de alzheimer, mal-cruel! e ela morreu!

havia, sim, um "pai" nessa história, sujeito vil-e-imbecil, completo-idota, na verdade, mas dele não vamos gastar mais do que esta frase!

Nani morava no rio de janeiro, embebedava-se, às vezes, chorava, amiúde, desconhecia teatro, adorava pagode, era simples, orkutava, constantemente, fazia do msn a sua-morada-regular, sabia lavar-passar-e-cozinhar, tinha mêdo de cachorros, poetava-constantemente (mas à sua maneira de não-saber o que fosse "poetar"), escrevia e screpava, semper-sempre, ao seu-amigo Ivan José, ainda não lera Hermann Hesse e nem sabia direito quem fossem Nijinsky, Nureyev, Callas ou Jessye Norman, jamais fora, ainda, conhecer uma cidade-crua (como São Paulo, por exemplo), nunca vira uma praia-grande (like Itanhaém) ou um dálmata vermelho-com-manchas-pardacentas cagando na areia!
era, diga-se, aqui, de passagem, um'alma pura!

belo dia foi que, num ímpeto, tomando, finalmente, posse dos bens que a mãe lhe deixara, esbofeteou o "pai", po-lo na rua, pra fora da sua casa, e, então, endinheirada e livre, viu-se na dutra, a caminho de sampa!

... bem que tentei, é verdade, descrever a cena em que Nani Cardoso e Ivan José se encontraram pela vez-primeira... mas foi em vão porque a rodoviária paulistana está longe de ser o cenário idílico!
... eu, apenas, podia ver sol onde, meramente, havia lixo!

... e o resto desta história... eu conto-depois!
por quê?
pelo simples-fato de que ela ainda-não-aconteceu!




CONVERSA ENTRE DUAS ESTRELAS

de repente, no espaço etéreo, uma voz soou:
- nijinsky! acorda! - era uma estrela de primeira-segunda-grandeza, uma super-nova-hiper'idosa e que ostentava uma charmosíssima cicatriz sobre o lábio-superior que lhe fora presenteada pelo cão-caçador-fera de seu próprio-pai, hamet, numa quinta-categoriana-mordedura quando a criança o alimentava, quem falava!
- ... hein? quê? - disse, ainda sonolenta, uma estrela de primeira-grandeza cujo título ostentava, apenas, em virtude das duas únicas coreografias-suas que, sem dúvida, se eternizaram! ou será-que-seria-mais? dizem que "voava" palco-afora... coisa que a sua interpeladora jamais-fez!
- acorda!
- ... ah! e você, Nureyev! ... é bom dia ou boa noite que devemos nos dizer agora?
- nós não estamos mais na terra? lembra? morremos e viramos estrelinhas do céu! lembra?
- ... ah! é!
- ... parece que é louco!
- e sou!
- era!
- era, fui, sou, que diferença isso faz agora?
- ... nenhuma!
- pois é!
- ... porque você enlouqueceu?
- ... não sei, rudik! ... porque você pegou aids?
- porque trepei com muitos achando-me um deus-imune, é isso! mas loucura não se pega por nenhum tipo de contágio carnal, não é assim?
- verdade!
- ... então porque você enlouqueceu, afinal?
- já disse que não sei! diaghilev, talvez! a vida! a frustação de...
- (cortando-o) você? um deus-vivo? frustrado?
- e por que não? eu criava coisas que alguns diziam serem sobrenaturais mas, nos espetáculos, o público não me entendia e aí...
- ... e aí, você, tolinho, se importava com as reações e a opinião do público... e "críticos", bailarinos(as) incompetentes! certo?
- é claro que sim! você não, rudik?
- é claro que não! público, meu menino-caído? quem é o "público"? ... esse polvo-amorfo que nos atira-flores quando se sente prazeroso-consigo-mesmo e vaia-nos quando quer nos usar nas suas catarses? "público" serve apenas para uma coisa: pagar os ingressos! e endeusar-nos! revenciar-nos! apenas isso! e "críticos"... isso é, apenas, uma piada-de muitíssimo-mau-gosto! ... mas agora não vem ao caso que você compreenda isso ou não, é lógico!

... e fez-se, aqui, uma longa pausa nessa conversa-informal de estrelas!
e notem que pausas, nas imensidões-intergaláticas, podem chegar a durar alguns dos nossos séculos terráqueos!

- rudik!
- que é?
- por quê era tão dífícil aos outros nos entenderem?
- porque éramos artistas! seres-criadores!
- ... e daí?
- e daí que éramos diferentes deles!
- ... como assim?
- positivamente, você continua devaneando, minha-criança! diferentes! desiguais! opostos! entende do que falo, agora?
- ... sei lá! acho que sim...
- enquanto eles viviam para ganhar dinheiro nós ganhávamos dinheiro... as vezes! e você alguma vez criou a tua arte apenas para ganhar dinheiro?
- (ofendido) é claro que não, rudik!!!
- pois então! enquanto que eles trabalham, degladiam-se entre si, ofendem-se e mentem uns aos outros, apenas com essa finalidade em mente! serem melhores que os demais!...
- eu sei, rudik! agora para ou você vai, de novo, começar a chorar!
- ... acontece que, para eles, a única maneira de "exibir" que são "melhores" é ostenarem choupanas-com-livros-encadernados em apartamentos com menos de 250 m2! exibem coisas-vistosas-e-toscas, jamais-deles, vestuários de luxo, jóias e todo esse lixo que não passa de bens pessoais e sub-produto... sempre criados por outros e, meramente, comprados por eles! entendeu, então?
- ... ah!
- no iate de niarchos eu dizia: shame! aos berros! jackie também desistiu de fazer onassis ser mais que um simples onassis! ela me disse ainda sentir o cérebro-quente de Kennedy, amante de Monroe, em suas-mãos! ... e, então, Lindon tomou o poder com um sorriso de satisfação nos lábios-decrépitos-e-maldosos!
- eu sei!!!!!!!
- entre nós-artistas, meu querido, a coisa é inversa: quando as cortinas se abrem, seja lá em qual ramo de arte for, escancaramos nossa obra aos olhos de todos! se ela é de qualidade ela o é e se não não é point-finale! claro que sempre houve, e haverão, aqueles que apenas comercializam os seus dotes artísticos, vendem-nos no mercado que melhor-pagar, prostituem-se, enfim! mas a arte desses, breve e certamente, se banaliza, empobrece, começa a feder, como, também, sempre ocorreu e ocorrerá! entendes, afinal, por quê sempre fomos e seremos diferentes deles?
- ... ainda não sei bem! ... acho que sim!
- ... mas paremos de filosofar, Nijinsky! olha lá em baixo! ... vês?
- ... onde?
- ali! sozinhos os dois! ao lado daquele pequeno lago!
- ah! vejo! mas o que são? um homem e uma mulher? dois homens? duas mulheres... é difícil distinguir daqui de tão longe!
- e isso te importa? estão de mãos dadas! beijam-se, as vezes, estive observando-os enquanto falávamos! estão apaixonados! e isso é o que importa!
- ah!
- estão olhando para nós! vês?
- sim!!!
- então, anda, apressa-te! brilhemos mais intensamente para eles que, logo, os seus aplausos, para nós, não tarderemos a ouvir!


GRAÇAS À VIDA !

graças à vida
que me tem dado tanto !
me deu os vislumbres
e quando eu os abro
distingo, perfeitamente,
o negro do branco,
na plenitude do céu
o seu fundo estrelado
e nas multidões
o homem que eu amo !

graças à vida
que me tem dado tanto !
me deu todos os sons
e o abecedário !
com as palavras. que penso e declaro,
mãe, amigo, irmão,
e a luz brilhando,
a minh'alma me diz
que estou amando !

graças à vida
que me tem dado tanto !
deu a direção
dos meus pés cansados !
com eles andei
por cidades e charcos,
praias e desertos,
montanhas e planaltos !
e pela casa tua,
tua rua e pátio !

graças à vida
que me tem dado tanto !
me deu o coração
que m'ensina caminhos
quando vejo os frutos
do cérebro humano,
quando sinto o bem
tão longe do mal,
quando olho no fundo
dos teus olhos claros !

graças à vida
que me tem dado tanto !
que me deu o riso
e me deu o pranto !
assim, eu distingo
felicidade de espanto,
as duas coisas
que compõe o meu canto
que é o canto de vocês
que é o mesmo canto,
que é o canto de todos
que é o meu próprio canto !

... e, assim, peço licença à Violeta Parra, sua autora, e a Mercedes Sosa, sua fabulosa intérprete, que tive a honra de conhecer pessoalmente, e que vivem, agora, lá no céu-dos-passarinhos, pra acrescentar:

obrigado à Vida
que já me deu tanto !
me deu o teatro
e meu deu um manto
com o qual me cubro
quando me amedronto !
que me deu o fausto
e me deu o encanto
de com minhas palavras
poder lhes mostrar o quanto
vocês, meus amigos, me importam
e, apenas vocês, me importanto tanto!






ANJINHO

anjos, positivamente, não metem medo à ninguém!
e como poderiam?
são, sempre, em todas as suas mais diversas representações artísticas, seres dotados de belas figuras, sejam eles ainda crianças, adolescentes ou adultos, já! pasolini, por exemplo, no seu "teorema", fez o seu anjo ser representado pelo terence stamp (bem jovem, na época, é claro)!
sei que a bíblia fala de anjos vingadores e coisa-e-tal mas estes, em todas as ocasiões que assim se apresentaram, encontravam-se na mais subalterna posição de meros enviados de deus e, jamais, os autores de genocídios como a queda de sodoma e gomorra ou o dilúvio!

pois acabo de saber de um que (embora sem o querer) meteu medo à muita gente!
... e olhem que era um bem pequenininho, ainda uma criancinha, a bem da verdade!
chamava-se quiidas!

foi assim: uma bela tarde achou-se, de repente, sem ter o que fazer (e olhem que isso é bem raro pois sabe-se que os anjos, mesmo que ainda crianças, sempre estão atarefadíssimos)! mas resultou que, por algum descuido divino, quiidas estava sem tarefa alguma na tal tarde.
decidiu, então, que iria conhecer algum lugar aonde ainda não tivesse estado e, como era um anjo brasileiro, foi à brasília.
ficou logo fascinado com a arquitetura de niemeyer mas achou estranhíssima a localização da cidadela! a beleza no meio do inóspito (foi isso o que ele pensou embora não, exatamente, com essas palavras)!
visitou, primeiro, a catedral, como qualquer anjo tem o dever de fazer e, depois, saiu voando e admirando todos os prédios do coração da belacap de juscelino.
odiou os dos ministérios, é óbvio, mas, de pronto, viu-se atraído pelos belos contornos do palácio do planalto.
depois de sobrevoá-lo, rodeá-lo inteiro e chafurdar um nadica nas águas do laguinho, entrou.
estava tão encantado com tudo o que via que, sendo ainda tão pequeno, esqueceu de se tornar invisível aos olhos humanos!

e foi então que começou a balbúrdia!

gritos, primeiro! depois os desmaios das secretárias e madames que pulalavam lá por dentro (a maioria feia, ele achou, mas todas impecavelmente vestindo caríssimas roupas de griffes)! pessoas mudando, a cada segundo, das suas posturas de "senhores-da-terra" para as de apavorados-fujões, dando berros, urros, gemendo, chorando muitos, dando-se encontrões e caindo pelo chão! pânico geral!

quiidas começou a rir - que gente mais ridícula, meu deus! - disse ele, alto, na sua vozinha aguda!

então, passou a dar voos rasantes sobre as cabeças daquele estranho aglomerado de barrigudos e barrigudas, ternos e jóias, barbas e botoques, cheiros de perfumes e fedorento suor!
e ria cada vez mais!

até que, cansando-se da brincadeira, parou no ar, as asinhas adejando graciosamente e, mãosinhas na cintura, berrou:
- ei, seu bando de paspalhos! eu sou um anjinho, não tão vendo, não?

quem, suando em bicas, primeiro se adiantou, foi um sujeitinho bigodudo e com fisionomia arrogante que, pondo-se de joelhos, disse-lhe:
- não me leve, seu anjinho, eu lhe imploro! sei que pequei mas tenha compaixão de mim que sou, apenas, uma grande vítima da inveja dos que me rodeiam!

depois foi um cara alto, com cara de galã-barato de novela mexicana, um narigão enorme que fez quiidas voltar a rir e que ele achava que já tinha visto muito em jornais e televisões há alguns anos atrás:
- anjo, anjinho meu, bem sabes que não passo de um pobre descamisado e se aqui me encontro entre estes hereges e perjuros é apenas com a melhor das intenções de ajudar o meu povo! poupa-me pois!

sem estar entendendo mais nada quiidas lhes disse, lá das alturas em que se encontrava:
- ... mas vocês tão falando do quê???
- do juízo final! do juízo final de quem nos és o portador! - bradaram todos, quase em uníssono!
e voltou a histeria: mais choros, desmaios, uivos, "preces"... uma autêntica palhaçada, pensou o anjinho!

daí, um cara atarracado, barrigudo, vermelhíssimo e com uma barba que lhe dava um certo ar de desleixado, se aproximou, ironicamente pomposo, e disse-lhe, numa voz rouca e um tanto fanha:
- meu bon amju du todu piedozu sinho! leva preli us meu mai cinseru votu di boa saudi i reprodutu! dis pru omi ki noi aki nu brazil num cemu us mai pió du mundju nao! ki te otrus povu mai pió inda qui inda qui nóis i qui purizu eli nus de mai uma xanci!

... quiidas me contou, depois, que, nessa hora, ficou todo arrepiado! sentiu uma coisa que jamais sentira antes: medo! medo do que ainda pudesse estar por vir, pior do que tudo aquilo que já existia ali!

e, mais rapido que um jatinho, saiu voando daquele antro e pensando: a beleza, no meio do inóspito e da hipocrisia!

HISTÓRIA SEM CRONÓPIOS E NEM FAMAS MAS COM ALGUMA SEMELHANÇA

era uma vez um rinoceronte que, da noite para o dia, virou galinha!
imaginem o espanto que isso causou na vizinhança!
mas, como era fatalista, desses que creem, piamente (e sem fazer qualquer trocadilho com galináceos, nisto), que depois do mal-feito o mal-feito está, fingia não notar as faces embasbacadas que a circundavam e, muitíssimo menos, ouvir os comentários (sem sempre muito lisonjeiros) dos quais era a personagem principal. acreditava que nada acontece para o mal-absoluto e que sempre há uma boa-causa quando se origina um efeito e, como também fosse otimista, que podem haver males que vem para o bem!
assim foi que, agora uma galinha sem dono (e pensava que todas as galinhas tinham ou, ao menos, deveriam pertencer à alguém), deixou as savanas onde vivera desde o nascimento e aventurou-se pelo mundo em busca da cidade mais próxima.
agora, sozinha pelos caminhos que a levariam lá, a transmutada galinha ia pensando nos ovos que deveria por para serem, depois, vendidos ou consumidos por seu novo dono (ou dona) e, principalmente, que, custasse o que custasse, reservaria um ou dois, sempre (obviamente depois de devidamente galados), para iniciar uma imensa prole que haveria de muitas alegrias e lucros dar à quem a aceitasse!
a viagem foi dura e amaldiçoava o fato das galinhas terem asas mas não conseguirem voar mis do que uns pouquíssimos metros e os seus novos pés-de-galinha lhe pareciam ridículos demais se comparados aos do possante rinoceronte que antes fôra!

depois de alguns dias extenuantes (e perigosos) eis que chegou à uma minúscula aldeota (ou tribo?) que, praticamente, se escondia num desvão do terreno.
sua nova alma-de-galinha como que se incandesceu de felicidade!
afoita, pos-se, logo, a cacarejar alegre e estridentemente, correndo em direção às cabanas!
encantou-a, de imediato, as atenções que atraiu sobre si mesma! todos, rigorosamente todos que habitavam aquele pequeno povoado, correram para ela, tentando pegá-la!
e, meu deus-galo, pensava ela esquivando-se e procurando aparentar ser do tipo-difícil, todos aqui querem ser meus donos!

então, encantada e lisonjeada, deu-se ao luxo de escolher e entregou-se, apenas, nas mãos do mais ágil e forte dos seus caçadores!

e, nessa mesma noite, a família inteira dele, e ele, se banquetearam com ela.

SERES IGUAIS E SÓ UM DIFERENTE

pois bem... fiz um teste-imaginário
e obtive as seguintes respostas que abaixo se seguem.

perguntei à uma margarida o que ela achava de uma rara orquídea e esta me respondeu:
- ela é uma planta, como eu.
então, perguntei à um cavalo-árabe o que pensava de um jegue e ele me respondeu, de pronto:
- é um animal, como eu.
daí fui perguntar à um grão-de-areia o que me diria sobre um diamante, de sete quilates, que estava sendo exposto em certo museu e ele não titubeou:
- trata-se de um mineral. assim como eu.
perguntei ao fogo o que pensava da água e disse-me ele:
- não sabe, então, que somos elementos?
indaguei à buda o que me diria sobre deus e ele, sorrindo, me disse:
- somos, ambos, conceitos-espirituais!

então, fui ao meu vizinho e disse-lhe assim:
- o que pensa o senhor de mim?
pra quê? passei horas (sem que, ao menos, me convidasse a entrar para um café) ouvindo-o discorrer sobre como eu seria mais-isto-e-menos-aquilo se, acaso, fosse um homem como ele!

QUICO E O BOTO

certo dia, quico brincava, sozinho, ao lado do rio, quando um boto cor-de-rosa saiu das águas e disse-lhe assim:
- calma, moleque!
- i pruqui tu acha qu'eu to nevrosu? só toma cuidadu pa num dirrubá meu castelo-di-terraqui, vissi?
(pausa)
- certo, vou tomar cuidado! (pequena pausa) ... mas você sabe quem sou eu?
- sei!
- ah, é? e quem eu sou, posso saber?
- u botu, craru!
(nova pausa)
- e você não tá com medo de mim, moleque?
- mulequi não! meu nomé quico! i u seu, possu sabe?
(outra pausa)
- ... ora... o meu nome é... boto!
- intão muntxu prazê, seu botu!
- (ficando exasperado) ... você não vai fugir, não?
- i fugi pru quê? ihh, inda frata muntxu preu terminá meu castelo aqui, vissi?
- (bufando) mas eu sou o boto! não sabe o que os botos fazem, não?
- sei, craru! carreg'as pessoa pra drentu d'água... das veiz não mai das veiz-sempre... (o menino ri)!
- (batendo a cauda no chão e espalhando lama e folhas por todo o lado) então!!!
- (levantando-se, pondo as mãos na cintura e encarando o bichão) acunteci qui... primeru: cumu sinhô podi ve, si num fo cegu i neim besta, eu sô mininu-homi i não minina-muié! ... a menu quiu sinhô seji dessis botu homissessuais, craru! sigundu: si tu fo um dessis botu fica sabenu qui'eu só tenhu seti anu i izu já seria um atentadu violentu aos pudô, sigundo a lei dus homi i...
- (cortando-o) ah! mas eu não sou um homem! sou um mamífero, da ordem dos cetáceos, e não homem!
- (irritando-se mais) terceru: eu acha qui tu é um baita d'um...
neste momento ouve-se um grito de terror!
a camêra gira, rápido, e, ao longe, sobre um pequeno morro, vemos a figura de uma mulher em pânico e como que petrificada! nota-se que deva ser a mãe (ou irmã) de quico pela sutil semlhança física e por aparentar não ter mais do que uns vinte e poucos anos.
a câmera da novo chicote enquanto a mulher continua gritando.
... e o boto, feliz e empertigado, volta, mansamente, às águas!
quico suspira e volta a trabalhar no seu castelo mas, logo, ainda mais irritado, vira-se e grita na direção em que sabemos está a mulher:
- qui foi, mainha? para di gritá! viu não quera só um botu viadu-da-porra?
os gritos cessam.
e, novamente suspirando, quico fecha o take:
- ô meu saquinhu, viu? si mainha num viezi eu ía dexá ezi botu fiu-da-puta cu maió comprexu d'inferiô! mania dezis porra achá qui podi vivê só das aparênzia! ma queusinhu coroné faiz posi não, vissi?

1973: NASCE A IF-PRODUÇÕES (depois outros nomes e, hoje, o GRUPO DE TEATRO FÁBRICA LÚDICA)

... e senta que lá vem história!
uma longa história, por sinal!

vou tentar resumí-la ao máximo mas deixaria de tecer louvores ao fausto e à mim-mesmo se a reduzisse em excesso... então...

já citei, comentei, adiantei, chorei, gritei, vivi, revivi, trocentas-partes-dela aqui, em situações abaixo!
mas vamos do-começo:

- véspera do aniversário da Edmar Ferreti!
- vou vê-la pra acertarmos alguns detalhes da festa (que estou organizando a pedido dela) e o Bósgus me cata na porta do Ruth Escobar, faço as pazes com o ademar e entro na missa leiga!
- ... na saída o fausto está sentado no capô do meu fusca, chupa uma laranja e me oferece a outra metade! ... e "isso", essa laranja-repartida, vai durar 36 anos e continuar-durando por toda-a-eternidade porque apenas seres-comuns (sem ofensa!) crêem na morte física, esquecendo-se de que sóis demoram mais para se extinguir!
- ... ensaios até durante o carnaval! já sei, antes-da-estréia, que serei o jovem-templário e o fausto carregará a minha cruz... como acabou fazendo, sempre, depois!
- um ou dois meses após a nossa tumultuada estréia, monsieur cláudio petraglia convida iracema nogueira, rachel araújo, sonia césar, vicci domini, fausto brunini e ivan josé pra dublarem toda a parte musical de "vila sésamo", suas duas séries, pra rede globo e tv cultura, na odil-fonobrasil, no sumaré onde eu já era puta-velha da casa desde "nacional kid", isso em 1963 ou 64, acho!
- e é impossível separar o inseparável! ademar dirige a missa e me dirige no "edson santos" da vila, amilson godoy toca e participa de ambos, cláudio compõe e dirige uma e outra, chico de assis é presença constante nos dois!
- após a minha (tempestuosa!) saída da missa, fausto saindo no dia seguinte e a ida do espetáculo (com metade do elenco substituído) pra Portugal... o chico escreve um roteiro (não texto!), "os balões"!
- idas constantes, eu e fausto, ao apartamento dele! ademar ajuda aqui e ali, claudio faz os arranjos musicais, amilsom grava a trilha... e após centenas de cervejas consumidas, dezenas de litros de uisque, toneladas de fondue, estudos sobre piaget e mais isto e aquilo mais, eis que ivan, fausto, rachel e sonia estão, de novo, reunidos e estreamos no salão paroquial da igreja da consolão!
o vicci não estava porque foi pra europa com a missa e iracema já enveredava pelas trilhas da produção publicitária mas foi à estréia, é claro!
bien... e depois rolaram 46 peças, sei lá quantos grandes-projetos realizados, idéias-doudas (mas a gente sempre as realizava... eu-sozinho não quero!), Puppy, Pimontez-comida-caseira, a casa-da-João-Cachoeira e tantas-mais, Opalas, Fuscas, a Veraneio (que achavam que era do DOPS), duas variants, os carros zero da "fase" Pimontez, centenas e mais centenas de passarinhos, empregados-empregadas e empregadas-empregados-amigos, campeonatos de surf (nacionais e internacionais), festas (grandes festas), prêmios (muitos-mesmo), livros e obras publicados, produções quase-sempre acima das nossas posses-financeiras-de-momento, viagens... e milhares e mais-milhares de apresentações em locais tão diversos como televisões, teatros municipais, teatrões, teatrinhos, hospitais, bibliotecas, escolas, praça da sé e avenida são joão, favelas e centros culturais, etc, etc, etc!
- ... talvez... a melhor-forma de relembrar seja falando de pássaros: quiidas, bigodinho, papa-frutas, goldens-fenomenais, trinca-ferro, bananinha, canários belgas de todas as cores! houve um intercâmbio-constante entre nós e o bógus! e houve o banheiro de empregada da joão cachoeira transmutado em viveiro de periquitos, também!

caráio, meu anjo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
que vida-linda nós-tivemos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

... e se alguém acha que entende mais do que nós, neste brasil, sobre o que é teatro-para-crianças... eu sinto-muito pela ignorância desse "alguém"!


SOBRE A LEITURA DE LIVROS (OU BLOGS)

adaptado por mim de um texto de Hermann Hesse, escrito em fevereiro de 1920, primeira impressão no jornal Neue Zurcher Zeitung, de 28/3/1920.
é uma necessidade inata do nosso espírito elaborar tipos e classificar a humanidade de acordo com eles. sente-se essa necessidade de classificação desde os "personagens" de Teofrasto e dos 4 temperamentos dos nossos ancestrais até a mais moderna psicologia de hoje.
NOTAS NECESSÁRIAS:
1. teofrasto foi o sucessor de aristóteles. ele contribuiu com estudos práticos como os da botânica e as tipologias do caráter. segundo ele, a maneira em que funciona o que chamamos de personalidade poderia definir-se como a rigidez e invariabilidade da nossa resposta que está fixada e que reitera um tipo de comportamento incapaz de abrir-se ao novo, ou simplesmente à realidade. existem visões diferentes e estereotipadas que são como uma marca. há desde condicionantes biológicos até fatores ambientais e sociais. a admiração do que, comumente, chamamos de "personalidade" tem muito a ver com este elemento fraudulento da construção e fixação da nossa versão sobre a realidade.
isto leva-nos a observar, por exemplo, o que podemos chamar de "as diferentes bestas negras" com que os indivíduos e grupos humanos tendem a justificar o seu lugar existencial numa falsa dialética construída com a única justificativa de manter "castas", o que solidifica ou banaliza o ser essencial, impedindo-o de crescer e correr. daí a necessidade de alimentar o mundo emocional com diferentes espécies que encobrem a naturalidade. é como buscar líquidos raros e sofisticados quando o que precisamos é, apenas, de água!
2. os citados 4 temperamentos são: sanguíneo, melancólico, colérico e fleumático e têem suas devidas especificações em ilustrações mais abaixo.

e é também de modo inconsciente que cada ser humano classifica as pessoas da sua vizinhança em tipos segundo a semelhança com personagens que se tornaram importantes para ele desde a infancia. por mais estimulantes e instrutivas que sejam essas divisões, independente de partirem da experiência pessoal ou de ambicionarem a tipografia cientíica, de vez em quando é muito bom e útil traçar o resumo de toda experiência também de modo diferente e chegar à conclusão de que cada ser humano possui traços de todos os tipos e que os diferentes caracteres e temperamentos também podem ser encontrados como estágios que se sucedem mesmo numa única personalidade.
... quando se classificar, a seguir, 3 tipos, ou melhor, 3 níveis de leitores, com isso não quero afirmar que eles se distribuem nesses 3 grupos de modo que um pertença a esse e outro aquele grupo.
cada um de nós pertence, temporariamente, a um ou outro grupo.
em primeiro lugar há o leitor ingênuo.
de vez em quando cada um de nós le de modo ingênuo, é claro. esse leitor devora um livro (ou blog) como se fosse uma refeição! é apenas um receptor, ele come e se satura como um garoto se empanturra com um livro sobre índios selvagens, uma criada sobre condessas ou um pobretão com biografias de bilionários excêntricos. esse leitor não se relaciona com um livro (ou blog) como com uma pessoa mas como um cavalo com o cocheiro; o livro (ou blog) dirige e o leitor obedece!
todo o conteúdo é tomado objetivamente, reconhecido como realidade. e não se enganem: há leitores cultos, e até refinados, que pertencem a essa classe de leitores, sim.
o leitor ingênuo, na sua relação com a leitura, não é uma pessoa, não é ele-mesmo. avalia os acontecimentos de uma história (em blog ou livro) segundo os seus graus de tensão, perigo, erotismo, brilho ou miséria que despertam. por vezes avaliam-nos apenas estéticamente, o que, em última análise, continua sendo convencional. o pão é para comer, a cama para dormir ou copular e o blog (ou livro) para ser lido, é óbvio.

o segundo tipo de leitor mostra um pouco desse gênio brincalhão!
ele não aprecia nem o conteúdo e nem a forma de um livro (ou blog) como seus valores mais importantes. ele sabe, como as crianças também sabem, que qualquer coisa pode ter dez, duzentos significados e sentidos. esse leitor pode, por exemplo, observar como um poeta e um filósofo se esforçam para convencer os leitores e a si próprios da sua interpretação e avaliação das coisas e podem sorrir desse esforço e ver no aparente livre-arbítrio e liberdade do poeta apenas imposição e passividade. este leitor já está num ponto em que sabe, perfeitamente, aquilo que os professores de literatura e os críticos literários desconhecem na maioria das vezes: que não existe uma coisa que se chama livre-escolha do conteúdo e da forma. este leitor não segue o escritor como o cavalo ao cocheiro mas sim como o caçador segue uma pista; e uma visão rápida para além da aparente liberdade do escritor pode encantá-lo mais do que todas as atrações de uma boa técnica e da "arte" da linguagem.

nessa mesma direção (mas um pouco mais adiante) encontramos, então, o terceiro e último tipo de leitor.
pelo visto, esse é exatamente o contrário do tipo que poderíamos chamar de "um bom leitor"!
o terceiro tipo tem tanta personalidade, é tão individualista que se coloca diante da leitura completamente descompromissado. ele não quer nem se ilustrar e nem se divertir, usa um livro (ou blog) como usaria qualquer outro objeto (real ou virtual) do mundo. para ele a coisa é apenas um ponto de partida. no fundo, ele é indiferente ao que le. não le um filósofo para crer nele; não le poetas para que lhe interpretem o mundo. ele próprio o interpreta e é nele o ator principal. poderíamos defini-lo como uma criança - brinca com tudo! e, sob um certo ponto de vista, nada é mais fértil, produtivo e criativo do que brincar com tudo! se esse leitor encontra num livro (ou blog) uma bela frase então, primeiro, ele vai inverte-la experimentalmente pois sabe que o inverso de toda verdade também é verdadeiro. ele é criança no sentido em que valoriza muito o pensamento associativo, só que conhece o outro também. no momento em que nossa fantasia e capacidade de associação está no auge já não lemos mais o que está escrito no papel (ou blog) mas nos deixamos levar pelos estímulos e idéias que nos chegam dessa leitura. nesse estado pode-se ler a história da chapeusinho vermelho como uma cosmogonia, ou uma filosofia ou como uma composição literária altamente erótica.

mas se alguém me perguntar agora - e isso ainda é leitura? será que o indivíduo que le com a mesma despreocupação uma página de hermann hesse, sem pensar nas suas intenções e opiniões, com que le um anúncio, ou um aglomerado de letras ao esmo, será que ele ainda pode ser considerado um leitor? não seria esse tal terceiro e último nível o nível mais elementar, mais infantil, mais primitivo? e, para esse tipo de leitor, onde fica a amplitude de Shakespeare. a força de stendhal?
o argumento é correto. o leitor do terceiro nível não é mais leitor. o sujeito que pertencesse constantemente a ele logo não iria ler mais nada pois o desenho de um tapete ou a disposição das pedras num muro significariam tanto para ele como a mais bela página de letras bem organizadas. o único bom livro para ele seria um papel com todas as letras do alfabeto. ele está pouco ligando para Nietsch, neruda e nem precisa de digestivos como agatha christie. para que livros (ou blogs)?
pois ele já não tem o mundo inteiro dentro de si?
quem permanecesse todo o tempo nesse nível não estaria lendo mais. entretanto, ninguém fica constantemente nesse nível. contudo, quem não chegou a conhece-lo é um mau leitor, um leitor imaturo. pois não sabe que todas as criações literárias (e alguns blogs) e toda a filosofia do mundo se encontram também dentro dele próprio, que o melhor poeta não cria de outra fonte que não daquela que cada um tem dentro de si. fique também por um dia, por uma hora da sua vida no terceiro nível, onde não se le mais, depois então você será um leitor muito melhor, um ouvinte e intérprete bem melhor de todas as coisas escritas (o retorno para outro nível é tão facil)! se você ficou uma única vez no nível em que a pedra no caminho significa tanto para você como Tolstoi e Arrabal, depois disso extrairá de Arrabal, Tolstoi e de todos os outros escrevinhadores muito mais valor, mais sumo e mel, mais afirmação da vida e de si mesmo do que em qualquer época anterior. pois as obras de jorge amado não são jorge amado e os volumes de dostoievski não são dostoievski, são, apenas, sua tentativa, sua tentativa duvidosa e jamais concluida de exorcizar o mundo de vozes polifônicas, de interpretações múltiplas, cujo centro eram eles próprios.
tente aprisionar, uma única vez, uma pequena sequência de pensamentos que lhe ocorra durante um passeio. ou, talvez mais facilmente, um simples sonho que teve durante a noite. você sonhou que, primeiro, um homem o ameaçou com um revólver mas, depois, você o condecorou. mas quem era aquele homem? você reflete e encontra nele traços do seu pai, do seu amigo, em seguida, mas há, também, algo de diferente nele que lhe lembra sua irmã e uma antiga amante. e o revólver com que ele o ameaçou tinha uma coronha que lhe lembra um colar de pérolas de sua mãe e, então, milhares de lembranças o assaltam e se você quiser registrar o conteúdo desse sonho, mesmo em estenografia e apenas com palavras-chaves, já terá enchido um livro inteiro (ou dois, ou dez) antes mesmo de chegar ao momento em que você o condecorou. pois o sonho é o buraco através do qual você vê o conteúdo da sua alma, e esse conteúdo é o mundo, nada mais nada menos que o mundo, o mundo inteiro desde o seu nascimento até hoje, de Homero a Sartre, do japão ao brasil, de sírius a terra, de chapeusinho vermelho a drácula. e a mesma relação entre sua tentativa de anotar seu sonho e o mundo que seu sonho abrange existe também na obra do autor da obra literária (ou blog) em relação ao que ele queria dizer.

sábios e amadores vem tentando, há séculos, interpretações para inúmeras obras (caso do "fausto", de goethe, por exemplo) e encontraram as mais belas e as mais tolas, as mais profundas e as mais banais explicações. mas em cada obra literária (ou blog-literário) existe essa multiplicidade de interpretações veladas sob a superfície, essa "predeterminação de símbolos", como é chamada pela psicologia. sem ter percebido nem ao menos uma única vez toda a extensão e riqueza dessa impossibilidade de interpretar você se sentirá muito limitado diante de qualquer escritor ou pensador, tomará como um todo aquilo que é, apenas, uma pequena parte, acreditará em interpretações que mal arranham a superfície.
qualquer leitor, de qualquer área, pode variar entre os 3 níveis. você pode ocupar esses 3 níveis com milhares de subníveis nas áreas da arquitetura, pintura, zoologia, história, etc. em qualquer área, nesses 3 níveis em que você é você mesmo, deixará de ser leitor, a obra literária será dissolvida, a arte estará dissolvida e a história universal também. mas mesmo assim, sem penetrar conscientemente nesses níveis, você lerá todos os livros e blogs e todas as ciências e artes sempre como um aluno lê a gramática.

HERMANN HESSE

HERMANN HESSE

O PIOR ESPETÁCULO DA TERRA

sim, bem-sei que deveria estar continuando a história do fábrica lúdica porque, afinal, continuo, ainda, lá em 1972 e não chego-nunca ao 73, ano em que ele foi criado!
mas é que parece que há sempre-algo acontecendo que me impede de chegar lá com a desenvoltura que deveria!

hoje, por exemplo: dia 9.9.2009!
eu só apaguei a luz do quarto lá pelas 7 da manhã porque, primeiro, ficara na internet pesquisando fotos até lá pelas 2 e, depois, aferrei-me ao "pequeno mundo", do hermann hesse (que, por incrível que pareça, ainda não havia-devorado)... e só pelas 7, mesmo, foi que adormeci!

por volta das 14 horas meus cachorros me acordam, o akita Mike rosnando na porta do meu quarto e o vira-lata Pitokinho pulando e latindo em cima de mim!
por quê? ouço vozes-altas, lá em baixo, no portal enferrujado do castelo do bruxo e seus animagos! que saco! que gente mais-sem-respeito! acordar um cidadão antes que se cumpram as suas oito horas de sono!
levanto! meus cães estão doidins! vou a um dos quartos da frente e abro as portas da varanda que dá pra rua... e me arrepio!
duas casas à frente do castelo, na calçada-imunda, jaz um corpo! morto, obviamente, já que guardado por 2 policiais, o carro-deles bloqueando a passagem na calçada e coberto pelo indefectível plástico-negro (por quê não branco? seria menos mórbido e mais honorável, penso-eu)!

vou buscar meu marmitex no restaurante-da-esquina, passando pela "cena" mas sem me dirigir aos "guardas", e lá me dizem tratar-se "apenas do corpo-morto de um morad0r-de-rua, nada-demais, portanto! - deve ter enchido a cara e caiu ali morto, o infeliz!
volto, repassando pela "cena", claro, almoço, escrevo, mexo no blog, mando e-mails, orkuto, enfim, procuro não ir à varanda, mas... sei que aquele ser-humano-morador-de-rua (o bicho-homem não consegue viver sem rotular-tudo, lógico) permanece ainda-lá, sob o plasticão-oficial e... agora chove!

umas 16 horas as vozes aumentam ainda mais de volume (fiquei ouvindo o radio-de-la-policia a tarde quase-inteira pois é incrível o poder-sonoro daquelas-coisas, equiparando, em decibéis, quase-que todo-o-poderio da fábrica do som!) e acabo reindo à varanda... bem a tempo de ver os "guardas" empenhadíssimos num dolce-far-niente enquanto um cachorrinho (também morador-de-rua, pelo jeitão-estropiado) está mijando sobre o corpo! ... talvez os dois já se conhecessem de antes, né? talvez aquele mijo-quentinho fosse a forma do cãosinho tentar-dar algum conforto ao morto-desprezado!

19 horas! mais alarido!
ah!!! chegou, enfim, a "técnica"!
assisto a tudo do meu-camarote! e de graça! duas moçoilas em jeans-agarrados e camisetinhas-curtas, uma escreve outra tira fotos do corpo que só agora vejo porque foi descoberto e continua-lá , jogado na calçada, um senhor dos seus 60 anos, negro, imundo e... fico mais-pasmo... apenas de cueca!
vejo, ainda, que, enfim, os 2 policiais que ali ficaram sem fazer-nada o dia inteiro comem sanduiches e espero que lhes tenham sido trazidos do própro quartel pois penso que a grana que pagamos de impostos deva servir pra algo mais-dignificante do que, exclusivamente, deixar 2 policiais da metrópole de São Paulo, Brasil, sendo-pagos para nada-fazer por todo um dia-trabalhado! também penso que, sem que o saibamos, a nossa força-policial deva estar com excesso de contingete! sei lá, quem sou eu pra entender as mais elevadas ténicas-istartégikas del-gobierno-barliseño, né?

esse espetaquelho de duodécima-categoria começa a me deprimir-em-excesso, mesmo sabendo que isso é comuníssimo, mas eu nunca tinha assistido alg'assim tão péssimo, bem-pior que "teatro infantil", atores totalmente inexpressivos!

apenas o senhor-morto ostenta dignidade e altivez, claro!
mas será que alguém-mais vê isso, além de mim?

... e pelo andar-da-carruagem parece que vamos ter matinê, amanhã!


CONVERSA COM UM FOGÃO

ele se apresentou para mim: baixo, gordo, largo, a boca cheia de fogo (no duplo-sentido-mesmo):
- meu nome é Lula - disse.
- você é Luis Inácio Lula da Silva? - perguntei.
- não. apenas Lula. eu sou um fogão brasileiro, uma invenção maravilhosa! mas na verdade não esquento muito bem.
- sim - respondi - eu sei disso. todos os fogões com nomes pomposos são invenções maravilhosas mas não esquentam bem. mas eles merecem a nossa admiração. mas, diga-me, Lula, por quê um fogão brasileiro se chama Lula e não um nome americano como Franklin ou Kennedy, por exemplo? não é meio estranho?
- estranho? não! é uma das leis secretas, sabe. uma lei secreta das relações e das complementações. a natureza está cheia delas. os povos covardes tem canções folclóricas que glorificam a coragem. os povos sem amor tem peças teatrais em que o amor é exaltado. assim acontece também conosco, com os fogões. um fogão italiano tem, em geral, um nome americano enquanto o fogão alemão tem um nome grego. eles são alemães e, acredite-me, não esquentam nem um pouco melhor do que eu mas se chamam Eureka e fênix ou a despedida de heitor. isso desperta grandes recordações. mas aqui no brasil não é assim. não sofremos grandes guerras e o genocídio do povo, por aqui, sempre foi praticado de outras e mais intrincadas formas. somos o país abençoado por deus e bonito por natureza. logo, gostamos de usar nomes de nossos próprios "heróis"! daí, chamo-me Lula, que, como sabe, é prato de degustação dos mais apreciados por estas plagas! sou um fogão mas, por minhas características, poderia muito bem ser um estadista! tenho boca grande, gasto muito, aqueço pouquíssimo, solto fumaça por um tubo, tenho um bom nome e desperto grandes recordações. comigo é assim!
- certo - falei - tenho o maior respeito pelo senhor! já que é um fogão brasileiro certamente podem-se assar bodes no senhor, não é?
- é claro que sim! é um passatempo. muitos amam isso. alguns também fazem versos ou jogam xadrez. é claro que se podem assar bodes em mim, por quê não? na verdade, eles queimam, mas o importante é o passatempo. os homens adoram o passatempo e eu sou obra dos homens. nós, os monumentos, cumprimos as nossas obrigações, apenas isso.
- espere! o senhor disse "monumento"? considera-se, então, um monumento?
- mas é claro! todos nós somos monumentos! nós, os produtos da indústria, somos todos monumentos a uma qualidade ou virtude humana, de uma qualidade que raramente acontece na natureza e que, mais aprimorada, se encontra apenas no homem.
- por favor... que qualidade é essa?
- o conceito de inutilidade! eu sou, ao lado de muitas outras coisas, um monumento à inutilidade! eu me chamo lula, sou um fogão, tenho uma boca grande que come fogo e um tubo grande pelo qual a fumaça sai para fora aos borbotões. tenho, também, ornamentos e duas tampas que se podem abrir e fechar. isso também é uma distração agradável. pode-se brincar com elas como com uma arma.
- o senhor me encanta, lula! é o fogão mais inteligente que já vi na vida! mas como é, afinal, o senhor é um fogão ou um monumento?
- bah, quantas perguntas! o senhor não sabe que o homem é o único ser que atribui um "conceito" às coisas? para a natureza o carvalho é um carvalho, o vento é um vento e o fogo um fogo. mas para o homem tudo é diferente, tudo tem um sentido, uma relação! tudo se torna santo, tudo se transforma num símbolo! um assassinato é um ato de heroísmo, uma epidemia é o dedo de deus, uma guerra é a evolução! então, como pode um fogão ser, apenas, um fogão? não! ele é também um símbolo, um monumento, um anunciador! por isso o amam, por isso o respeitam! por isso ele tem de ter ornamentos e tampas, quantas-mais-melhor! por isso ele não ve no mísero aquecimento seu único destino! por isso ele se chama lula!

(adaptado por mim de um texto escrito em novembro de 1919 por hermann hesse. primeira impressão publicada em "vivos voco", berna/leipzig, em 1920)

EU E ARRABAL

EU E ARRABAL
a direita do "Mestre" sempre foi considerado o lugar-ideal para se estar!

OS 77 AÑOS DE FERNANDO ARRABAL... OU... ONDE ESTÁ WALLY?

OS 77 AÑOS DE FERNANDO ARRABAL... OU... ONDE ESTÁ WALLY?
abaixo, cantávamos "Cachito mio" nessa foto que ele chamou de "histórica"! já me achou? uma dica: estou com uma blusa azul-marinho com detalhes em azul-claro à direita de um senhor totalmente de negro!

À TODOS OS MEUS AMIGOS !

(e inimigos também, obviamente)

HEHEHE
E
HOHOHO
PRUCÊIS TUDO !!!

... E ATÉ O ANO QUE VEM!

VAMO-QUE-VAMO,
SEMPRE E ETERNAMENTE-ENQUANTO-DURAR !!!!!!!


NETUNO

UM DOS TODO-PODEROSOS DOS GREGOS!

NETUNO

ereto, o peito nu, tras nas mãos o tridente! a barba e os cabelos revoltos conferem-lhe uma aparência angustiada! a musculatura rígida e viril revela extraordinária força!
assim os gregos imaginavam o deus poseidon (netuno)!

o mar é o seu reino! o tridente, usado por ele como um cetro real, tem o poder mágico de abalar terras e oceanos, faz brotar água das rochas e do solo!
a sua força estende-se por sobre toda a terra; tanto pode condená-la à violentas sêcas, estinguindo fontes e rios, como devastá-la com terríveis inundações!
habita um esplendoroso palácio nas profundezas do mar egeu.
todos os dias percorre o seu vastíssimo reino numa carruagem atrelada a velozes cavalos de cascos de bronze e crinas de ouro e em seu rastro segue uma comitiva de nereidas, centauros marinhos, hipocampos, delfins e ninfas! as ondas se abrem tranquilas à sua passagem e as mais violentas tempestades recolhem-se em respeito ao seu soberano!
mas poseidon (netuno) não é somente o rei do mar!
para os gregos, que acabaram lhe atribuindo a responsabilidade sobre tudo o que se agita ou se convulsiona, ele é também a causa dos maremotos e dos tremores de terra!

a grécia era frequentemente devastada por abalos sísmicos! assim, é fácil entender por quê homero (séc. IX a.c.) chama-o de "o sacudidor da terra"!
acabou sendo o responsável até pelos casos de epilepsia quando se dizia que o epiléptico estava "possuído por poseidon"!
tornou-se o deus dos touros e dos cavalos! e como os cavalos eram propriedade exclusiva dos nobres o deus transmutou-se numa divindade aristocrática por excelência!


outra foto de freedy kleeman

outra foto de freedy kleeman




eu

photos by fausto brunini (a maioria), dora kalef e minhas montagens!






























fotos de fausto brunini

by ivan José (todas, menos aquela dele com a Rosa Guimarães, na Missa Leiga, esta de autoria de Freddy Kleeman)





FERNANDO ARRABAL

ABAJO... EL SENOR FERNANDO ARRABAL (não há como por o acento correto em senor)!
meu mais novo-amigo e parceiro-teatral!
espero honrá-lo como já honrei cacildas e lélias e ademares e bógus e otras personas más!




rosas

eu e mui queridíssima rosa guimarães jantando com daniboy and oswald after darwin!
só que o celular da rosa tava doidim porque era dia 12 e não 9 e já eram umas duas da matina e não 17 e pouco! hehehe!!!
(foto by Daniel)

the trio

daniboy, rosa e oswaldo mendes após a estréia de "after darwin"!
viu? ... não viu, também? ... ah!!! ... tem certeza de que você tá vivo(a) ???
(foto by eu-mesmo)

EU E EURICO! JÁ LEU O LIVRO DELE? NÃO??? POIS É.......

EU E EURICO! JÁ LEU O LIVRO DELE? NÃO??? POIS É.......

DANIEL ALVES BRASIL

DANIEL ALVES BRASIL

valéria e minha irmã, ana!

valéria e minha irmã, ana!

MY FRIEND!

EU e o meu amigão, o juiz desembargador da justiça estadual do Estado de São Paulo, exmo. sr. dr. luiz synésio lopes de oliveira... o barão de sarapui (por título legitimamente outergado)! ... coisas do passado?... sorry, periferia... mas vocês crêem, messsmo, que não há mais-barões do café???

eu e o barão

eu e  o barão

EU, tide, alê e roger

EU, tide, alê e roger

meu niver

vista geral da mesa dos meus 57 anos (ocorrida em 24.7.2008). jantar na cantina d'amico piolim (da minha-querid'amiga regina!), são paulo, brasil...

TRIBUTO

TRIBUTO
Da. Lady Cardoso Henrique da Cunha - MINHA MÃE !

Lady e Ivan José

Lady e Ivan José

plutão

plutão
... sísifo, astuto rei de corinto, mesmo ao ver tanatos, figura sinistra envolta em negras vestes, habitante do hades, irmão do sono, que trazia entre seu manto, escondido, o punhal com o qual arrancava a vida dos homens... mesmo assim sísifo não se acovardou! enganou-o, com muita manha e arte, acabando por aprisioná-lo num calabouço! ... e durante um longo-tempo ninguém mais morreu no mundo! ... e plutão ficou triste e alarmado pois que a barca de caronte jazia a um canto, sem utilidade, sem função e as sombras do inferno não mais se enriqueciam com novas almas! ... e, então, plutão forçou sísifo a libertar a sua presa! - os artistas antigos costumavam figurar plutão como homem maduro, severo, de cabelos revoltos e longas barbas. o renascentista poggini, no entanto (como se vê na figura acima), esculpiu o deus jovem mantendo-lhe, apenas, como característica, a expressão tensa!

MINHA-LÉ

MINHA-LÉ
... ou... a grande-atriz e ser-humano que foi Dona lélia abramo, minha segunda-mãe !!!

1970 - ... na casa da lélia !

R. dos Trilhos! de tarde! era possível estacionar ali mesmo e, então, estaciono meu Aerão na porta do sobradinho-geminado-de-ambos-os-lados e toco a campainha.
- ah! que surpresa! e o que te trás aqui? – (é lélia abramo quem aqui vos fala via-eu)!
entro e ela está sozinha (como sempre)!
sentamos na sala e eu logo começo a mexer nos cachos-de-uva de pedras brasileiras que ela tem sobre a mesinha de centro (eu tinha fascinação por essas “uvas-dela”)!
explico à que vim!
- ... ma perche? EAD? você???
explico!
- ... ah! então era isso que a Cacilda te falava-tanto lá no coquetel? você nunca me contou!
- você nunca me perguntou! – (rio! e ela ri!)
- aspeta!
ela sai da sala!
fico brincando com as uvas-dela! adoro essas uvas! verde-esmeralda, cor-de-vinho, branco-leitoso...
... ela volta!
numa bandeja me trás coca-cola (porque sabe que quando alguém quer ser-mesmo cordial comigo me oferece coca gelada), um copo com gelo e um livro!
põe na mesinha e senta-se!
- ... se serve aí, vai! ... e olha o livro!
... primeiro me sirvo e bebo, claro! tá calor! era novembro, dezembro... por aí!
pego o livro e leio:
- “il uomo dal fiore in boca” ! luigi pirandello! – e abro o livro! - ... mas tá em italiano! ... e io no capisco niente!
- ah, vá... um pouco-sim, senão não me entendia quando falo rápido, vá! eu traduzo pra você, claro!
e... taí! vou fazer meu exame na ead apresentando o monólogo “o homem da flor na boca”, del signore Pirandello!
... primeiro ela me conta a história-toda! fascinante! o cara-desenganado com o tumor-canceroso na boca!
- dificile, ê! coisa pra ator-mesmo! como você!
- ótimo! ... preciso entrar em primeiro-lugar! lembra?
- presto! ... mais muita-gente lá na banca vai te achar presunçoso!
- eu sou! – (rio! e ela ri-mais-ainda)!
- ... é lido o exame... ou decorado?
- lido! só que eu não vou ler! vou falar de cor!
- certo!
resumo-da-ópera: ela vai traduzindo... vou copiando nuns papéis que ela me trás... e, ao-mesmo-tempo, já vou ensaiando, ela me dirigindo!
uau!!! fascinante esse Pirandello!
... umas duas horas depois eu acabo minha coca e acaba-se o meu único ensaio!
- grazie, mamma mia!
- vá, vá! ... faz como te falei...
- ... e entro em primeiro-lugar! ... mesmo sendo presunçoso e convencido, né?
rio! ela ri!
- eu te amo, Lé!!!
... e ainda te-amo, meu anjo!!!!!!!

JÚPITER

JÚPITER
para exercer a paternidade, júpiter não admite qualquer obstáculo! assume os mais variados disfarces. trama as mais engenhosas armadilhas. como "chuva-de-ouro", por exemplo, penetrou no cárcere da bela dânae e nela engendrou um filho: perseu!

1971

CHEGA-DE-NADA!!!!!!!

1970 !!!

1970  !!!
... desde o dia 24 julho de 1970 (dia do meu décimo-nono aniversário!) volto à TV! faço "dez vidas", novela da Ivani Ribeiro e que será a última da excelsior antes que ela feche as suas portas pra sempre (ver, lá embaixo, que já contei quase-tudo sobre isto: a substituição da chata-Regina pelo meu-amor Leila Diniz... a tentativa do "seu sírbiu" em me contratar pro seu-sbt... eu e o guarnieri... enfim... isso já contei lá embaixo, certo)! ... fato é que a novela se desenvolve aos trancos-e-barrancos... e sem que víssemos, jamais, um único tostão dos nossos salários! ... o Carlos Zara começa dirigindo e, depois, o Guarnieri! valeu pelo sucesso que fez, pelo meu personagem (Palito, porque eu tava-magérrimo!!!) crescendo-junto do da leila (pompom) e o guarnieri acabando por nos-deixar improvisar praticamente a totalidade das nossas muitas cenas (e nós-dois nos divertíamos-adoidado e sempre estourávamos o tempo das cenas! todos amavam-isso! afinal... a cada-dia mais-e-mais atores abandonavam os seus papéis ao vento)! ... e quer ver só que "elenquinho-de-pêso", de quem-eu-lembro? vejamos: carlos zara, nathália thimberg, lélia abramo, guarnieri, stênio garcia, osmar prado, cláudio correa e castro, fernando torres, maria izabel de lizandra, a leila e eu, sílvio francisco, jacira sampaio e, praticamente, todo o restante dos atores secundários e terciários do cast da casa... além de uns 100 figurantes-fixos (divididos em "povo", "escravos" e "soldados")! ... e, por fim, a "grande" dez vidas acabou-sem-fim! por quê? porque seu último capítulo foi ao ar com uma imagem-fixa e o zara, como tiradentes, narrando, em off, seu enforcamento e pronunciando o seu "dez vidas eu tivesse e dez vidas eu daria"! patético-e-melancólico! no dia seguinte a excelsior faliu-de-vez e fechou suas portas! ...então... DEcidi: chega-de-nadar-no-nada!!! ... vou à casa da lélia abramo, na rua dos trilhos, bairro da moóca, e digo: quero entrar na ead!!! ... em primeiro-lugar, claro!!! ... e juro-lhes que não que isso, primeiro ou duodécimo-lugar me importem! confesso, inclusive, que tomo essa decisão "meio-de-pé-atrás" porque, afinal, que é que-eu, já com 9 pra 10 anos de profissionalismo vou fazer nessa EAD, afinal??? ... então... mas a Cacilda me fez-jurar que faria isso! em primeiro-lugar! ... e eu jurei, lembram? e se-jurei... tava-jurado, né???

1969

então... é como-disse:
perpetro 1969 fazendo “NADA”!
namoro-muito, trepo-adoidado!
Fico-com-mil... amo-zero!
o sé se suicida na minha cara!
... faço “aventura no país do som”!
... e termino “aventura no país do som” e 1969 pensando-assim:
- chega! Quero voltar a ser-ivan-josé”!!!

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" ... para quê pelo mundo se passa? ... para ver pobreza? dor? traição? ... pra sentir-a-falta-do-amor??????? "

JUNO

JUNO
sob vários epítetos, juno era cultuada em roma: como protetora das noivas, das esposas e das mães, sobrevindo no momento dos partos! como "juno sospita" era venerada, especialmente, no "sanuvium", um dos vários templos mais famosos erigidos em sua honor! ... nessa atribuição tinha por incumbência aliviar a mãe do pêso da criança na hora do parto!

"aventura no país do som"

"aventura no país do som"

my first "teatrinho infantil" em 1969

aventura no país do som !

“eu não imagino
o mundo-do-som!
e quando-penso no tal-de-som...
eu fico-pensando
e fico-ouvindo
e fico-pensando no-que estou-ouviiindo !!!”

- Ivan...!!! (ele, Claudião Mamberti, efusivo-gordo-liiindo-como-sempre!)
- ... Cláudio???
- ... esse-aqui é o Carlos Castilho!
... em menos de 15 minutos o hiper-compositor-Castilho me-convence (tocando trechinhos de músicas-dele no violão-que-ele-trouxe) a fazer o primeiro “infantil” da minha-vida: “aventura no país do som”!
teatro ruth escobar!
sala gil vicente!
odiei!!!
“aprendi” o que já-intuía: teatro “infantil”... nããão-pode ser feito por adultos!!!
... porque "teatro infantil"(como o próprio termo indica... só que os adultos, na maioria das vezes, demoram-demais pra sanar erros-óbvios) é aquele feito "exclusivamente" por crianças! interpretado e apresentado por crianças!
... então... este trabalho que eu fiz... caráio... eu sei que não-fiz "teatro infantil"!!!
eu interpretava diferente de todos os outros atores do elenco (e o claudião ficava puto comigo - é duro trabalhar com estrela, né, Ivan José? - ... mas da estréia ao último espetáculo eu interpretei como sempre-interpretei, naturalmente... sem aqueles "trejeitos e caricaturas" (que eu achava de décima categoria) dos meus colegas (de quem, na maioria, pessoalmente, eu gostava, diga-se de passagem)!
então...
ah!!! claro!!!
eu já-fazia "teatro para crianças"!!!!!!!
só que esse termo simplesmente nããão existia!!!!!!!
(... mas eu só-iria “sacar-isso-como”, de verdade, muuuitos anos-depois!!!)
... mas as músicas eram, realmente, lindas!
e o elenco (salvo o lagoa) cantava bem!
... mas aprendi uma coisa-nova em matéria de teatro, sem dúvida-alguma: essa, que acabo de citar logo acima, embora que ainda-apenas-intuitivamente, na época!


júpiter

júpiter
... á medida em que aumenta o poder de júpiter, ampliam-se as suas funções e modifica-se o seu caráter. deixa-de-ser o mais-jovem dos seus-irmãos para tornar-se, na pena-dos-poetas-antigos, o primogênito de cronos! personifica a justiça e a razão, a ordem e a disciplina (todas-elas-coisas-que-meu-sé acabava de me ensinar que nããão-existiam!!!).... júpiter é o "pai" que comanda e é obedecido; que "vela" por seus filhos; que provê o sustento; que estimula os esforços honestos e estimula e pune as impiedades!

imaculada conceição !!!

... voltei naquela “imaculada-conceição-desmaculada”, no dia-seguinte, e “tranquei-matrícula”!
... dei “show”, sim!
gritei, chorei... zuei-adoidado, sim!!!
acusei-os de deixarem o Sé se ...
... de deixaram o-meu-Sé se ... ...
... aí me “enterrei” uns 5 dias no meu quarto da paulista (que, na verdade, era o pequeno-quarto-de-empregada-dos-fundos)!
... ninguém me perguntou-nada!
sabiam!
vizinhos fofocam, sim!
sabiam, sim!!!
... li, reli... devorei... chorei-Hermann Hesse e Demians e Narcisos e Goldmunds!
... só saía-mesmo pra comprar mais-chocolate na koppenhagen e falar “mais-desculpa” pra mocinha e pra dona-da-loja-lá!
... aí reli o “lobo da estepe”!
inteiro! ... com pausas-e-nuances!
... e, finalmente,
saí do quarto quando me disseram que o cláudio mamberti e “um cara” tavam-lá-na-sala querendo falar comigo!

chocolates !!!

... coração-a-zilhão!!!
atravessei-a-porra-da-brigadeiro “voando”... e sei-lá-como os carros e busãos brecaram!!!
... um mooonte de roupa-misturada-com-carne-sangue???
... cadê-meu-Sé???????
... corri pra loja da koppenhagen (do ladinho):
- ... mi dáá-tuuudo pro Sé!!!!!!! ele... caiu... e...
... a moça-da-loja tinha visto-tudo, sim!!!
eu-uivava!!!
vumitei!!!
... umas meninas-da-classe entraram e chegaram-em-mim!!!
eu urrei... e elas saíram correndo!
... a dona-da-loja, de-boa, veio limpar meu vomito do chão!
... a mocinha-que-chorava... veio e me-deu uma caixa-grandaça...
... e um beijo!!!
eu explodi!!!!!!!
... catei a caixa-grande! saí da loja! olhei-lá...
... já tinha polícia-lá-catando-carne-do-chão... não ía adiantar-mais eu dar chocolate pra ele... né???
corri!!!
atravessei a paulista!
garagem do meu prédio!
... eu-sozinho-dentro do meu-aerão-pretão!
... comi dois-quilo-de-chocolate pensando-chorando-uivando em... em... nada!!!
... pulei-pro banco de trás...
e chorei-uivei-até-gemer-de-ódio-e-dor!!!

1969

... o quê me-aconteceu em 1969, afinal???
ano-do-nada???
bien... tudo-e-nada, na verdade... porque acho que “nada-nada-num-ano” só te-acontece se você morrer no dia primeiro de janeiro-dele... certo???
... aconteceram-coisas, sim:
1. ... após um mês de tentar-repetir o “científico” no paulistano... me cansei de matar-aula pra ouvir “óóó... esquecimento-nosso-desamor”!!!
2. ... bebia, me drogava, ouvia-Beatles e cheirava-doses-estratosféricas-de-kelene por dia!!!
3. ... em abril me “mudei” pro "sacre-coeur" imaculada conceição pra fazer o “clássico”!
4. ... colégio-xixi-de-granfininho-zona-paulista e classe de 40 e poucas-meninas e mais-eu-e-o-serginho!!!
5. ... uma bosssta!!! padres-mais-ridículos-que-as-freiras-do-rainha dos apóstolos! “professores” dominados-pelas-ditaduras-dos-padres-e-do-regime-militar!!! ... um colégio-dos-mais-caros-de-sampa... e... ridííículo!!!
6. ... minha-mãe-me-chama (eu estudava de manhã!):
- booom dia! escola!!! toma!!!
(... e eu semi-acordava e bebia meu ovomaltine-misturado-com-ovo-crú!
... fazia “tuuudo-rapidinho”, descia pra garagem do meu prédio na paulista, entrava no meu aerão, deitava... e dormia-de-novo!)
7. ... às vezes (poucas!) eu ía pra escola mas não entrava na classe e ficava fumando cachimbo-da-paz com o serginho escondidos no banheiro ou na arquibancada-podre do “campo de futball”!!!
8. ... o “cara-meu-amigo” me-contava-uma-pá-de-coisa!!!
9. ... era “fâ-meu”, o puto!!!
10. estudava na porra-do-imaculada porque tinha-padrinho-rico... mas ele-mesmo morava numa porra-duma-favela-de-merda!!!
11. ... as meninas eram “meio-podres-de-ricas” e a única-vez que aceitei ir pra casa d’uma delas no guarujá peguei minha única insolação-brava (e minha mãe bem-se-lembra-disso)!
12. ... eu (quando ía!) saía do imaculada e passava na koppenhagen da brigadeiro e inchia-cú do serginho de chocolate porque o cara era magro-demais e tava-na-cara que passava fome!!!
... um dia... eu fui na merda-do-imaculada...
... mais o serginho... eu vi... tava down-dimaaaaaaiiiiissssssssssss!!!
... fomos pro “campo”... fumamos-cheiramos-kelene-adoidado (aqueles “padres” eram idiotas-totais ou o quê???)... ele-me-falou-uma-pá-de-coisa-ruim-dele........................... muuuita coisa ruim que aconteceu e acontecia na vida dele!
... aí-bateu-sinal!!!
saímos!!!
ele-disse:
- adieu, école!!!
(eu nããão-entendi!!!)
... a gente, eu-ele, chegamos na esquina da brigadeiro e ele-me-disse:
- ... duvida eu subir lá-em-cima-e-dar-pirueta???
- ... tá-loco??? ... vão-lá-comprá-chocolate-pra-você!!!
- não!!! ... fica aqui mesmo e olha-eu lá em-cima dá pirueta-pro-céu!!!
... bobera!!! marquei-bobera!!! eu não podia deixar ele ter ido!!! tinha que ter guentado-ele nem que fôsse na porrada!!!
... só que eu tava chapado!!!
e ele-tava-doidão-demaaaiiis!!!!!!!
... mas eu fiquei ali, na calçada do lado oposto ao prédião-treme-treme-gigante-da-paulista com brigadeiro!
o prédio ainda tá lá, é claro!
olha-lááá pra-cima da brigadeiro!!!
... viu a “marquise” com uns baita-furão lá em cima???
... e eu vi meu-serginho... lááá-em-cima!!!
... e ele deu “piruetão", sim!!! vááários!!!!!!!
... e eu olhava-só! hipnotizado na minha-chapação!!!
aí juntou-povo!!!
olhavam-comigo!!!
é... meu-amigo sabia-messsmo-dar-piruetão!!!
... e... parece-que-ele-ouviu meu "elogio"!
ele parou, de repente!!!
... e me-olhou-lááá-de-cima!!!
... e eu-vi-que-ele-riu!!!
... e me deu-tchau...
... e deu mais um "piruetão"...
... e se atirou!!!
... e se-virou-só-carne-sangrenta-explodindo-sangue-na-calçada-aqui-em-baixo!!!!!!!

o final-do-meu-68

... minha-memória falha em registrar os nomes-certos mas é-facinho sabê-los:
,,, travessa da rua taguá, bairro da liberdade – sampa – sp!
frente-do-antigo-colégio-estadual que-lá-existia e existe-detonado-e-inútil, ainda!
eu e o décio!
só!!!
o “preto de costas” tendo-virado eu-e-o-décio-sóóó!!!
- ... eu canto aos palmares...
... eu tinha-convocado a TV Cultura...
... e ela-foi e tava-nos-gravando-lá, na rua!!!
... e eu, o Ivan José, tinha, também, convocado o Estadão e o JT e a Folha de São Paulo e o Hilton Viana, claro!
... e eles-tooodos-tavam-lá, claaaro!!!
aí... agora... era-o-décio-que-dizia:
- ... sem inveja de virgílio, de homero ou de camões!!!
... e eu-berrava:
- ... porque o meu-canto é o grito-de-uma-raça em plena-luta pela liberdade!!!
mas... aí...
... você já-sentiu-na-pele um-jato-d´água-fira-d'um-brucutú-do-exército-nacional ???
eu fugi!!!
e o “meu-preto” acabou de vez!!!



eu-não-sou-nada!!!

não!
não fui-vestindo-modelito-dior!
eu-jamais-fui-cacilda-becker!
cacilda becker é-e-sempre-será-ela... a minha-amiga!
... eu, Ivan José, fui de alpargatas Rodhya vermelha... e lee-imunda... e blusão-de-couro-preto-sem-camisa-por-baixo!
... eles 3 tavam de ternos-pretos!
o adalberto, abdias e o advogado que não-lembro-do-nome!
- sr. ivan josé cardoso henrique da cunha!
- é-eu, porra!!!
- aqui! sala 27!
- sala 27 coisa-nenhuma! ele não vai entrar aí-sozinho nem-fudendo, porra!!! – (abdias do nascimento)
... e aí...
... o dr. adalberto camargo, em seguida, começou-a-fuder os esquemas-de-repressão-deste-país-que-era-merda e... e hoje é... o quê???
eu...???
bom... continuo-vivo-pra-contar-lhes a história desses grandes-brasileiros e honrar-esses-meus-amigos!!!
o adalberto fez tanto mis-en-scene por mais de uma hora que eles nem chegaram a me fazer uma pergunta sequer e nos mandaram sair rapidinho de lá!!!

o domingo, 13 de maio de 1968

PÂNICO-no-meu-“preto”???
quem-tava lá no largo do arouche no domingo???
eu-décio-wilma-elvira-abdias-adalberto-mais-uns-20-neguinho???
... mas a gente “cantamo-aos-palmares”,
a plenos-pulmões...
apesar-dos-chapas-frias que não-paravam-em-chegar!!!
depois...???
wilma, elvira, abdias e adalberto e-tooodos se escafederam!
... eu e meu-décio???
... como ele era-muuuito-rico fomos almoçar no dinho’s place e, depois, encher-a-cara de caipirinha-de-vodka-eslava na casa dele uma vez que seus pais andavam a passear pelas europas!!!

eros V

eros V
... com a evolução-do-mito eros torna-se, definitivamente, "cupido" (o "deus-brincalhão" que, maliciosamente, com suas setas, fere os desprotegidos-corações-humanos) !

carta da nydia no livro do rofran fernandes

carta da nydia no livro do rofran fernandes
julgo que sejam desnecessárias quaisquer-maiores-explicações uma vez que a carta, de per-si, se explica! me foi enviada pelo meu-amigo Eurico Neiva (eu sequer sabia que ela-existesse, até então)! ... interessante acrescentar que o Juizado de Menores chegou a "montar-guarda" na porta da minha-casa pra ver quem-entrava, quem-saía e aonde ía eu (neste caso me-seguindo-descaradamente numa descarada-quebra-dos-meus-direitos-de-cidadão!) ... mas "tia mame" estreou... eusinho-como o patrick dennis e, na última-cena, eu-retornava como o michael-dennis-meu-próprio-filho!!! ... e foi um sucesso-estrondoso... e tudo-acabou-bem !!!! e aí ??? ... entrou-por-uma-porta, saiu-pela-outra e, quem-quiser, que conte-outra !!!

eu - 1968 - II

eu - 1968 - II
... RG DATADO DE 17.09.1968... OU SEJA... EXATOS 9 DIAS-ANTES DE EU TER PERPETRADO O MEU "EU QUERO SER LIVRE", abaixo !

eu - 1968 - I

eu - 1968 - I
... favor-anotar que os meus cabelos, na foto, estão presos por uns 100.000 grampos porque essa é exatamente a mesma-foto que eu usei na minha carteira-de-reservista-do-glorioso-exército-nacional-dos-idos-de-1968 !

pequenos-trechos de textos do “preto de costas” :

“se eu morresse amanhã “
álvares de azevedo
“ ... se eu morresse amanhã
viria, ao menos,
fechar meus olhos minha triste-irmã.
minha mãe de saudades morreria
se eu morresse amanhã. “

“canção do exílio “
gonçalves dias
“ ... ai que saudades que eu tenho
da aurora da minha vida
da minha infância querida
que os anos não trazem mais. “

“língua portuguesa “
olavo bilac
“última flor-do-láscio,
inculta e bela,
és, há um tempo,
esplendor e sepultura,
ouro nativo que na ganga impura
a bruta mina entre os cascalhos vela. “

“nel mezzo del camim”
olavo bilac
“ ... cheguei chegaste
vinhas fatigado e triste
e triste e fatigada eu vinha. “

“ismália”
alphonsus de guimarães
“ ... quando ismália enlouqueceu
pôs-se na tôrre a sonhar
viu uma lua no céu
viu outra lua no mar.
no sonho em que se perdeu
banhou-se toda em luar
queria subir aos céus
queria descer ao mar. “

“canto aos palmares”
solano trindade
“ ... eu canto aos palmares
sem inveja de virgílio, de homero ou de camões
porque o meu canto
é o grito de uma raça
em luta pela liberdade. “

“canção”
cecília meireles
“ ... eu canto
porque o instante existe
e a minha vida está completa.
não sou alegre e nem sou triste.
sou poeta. “

“profundamente”
manuel bandeira
“ ... dormindo!
profundamente! “

“sonêto da separação”
vinícius de moraes
“ ... de repente
do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas-unidas fez-se a espuma e das mãos-espalmadas fez-se o espanto.
de repente
da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a última chama e da paixão fez-se o entretenimento e do momento-imóvel fez-se o drama.
de repente
não mais que de repente. “

“estatuinha”
edú lobo
“ ... se a mão livre do negro
tocar na argila...
o que é que vai nascer?
... vai nascer pote pra gente beber
nasce panela pra gente comer
nasce casinha
nasce parede
nasce estatuinha bonita de se ver. “

“chegança”
edú lobo e vinícius de moraes
“ ... trazendo na chegança
gente-velha
mulhé-nova
e uma-quadra-de-esperança! “

nota: abaixo, integrais, as “três-coisas” que eu-acrescentei ao meu-preto nessas suas derradeiras-apresentações:
“mundo quadrado”
arnaldo saccomani
“ ... o meu canto vai falar
o que está pra acontecer
vou cantar, lutar, gritar
pro mundo-inteiro-saber
o jovem de tudo é culpado
até-mesmo de ter esta idade
culpa de haver no mundo
o perigo da radiatividade.
provar que tudo está errado
é o que estou tentando mostrar
mas quando vejo o passado
hiroshima me faz chorar.
é contra isso que eu grito
é contra isso que eu choro
parem com-tudo eu-lhes-peço
parem com-tudo eu-imploro !!!
do meu canto eu-sei vão-dizer
tomem com-ele cuidado !!!
mas esse é o nooosso-protesto
contra este mundo-quadrado !!!!!!! “

“guerra”
arnaldo saccomani
“ ... guerra, guerra, guerra,
palavra que encerra
dentro-de-mim
o mêdo-do-fim
fim-prá-matar
matar-pr’acabar
com tooodo o amor
com tooodo o calor
que ainda há no mundo
apesar-de-imundo
imundo-porque
fazem-você
chorar-do-que-vê!
paz, paz, paz,
eu-sei-não-há-mais
mas tento-esquecer
que vamos-morrer
morrer-muito- cedo
por-causa do mêdo!
por-causa de loucos
que eu-sei-não-são-poucos
que querem-assim
pra-todos-um-fim
por-meio da guerra
fazendo-varrer
da face-da-terra
tudo-que-existe!!!
meu deus vai-ser-triste!!! “

... e este foi o texto-final que escrevi em 26.9.68 e encerrava a apresentação:

“eu quero ser livre”
ivan josé

“ ... para quê pelo mundo-se-passa?
pra ver pobreza, dôr, traição,
pra sentir-a-falta-do-amor?
mundo é isso: sujeira!
negra-e-fétida-sujeira!
podridão e incompreensão
são-os-fortes-da-humanidade!
... que se-vive, se-vive
mas, pergunto:
iiisso é vida???
nossos pais nos puseram-no-mundo!
pensaram-eles nos mil-problemas-que-nos-arranjaram?
é-claro-que-não!!!
mundo-é-isso!!!
sempre-foi-sempre-será!!!
guerra, inveja, podridão!!!
podridão!!!
essa-é-a-palavra!!!
... então... em-meio e-tudo-isso...
nós-aparecemos!!!
... e vamos crescendo... crescendo...
(quase-sempre sóóó em-tamanho
porque a mente, messsmo,
mantem-se quadrada, fechada,
pensando-e-agindo-apenas
como-o-quer a digníssima-senhora-sociedade!!!
... mas que-sociedade é esta???
... poderei dizê-lo... ou... o senhor-aí vai me-prender???
... quer saber???
posso-sim!!!
mas, digo-o, porém, beeem-baixinho
para que eu não-possa-ofendê-la!!!
é perigoso-e-contra-producente ofender a socidade!!!
... mas ... não!!!!!!!
nããão é isso o que eu-penso!!!!!!!
eeeu??? eu queeero-ofendê-la siiimmm!!!!!!!!
atacá-la, pisoteá-la,
mostrar à ela o que nos-deu
e o-quê-nos-está-fazendo!!!!!!!
em-meio-a-ela nós-vivemos
e estes são os-preceitos que ela-nos-ensina:
odiai-vos uns-aos-outros!
matai-vos mutuamente!
há séculos é assim!
não queiram-mudar-me, agora!
não-ajuda o teu-irmão
pois ele nada-fez-por-ti!
ao contrário... explora-o,
mata-o se preciso-for!
se te querem-tirar a tua falsa-superioridade
destrói! destrói-sempre!!!!!!!
estas e outras-tantas regras-de-vivência
ela nos-ensina!
... e, então, acontece-isto:
uns-poucos (não-muitos!)
se-revoltam-contra-ela!
mas... quem-são-eles???????
estas centenas ou milhares
em-meio aos bilhõõôes-de-enquadrados na sociedade?
então... eles sofrem!!!!!!!
veem sonhos-morrerem como morreu jesus cristo
(ecce-uomo que deveria ser um símbolo-de-paz-e-amor-ao-próximo
mas que não conseguiu ficar-sendo, senão,
mais-uma personagem-mitológica,
só-nadíca, talvez, mais-importante
do que outras-tantas personagens históricas)!
... então ...
esses-revoltados
nada-veem-mais-na-vida-deles
e se-atiram à excessos:
os cabelos são enoormes,
as barbas longas,
a maconha,
as “bolinhas”,
prostituição,
carros-em-alta-velocidade,
... vidas-sem-sentido nem ideal!!!!!!!
(caráio, mano(a) ... copiando-este-texto aqui, agora, é que-eu-vi como me-descrevi-beeem em 1968) !!!!!!!
... e é-isto o que nos “dá” essa-porra-de-sociedade!!!
nesta sociedade devemos-viver!
vamos mantê-la e nutrí-la para que possa,
cada-vez-mais,
criar-suas-profundas-raízes,
levarmos à uma terceira-guerra-mundial,
destruir-nos, enfim!!!!!!!
é iiisto o que queremos!!!!!!!!

ééé isso-messsmo???????

pois vão tomar-no-cú, então!!!!!!!

porque “iiisso” é o que “vocês” querem!!!!!!!!

“ser-ou-não-ser”,
eis-a-questão!

vivam nessa sua-sociedade!!!
mooorram!!!!!!!

eu?
eu quero ser livre! “

... então ...
e foi aaaííí que a platéia-veio-abaixo
e os dois-putos vieram me-prender!!!!!!!!

e eu só-tinha 17 anos !!!

eros Iv

eros Iv
eros, “criador de toda a vida”, força-poderosa que não-tem-origem, porque é, em si-mesmo, o princípio-de-tudo !
o elemento que produz-e-une mortais e imortais !
sua genealogia perde-se na distância do infinito e do mistério !
na imensidão-do-universo que ele harmoniza-e-alimenta-com-a-vida !
só os filósofos atribuiram-lhe pais, porem tão-elevados que o eximem da poeira-da-matéria, das coisas que os homens, errôneamente, julgam valiosas !
platão menciona-o como “fruto-da-pobreza-e-do-recurso”, “filho-da-prudência” !
outros o fazem-nascer de júpiter e de vênus !
... mas todos-concordam em que a natureza-de-eros expressa, ao mesmo-tempo, uma forma, uma idéia, um sentimento !
os poetas cantam-no como “símbolo-impalpável-da-vida”, que “corre-no-sangue-dos-homens”, nas “linfas-da-terra”, na “harmonia-dos-astros”, no “vigor-dos-animais” e na “germinação-das-plantas”!
... não lhe atribuem pais (os poetas!) porque “a-vida-não-pode-ter-filiação-alguma” !
... associando-se aos poetas o pintor renascentista ticiano (scanner-acima) retratou os mais-belos-frutos-de-eros: uma “multidão-de-crianças” (pode-se, também, ler: “multidão-de-quiidas”) – muuui-alegre-festa da vida-humana !!!


eros III

eros III
... dentre os vários-relatos sobre as origens de eros, existe uma lenda que o-faz-nascer de vênus ! esta versão foi a que se tornou mais-popular e inspirou numerosos artistas barrocos e renascentistas, que retrataram a bela--deusa com o seu-pequeno-filho-alado !!!

eros II

eros II
... distanciando-se do primeiro-sentido de eros como "divindade organizadora do caos e criadora da vida", os artistas do renascimento preferiram tomar como tema de suas obras a figura-graciosa de cupido, o inconsciente deus do amor em que eros acabou por transmutar-se !

vênus e eros !

vênus e eros !
... por ordem de vênus, eros desceu à terra para para punir a formosa psiquê com um amor impossível ! entretanto, ao vislumbrar a extrema beleza da mortal, eros acabou ferindo-se com as suas próprias flechas !!!

... ainda o cupido !

... ainda o cupido !
o pintor italiano rafael imaginou toda uma oficina-mágica, no olimpo, onde hábil-artesão forjava as setas com que cupido (e seus numerosos-auxiliares!) alvejavam os corações dos deuses e mortais, causando ora-a-felicidade, ora-as-mágoas-do-amor !

prisão I

... mas nem rolou o debate, logo-depois!!!
... enquanto nós-ainda-tava-todos-chorando-demais-se-abraçando...
... enquanto eu olhava-pro-meu-abdias-e-pro-meu-adalberto lá-em-pés-na-platéia chorando-feito-bestas, berrando “bravo!!! bravo!!!!”
... eu vi aqueles-dois-branquelos-de-terno subindo no palco (na cara-dura, como se fossem “donos-do-mundo”)
... e entrando-na-coxia e me fazendo vigorosos-sinais pra eusinho-ivan-josé ir lá-falar-com-eles!!!
- ivan josé? correto?
- eu mesmo! por quê?
- o senhor está preso!!!
... yes!!! tomei um pusta-baque-fudido!!! sim!!!
- ... mesmo??? ... e por quê???
- por conduta anti-ditadura-militar!!!
... o adalberto, muuuito-apreensivo:
- ... que foi? ... o que acontece, aqui???
... meu-abdias... com cara-de-poucos-amigos:
- ... o que-que-tá-acontecendo-aqui???
... meu-décio, já-putíssimo:
- ... qui-qui cêis qué cu Ivan, seus porra???
- ... a gente-tamos “deteno-ele” pr’averiguações no dops!!!
... só que...
aí...
... já-juntô-mais-de-200-negão-com-cara-de-pitbull nos caras-de-terno-lá!!!
e eles-todos-meus-amigos, berraram (claro que estou falando em linguagem figurativa):
- qualéquié, seus-putu-du-caráio???
... aí...
- ... o senhor, seu ivan josé, tás-intimado pra comparecê na sedi du dopis na sigunda-fera, 14 hora, sobi-pena di ordi-di-prisão-preventiva!
... e... claro-que, logo depois, os dois-cusões se-escaferam-rapidinho-de-lá!!!
... aí???
aí eu-mais-meu-adalberto-mais-meu-abdias-mais-meu-décio voltamos-pro-palco e detonamos um debate-de-ficar-n’história-desse-país!!!

"sibila"

"sibila"
... pelos lábios da sibila os homens conheciam os desígnios do destino e esclareciam os mistérios do passado !!!

teatro anchieta! 5 minutos pras 21 horas! 12 DE MAIO DE 1968

... puxei-de-banda a cortina do palco e olhei a platéia (como sempre-fiz-e-faço, até-hoje) !
caráio, mano!!!
tinha-povo-sentado até nos corredor-lá!!!
... uma-pá-deles eu reconheci de ontem, eles-lá-do-capão-redondo!!!
tinham voltado-pra-quê??? pra decorá o texto???
o adalberto c’oa-esposa-dele e o abdias na primeira-fila!
... e eu tremia-mais-que-salgueiro-em-tempestade!!!
mais-muuuito-mais do que, até, antes da “sopa de pedra”!!!
... e eu-mais-meu-preto íamos-desvirginar-aquele-palco dentro de mais 5 minutos!!!
... entramos no palco!
a cortina do anchieta se abriu!
... e ele, o teatro anchieta, acabara-de-perder-seu-cabaço!!!

eros (ou quiidas, como prefiram): “o amor” !!!

eros (ou quiidas, como prefiram): “o amor” !!!
... tanto a figura como o caráter de eros sofreram profundas transformações através dos séculos. representado, primitivamente, por simples pedras, sem elaboração-alguma. em épocas-sucessivas o deus passou a ser retratado como um menino-alado-e-muuuito-travesso!!!

reestréia do meu-preto no centro-comunitário do capão redondo !

... não cheguei, propriamente, a “estourar” o bolso do abdias porque, na verdade, ele só teve que pagar por 17 malhas-de-ballet negras (de corpo-inteiro) e mais-uns-tantos-e-tantos metros de madeira e pregos e coisinhas-tais!
... agora, nós-17 vestíamos essas negras-malhas-collants em cena e saíamos-entrávamos d’umas enormes caixas-de-madeira-o-tempo-todo!!!
... o espetáculo rolou num profundo-silêncio-abissal entre aquele-povo d’umas 400-ou-mais-pessoas!
... no final aquele-teto-veio-abaixo de tanto-calor-aplauso!!!
... e nós-17-choramos-pra-caralho!!!
... aí o adalberto e o abdias subiram no palco e me abraçaram eu-chorei-mais-ainda!!!
e aí... rolou um debate-que-tocou-fogo-em-tooodos-aqueles-meus-irmãos!!!!!!!

a "noite"

a "noite"
... concebidas como forças-cosmogônicas-abstratas, seeem-participação na vida dos homens, as divindades-primordias nããão-foram muito representadas nas artes grego e romana. Michelangelo, entretanto, na renascença, atribuiu formas-humana à "noite" (acima-representada) e ao "dia"!

... tarde seguinte !

... então...
o adalberto pagou a conta com cheque-dele!
e deve ter sido cara porque só-eu comi camarão à newburg e pudim com cobertura décupla e eu-mais-dalmo bebemos-cervejas-pacaralho!
aí... eles-três me-levaram pra minha-casa!
aí... eu cheguei-lá, beijei-no-rosto-eles-três e entrei e grudei-no-telefone e o primeiro que eu liguei já-fui-dizendo-berrado:
- dééécio???
- ... fala! que foi???
- ... nada!!! ... é só pra-ti-falá que o preto-de-costas voltou!!!
aí... tarde-seguinte... 17 dos 18 já tavam na minha-casa (porque só a Marina tinha-se-mudado pro Guarujá e me-falou-que-não-podia)!
e nós-17 eu mandei falar o texto e fiquei-encantado porque ninguém, ainda, tinha-se-esquecido de nem-uma-única-vírgula-que-fosse!
(e a Marina só fazia-coro-mesmo!!! deixa-pra-lá!)
... er’assim o roteiro-original (na ordem) do “preto”:
1. “despede-se o autor” – gregório de mattos guerra
2. “à maria efigênia” – alvarenga peixoto
3. “se eu morresse amanhã” – álvares de azevedo
4. “cântico do calvário” – fagundes varela
5. “sonêto” – francisco otaviano
6. “canção do exílio” – gonçalves dias
7. “meus oito anos” – casimiro de abreu
8. “navio negreiro” – castro alves
9. “língua portuguêsa” – olavo bilac
10. “nel mezzo del camim” – olavo bilac
11. “pequenino morto” – vicente de carvalho
12. “mal secreto” – raimundo correia
13. “o assinalado” – cruz e souza
14. “ismália” – alphonsus de guimarães
15. “legenda dos dias” – raul de leoni
16. “balada da chuva” – araújo jorge
17. “a rua” – cassiano ricardo
18. “canto dos palmares” – solano trindade
19. “brinquedo” – oswaldo de andrade (porque “ele” odiaaaaaaavaaaaaa-ser-chamado de oswald... e eu-já-respeitava-isso, obviamente!)
20. “canção” – cecília meireles
21. “profundamente” – manuel bandeira
22. “sonêto da separação” – vinícius de moraes
23. “estatuinha” – edú lobo
24. “chegança” – edú lobo e vinícius de moraes
... o que eu já-acrescentei nessa mesma tarde:
a) “mundo quadrado” – arnaldo saccomani
(antes do “soneto da separação” do vinícius)
b) “guerra” – arnaldo saccomani
(antes do “chegança” do edú e do vinícius)
c) um novo-texto-meu chamado "eu quero ser livre" que iria fechar o espetáculo!

paulo mendonça !!!!!!!

... e ainda não-lhes-disse que o exmo. dr. paulo mendonça, meu professor de história do teatro na ead, me-falava-assim:
- o grego é o novo! o "resto" são simples-adendos ou copilações!

brincando-de-aprender-mais !!!

... e que tal lhes parece se, a partir daqui, eu-for acrescentando-aqui-ao-meu-blog umas tantas-e-tantas “informações-ilustradas” pra que se entenda-melhor-se-saiba como, afinal, o ser-humano teve a “necessidade-psicológica” de criar-e-manter-vivo o “t-e-a-t-r-o” (tal qual o entendemos-hoje?) ???
descrição da fotinho-abaixo:
“ ... das máximas funções da vida brotaram os mitos.
e da mulher-que-gera surgiu o conceito da “deusa-mãe”, amparo-benigno et perpétuo!!!”

a deusa-mãe

a deusa-mãe

gigetto, quarto e, agora, juro-que o último-mesmo-sim!!!

... ENTÃO...
E COMO, agora, já faiz tanto-tempo que vocês leram, lá-embaixo, o capítulo
“gigetto, terceiro e último” (ONDE, ALIÁS, MENTI-QUE-SERIA-O-ÚLTIMO...)
... QUE TAL REFRESCARMOS NOSSAS-MEMÓRIAS ANTES DOS NOVOS-FATOS, AQUI?
ENTÃO.... COMO É CURTINHO-MESMO... TRANSCRIÇÃO INTEGRAL DO CAPÍTULO-ABAIXO:
... e saí correndo da mesa!
... e entrei no banheiro e juro que nem sei se foi no masculino ou no feminino!
... e entrei no reservado e tranquei a porta e sentei no vaso e arranquei meu blusão e tentei limpar meus-ranho e enchugar minhas-lágrimas e não adiantava e atirei a merda-do-blusão no chão e comecei a uivar-feito-animal-ferido e comecei a chutar-a-porta e...
... e foi pu’reu chutar-chutar-muuuito que demorei pra perceber que tavam batendo-forte-fortaço-nela pelo lado de fora!!!
... mais assim que eu, finalmente, parei de chutar
foi mais uns 2 ou 3 “tum-tum” bem-fortes-demais e pararam de bater e ele berrou-lá-de-fora:
- abre essa merda ou então eu arrombo!!!!!!!
... o que eu fiz?
abri!
... e pulei em cima do meu-Dalmo-lindo-amigão!!!
... e foi sem-camisa,
o blusão na mão esquerda arrastando no chão do gigetto,
eu sem chorar,
olhos-vermelhos mas rosto-lavado,
sem ranho no nariz,
o dalmo me abraçando pelo ombro...
... que eu voltei pro salão e fiz, antes de mais nada, 4 coisas, nessa ordem:
1. pedi desculpa pro meia-meia!
2. apertei a mão do abdias e falei: fechado!
3. apertei a mão do adalberto e falei: fechado!
4. ... e recomecei a chorar!
de novo!
... relembraram, então?
então... é a partir daqui que recomeço-a-contar esta história pra vocês:
... abdias e adalberto pediram e beberam uns dez-cafés!
dalmo e eu cervejas (ainda que ele-me-servindo-as-com parcimônia, claro)!
o meia nos serviu ao mesmo-tempo em que cumpria as suas obrigações!
... e foi só-lá pelas 19h, quando o primeiro freguês entrou pra jantar, que eu pedi minha sobremesa: pudim-de-leite-com-cobertura-décupla-de-chantilly!
o que ficara resolvido e eu-descobrira até aqui?
coisas-demais eu diria:
1. ... embora eu houvesse começado o papo em ponto-morto sobre as “eventuais-mudanças” que eu iria introduzir no meu “preto” pra atender-às-expectativas-deles e de eu-próprio... terminei em quinta-marcha (isso quando nenhum-carro brasileiro possuía uma quinta-marcha à ser engrenada, ainda)!!!
2. ... passei a amar-respeitar-o-dalmo-mais-ainda!!!
3. ... descobri-e-me-embeveci-e-me-apaixonei-e-me-comovi-e-aprendi-pacaralho-mais “apenas-convivendo” com um homem-do-porte-e-inteligência-superior-do-meu-novo-amigo dr. adalberto camargo !
4. ... passei a idolatrar-respeitar-amar-um-cara: o abdias do nascimento !!!

Ivan José (fragmento de notícia que restou)

Ivan José (fragmento de notícia que restou)

primeira página do "pablo, o índio"

primeira página do "pablo, o índio"

última página do "pablo..."

última página do "pablo..."

falta

... dentre os muitos “cartõesinhos” Que o pucca me deu faltam-alguns da totalidade dos que íam ao ar, diariamente !
... mas são apenas 3 os que eu queria muito-ter... mas não-tenho porque ele jamais-me-deu!!!
mas quero-vou deixar aqui registrado o que se lia neles:
1. chamú – georges ohnet
2. direção – hernê lebon
3. direção geral – júlio gouveia
nota: não estranhem as "duas-lupitas" aí-abaixo, tá?
... é que a adélia substituiu a bia quando ela ficou doente! só isso!















overtures

... hoje, quando você liga num canal-qualquer pra ver uma novela-qualquer, minutos depois de você-rever os instantes-finais do último-passado, entram aqueles vídeoclips com a música-tema tocando-de-fundo! certo?
... em 1961 já era quase-assim mas era-assim:
1. você só começava a rever os instantes-finais do último-capítulo depois de um minuto do capítulo-novo-começar!
2. tinha música-tema-já-sim! a do “pablo, o índio” eu-não-lembro-do-nome e nem-de-quem-era mais mas quem se lembrar deve se recordar que era-linda, sim!
(depois de muitos-capítulos, pra lá-já-do-meio da novela, a tatiana decidiu-inventar que ela (a-música-e-não-a-tatiana, claro! rssss...) ía ter-letra e, aí, a personagem “lupita” (já, então, interpretada pela adélia victória), de-repente-entrava-acompanhadada-d’um violonista pela “tienda de raya” adentro e cantava, em espanhol, pro miguel-garcia-felipe-wagner e pro-pablo-ivan-josé, assim:
“er’una vez um caballero que tenia un rico sombrero...”
(e não me lembro-mais do resto da letra)
3. em todos os estúdios havia (de madeira) um grande porta-partituras (igual a esses-que-tem-nas-orquestras) onde o contra-regra punha uns “cartõesinhos” e, enquanto a música-tema tocava no suite (o salathiel coelho, claro, tocando-a num disco 78 rotações!) esse contra-regra ía tirando, um-a-um, os cartõesinhos e você ía-os vendo-lendo na tua casa!
NOTA I = quem me deu esses "cartõesinhos" foi o pucca, assim que terminou o último-capítulo do "Pablo..."!
NOTA II = ... em -seguida o salathiel entrou no estúdio com um 78 debaixo do braço-dele e me-deu ele de presente, também!
- ... qué-issu???
- ... disco! se não-me-falha-a-memória!
- ... disco do quê???
- ... lembra aquele último-pensamento do pablo que a-gente-gravou semana passada? taí! nesse disco!
... e eu desandei a chorar de novo!!!
NOTA III = minha última-vitrola se-quebrou há alguns anos-atrás!
... mas... por mais-incrível que possa parecer à alguns eu ainda-sei-de-cor exatamente o que eu-pablo "pensamos" nesse disco... e é-assim:
" - Miguel! como ele estava diferente! fiquei com mêdo dele! e todos... juanito... pedro... que rostos terríveis!!! ... por quê é preciso lutar assim? ... por quê é preciso que os homens se matem? por quê eles se odeiam assim, eles que nunca se viram antes? os peones, os índios, eles tem de lutar! eles lutam pela liberdade! pelo povo do méxico! mas os outros, os soldados... por quê eles se deixam matar? por causa de quê? por causa de quem? os soldados também são filhos de peones! os pais deles também são índios! ... como o meu! "
... aí... esse "pensamento" o pablo-eu-pensamos no capítulo-seguinte àquele em que o chamú, meu-pai, interpretado-lindamente pelo georges ohnet, acabara de ser assassinado por um grupo de soldados do governo!
... e, aí, nós-dois, o pablo e o ivan josé juntos, continuávamos pensando-assim e chorando-nós-dois-juntos:
" - ... meu pai... pobre do meu pai... ele não era inimigo de ninguém... ele não tinha raiva de ninguém... e eles... ... ... não, eu não vou chorar agora - (mas eu- já-tava em prantos, sim!) - ... miguel disse que, Chamú, meu pai... e nino... e os outros não morreram! que eles continuam-vivos no coração de todos-nós! ... meu-pai não queria-lutar, ele não reconhecia a luta! ... mas, agora... agora o meu povo vai, certamente, encontrar a vitória!!! "
... e cai-o-pano!!!

UM PEQUENO BREAK... ou... AS MINHAS 3 ESTRÉIAS-REAIS !!!

... me vejo obrigado a dar, aqui, esta pequena-necessária-pausa para lhes contar o que me aconteceu hoje (terça-feira de carnaval) assim que eu acordei!
foi assim:
... despertei com um jogral-de-latidos do Mike (meu akita-inú) me lambendo enquanto o Pitokinho (meu vira-latinha-preto) apenas-latindo-aquele-latido-irritante-alto-agudíssimo-dele que me diziam:
- levantaí! já são 14 horas e 15 minutos e você inda tá dormindo? a gente-nós-dois tamo-zaradu-di-fomi, porra!
... quando já me dispunha a levantar pra satisfazer-lhes os rogos-mui-justos... eis-que me vem à mente:
- ... ainda que sem-pensar você contou uma tremenda-mentira pra-quem-te-lê-aqui!
- ... que mentira???
- você afirmou que estreou fazendo o pablo!
- ... e claro que foi!!!
- ... e claro que nããão foi!!! ... você estreou num domingo-de-carnaval... lembra???
- ... ... ... ah... é, né???
domingo-de-carnaval de 1961
(não lembro do dia mas basta, quem quiser, ver numa folhinha-de-61 e comparar com o quadro-de-programação da tupi nessa data)!
16 horas!
estudio 2 - TV Tupí – canal 4 – bairro do sumaré – são paulo – sp
texto: “a sopa de pedra”
autor: tatiana belinky (“a sopa...” é, na verdade, uma peça de teatro que a própria tatiana adaptou dela-mesma pra tv)
direção: júlio gouveia
elenco: hernê lebon, georges ohnet, paulo basco e ivan josé
pronto!
agora já-contei!
... foi essa, na verdade, e não 0 já-estelar-pablito, a minha-verdadeira estréia como ator de televisão!
e eu tremia-taaanto que achei que eu fôsse-desmaiar antes de dar o meu primeiro-passo na frente-d’uma-câmera-de-televisão-ligada-pra-todo-o-mundo-me-ver!!!
... mas aí correu-tudo às mil-maravilhas e tooodo-mundo veio me beijar-abraçar-e-eu-chorei-de-alívio-prazer-e-tuuudo-mais!!!
... aííí... o júlio chegou-ni-mim e disse assim:
- ivan... sabe que há, no mundo-do-teatro...
(eu-adorava-ouvir-ele-contar-histórias-deste-qu’eu-tinha-nascido!!!!
... e, agora, ele ía me-contar-aquela-nova.... só-pra-mim???????)
- ... conta!!!
- ... bom... era uma vez... um menino muuuito-pequeno e muuuito-magrinho... que afirmava com toooda-a-convicção-d0-mundo-e-pra-quem-quisesse-ouvir-e-mesmo-pra-quem-não-quisesse-ouvir que queria-ser-um-graaande-ator!
- ... eeeu???
- ... é! você-mesmo!!!
- ... e depois???
- ... aí... um dia... um homem-sábio-e-bonzinho chegou pra ele...
- ... você???
- ... isso, eu-mesmo!!!
- ... e depois???
- ... chegou pra esse menininho-lindo e disse assim: sabia, meu caro sr. ivan josé, aspirante-a-grande-ator...
- ... eeeuuu???????
- ... é, você!!! ... sabia que no mundo-encantado-do-teatro há uma antiga-lenda que diz que: “nenhum ator-jamais-será-um-verdadeiro-grande-ator se jamais tiver entregue, antes, uma simples-carta em cena” ???
aí... uns dois-três-dias-depois, quem tava-em-casa-de-televisão-ligada assistindo à um dos últimos-emocionantes-capítulos-da-novela “serelepe” (na tupi, evidentemente!) ouviu uma cena ser-interrompida porque bateram na porta do cenário-lá-onde-eles-tavam-fazendo-aquela-cena!
aí... a edy cerri
(usando uma daquelas roupinhas-vaporosas que ela usava pra interpretar a serelepe e que eu lembro que era amarela-beeem-clarinha e que-eu-achei-linda!)
vinha... abria a porta...
... e o minúsculo-grande-ator-ivan-josé estendia a sua-minúscula-mãosinha-direita e, mudo-calado, punha um envelope c’uma carta na mão dela!
aí... a serelepe virava pro mensageiro-eu e falava qualquer-coisa-tipo-assim:
- ahhh, sim! muito obrigada! pode ir! está entregue!
só que aííí... ela já ía fechand’a-porta-na-minha-cara quando percebia qu’iu mulequinhu não arredava pé-dali-daquela-porta-aberta-pras-câmeras-ligadas-e-pro-mundo-todo-continuar-vendo-ele-ali-parado-mudo-naquela-porta!
... e ela-me-dizia qualquer-coisa-tipo-assim:
- ... mais alguma coisa???
... e aaaííí...
eu falava assim pra serelepe-edy-cerri:
- um agradinho pro mensageiro! eu corri! há bom-correr! e olhe que é longe!
... logo...
cqda (como-queríamos-demonstrar-aqui) ...
foi somente na 3a. vez em que uma câmera de televisão “se ligou” na minha frente pra me-mandar-voando-pelos-ares-pra-tua-casa qu’iu ivan josé já tava-de-peruca, faixa-na-testa, roupa-em-frangalhos e começando-a-encarnar o “pequeno-grande-pablo-da-televisão"!!!

pega-fogo !!!

pega-fogo !!!
minha-cá-pega-fogo ou "o-travesti-mais-perfeito-do-universo" que conseguia, até, ficar "sem-tetas" mesmo as tendo e sem-fazer-operação-plástica!!!!!!!

"a visita da velha senhora", friedrich durenmatt

"a visita da velha senhora", friedrich durenmatt
... e existem mãos-iguais-tão-expressivas? ... sim!!! vi-duas: lélia e cacilda! e, felizmente-pra-mim, mãos-que-me-acariciaram-mil-vezes !

"cleópatra"

"cleópatra"
cleópatra... nossas-maquiagens-idênticas e feitas-pelas-mesmas-mãos (as dela, claro) !

enterro da cá!

enterro da cá!
cemitério do araçá - 1969 - ... o zimba (de óculos, a esquerda)... o cuca, ajoelhado, abraçado pela cleyde, direita... e não ! não brinca d'onde-está-wally e não tenta me achar nessa-foto-qu'eu não-queria-qu'ixistisse ! claro qu'eu não-tô nessa-foto ! ... por quê? ... porque eu não vou ver-morto quem eu-amo ! por isso !!!

"esperando godot"

"esperando godot"
... o personagem-maldito ! ... a cá poucos-dias-antes-do-seu-último ato ! ... "quem-se-atreve a fazê-lo morre", narra antiga-lenda-do-teatro ! ... ela fez! e morreu ! mas todos-morremos-um-dia ! né ???

cuca ! que-triste !!!

cuca ! que-triste !!!
... não quero comentar nada-sobre-isso ! apenas leiam !!!

meus-amigos cá-e-hilton !!!

meus-amigos cá-e-hilton !!!
... a cá entrevistada pelo hilton viana no programa de tv dele-ond'eu-também-fui-entrevistado-antes (nas oficinas dos "diários associados") - 26.05.1967 - sp

dops

dops
... trajando um legítimo dior cacilda prestou depoimento no dops (departamento de ordem e política social), em sindicância que apurava "infiltrações-comunistas-no-brasil-nos-meios-teatrais-paulistanos" !!!

cá, fió e cuca... meus 3-amigos

cá, fió e cuca... meus 3-amigos
cá, o cão fió (bonzinho-comigo-pelo-menos) e o cuca mais-ou-menos-só-um-ano-mais-velho do que eu quando quebramos tooodas as lâmpadas do tcb !!! - apartamento-de-cobertura-dela da paulista - 1964

lé e cá !!!

lé e cá !!!
mas antão... diss'eu-sempre-soube: meu destino já nasceu mais-qui-traçado!!! lélia abramo e cacilda becker dividem o palco no espetáculo "raízes" - 1961 (o mesmo-ano em que o ivan josé nascia como "o-melhor-ator-infantil-do-brasil" !!! ... eu na tv tupi... e elas-duas no tbc) !!!

minhas-amigas cá e klé !!!

minhas-amigas cá e klé !!!
cá e kleber macedo (que não era negona) em "moeda corrente do país" - tbc - 1960

o cuca-meu-amigão !!!

o cuca-meu-amigão !!!
o cuca, cleyde e a cacilda no natal de 1957 !

tônia e cá !

tônia e cá !
cacilda maquia tônia carrero, nos estúdios da vera cruz, durante filmagem de "tico-tico no fubá" - 1951 - são paulo - sp... donde vemos que a minh'amiga já adorava maquiar-seus-amigos-astros no ano em que eu apenas-estava-nascendo !

caricatura

caricatura
caricatura de cacilda como "pega-fogo" feita por darcy pentedo - 1951

"arsênico e alfazema" - 1952 - tbc

"arsênico e alfazema" - 1952 - tbc
foto-escura, sei... cacilda, madalena nicol, milton moraes e célia biar (desconheço de quem-sejam-as-mãos que a tentam-estrangular)!!!

desembarque !

desembarque !
o desembarque dos "comediantes" na estação roosevelt (esquerda pra direita, atrás): ziembinsky, tito fleury, virgínia vanny, miroel silveira e orlando guy; à frente: josef guerreiro, iara izabel, cacilda, alzira becker, jackson de souza e olinto marconi - 24.02.1947 - são paulo - sp

cacilda-bailarina! 8 anos! 1930 - pirassunuinga - são paulo - sp

cacilda-bailarina! 8 anos! 1930 - pirassunuinga - são paulo - sp

dirce, cacilda, cleyde! em frente à casa da rua caconde, jardim paulista - 30.08.1928 - sampa - sp

dirce, cacilda, cleyde! em frente à casa da rua caconde, jardim paulista - 30.08.1928 - sampa - sp

casamento de alzira becker e edmundo yáconis - 11.04.1920 - pirassununga - sp

casamento de alzira becker e edmundo yáconis - 11.04.1920 - pirassununga - sp
... a fotinho da Cá, abaixo, é dela niña em pirassununga, interior de são paulo, onde ela nasceu !

cacilda-menina

cacilda-menina
acima... vamos fazer-de-conta qu'eu virô carnavalesco-do-salguero e decido homenagear minha-miga cacilda becker com o enrêdo: " cacilda becker, a glória-d'um país-desmemoriado ! "

a ruth-sem-cabeça e fernando arrabal

a ruth-sem-cabeça e fernando arrabal
... e não-fui-quem guilhotinou-a ! esta foto já me-chegou assim, tá ? ... e, como deverão alguns-saber, arrabal jamais-foi o que se possa-chamar de "alguém-que-desse-bola-pra-coisas-de-somenos"... assim, transcrevo-lhes o que o "desatencioso-grande-dramaturgo" escreveu pra rú com caneta-preta-sobre-fundo-negro: " para ruth escobar, quijote de la scena de hoy, que crea con su talento loco y su melancolia genial el mejor teatro de hoy. arrabal "

o zé e o rubens

o zé e o rubens
sendo zé o semi-nú-de-cima e rubens o semi-nú-de-baixo a rastejar-lhe aos pés ! ... mas eu só ficaria amigo do rubens anos depois, quando ele fazia "o beijo da mulher aranha" aqui em sampa, no ruth escobar! ... e o zé eu nunca conheci pessoalmente!

"o arquiteto e o imperador da assíria", de fernando arrabal

"o arquiteto e o imperador da assíria", de fernando arrabal
foto da primeira (no brasil!) e original montagem desse texto-arrebatador e fortíssimo, estreado no teatro ipanema (rio de janeiro - 1970), com rubens corrêa (como o imperador) e o josé wilker (arquiteto) ! genial e pra-lá-de-ousada direção do ivan de albuquerque (que também era o autor da tradução em parceria com a leila ribeiro) ! assisti o espetáculo umas quatro vezes quando de sua temporada em São Paulo, no teatro bela vista !

pg. 590

pg. 590
pg. 590 do livro "cacilda becker, fúria santa", do já abaixo citado luís andré do prado !

respectivamente, pgs. 120 e 138 do livro "de noite tem...", de mauro gianfrancesco e eurico neiva

respectivamente, pgs. 120 e 138 do livro "de noite tem...", de mauro gianfrancesco e eurico neiva

assis chateaubriand

assis chateaubriand
... o homem que fazia até-mesmo os presidentes tremerem !!!

mário pamponet junior

mário pamponet junior
... que, hoje, eu tenho a honra e felicidade de ter por-meu-amigo na "minha-casinha-do-orkut" em foto tirada em 1955 (ele camera-man da tv tupi - canal 3, ainda! como podem ver na camisa dele) !



mon ami, monsieur jean genet !!!

mon ami, monsieur jean genet !!!
... aí a dona Marília (mãe-da-ruth) nos falou assim:
- ora-pois! bamos-bamos lá pra casa qu’ia ruthinha vai riciber u homem-lá i convidou-os à la-ir, ora pois!!!
... e lá fomos-nós!!!
eu, fausto, rosa, ceminha... sei-lá-mais-quem!!!
... todos “aboletados” no meu fusquinha-cor-di-binhu lá fomo-nós pra casona-da-ruth no pacaembú!!!
... quando bateram essa foto eu tava comendo-macarronada-com-molho-de-tomate-só e me embebedando com o vinho-forte que a mãe-da-ruth nos servia aos borbotões!!!
... aí ... já eram umas 3-da-madrugada... eu-lembro que tocou o telefone e a ruth foi atender e era de brasília e era-mais-problema e a ruth começou a armar-um-barraco!!!
aí... monsieur Jean genet ficou sozinho e armou-a-maior-cara de cachorrinho-sem-dono-desmamado!!!
aí... eu me sentei do lado-dele e começamos a levar-papo num afrancesado-português meu-dele de meter-mêdo... mas que rendeu um belo-papo-meio-sem-pé-nem-cabeça !
pois é!
ficamos-amigos!!!
... ou "quase-isso" !!!

victor garcia

victor garcia
diretor de "cemitério de automóveis" e "o balcão" ! ... de quem eu me tornei-amigo-até-certo-ponto em chez-ruth escobar !!!

rua dos ingleses, 134

rua dos ingleses, 134
... interior do "teatro" que a dona ruth fez-surgir-do-nada pra apresentar, lá, o seu "cemitério de automóveis" ! ... se o aero-willys detonado, ao fundo, era o-meu-que-eu-já-vendera? sei-que-não porque esse era branco (talvez fosse-o-que-foi da cleyde ! sabe-se lá) !

reunião da classe-teatral pra defender a repressão à roda-viva !!!

reunião da classe-teatral pra defender a repressão à roda-viva !!!
na foto, esquerda-pra-direita: henrique césar (meu-migão e marido da riva nimitz) - ruth escobar (reunião realizada no teatro-dela, sala gil vicente, onde rolava o "roda...") - fernando torres (meio-escondido-atrás-da-ruth!) - sandro polônio (marido da maria della costa e um produtor quase-igual-à-ruth) - um-bigodudo que nem vale a pena citar o nome e etty frazer, a sempre-presente !!!

la salle de classe !!!

la salle de classe !!!
sampa - sp - made in brazil - repressão-e-tortura - 1968

ednei - ruth - fúlvio

ednei - ruth - fúlvio
meus-amigos ednei giovenasi (que também era dentista e tentou consertar a eterna-falha do meu dente-da-frente... sem sucesso!!!) ... a ruth ... e o fúlvio stephanini que jamaaais-conseguiu me convencer a fazer um único comercial que fôsse e por mais labriosamente que tentasse isso, por anos e anos a fio !!!!!!!

o antigo teatro ruth escobar !!!

o antigo teatro ruth escobar !!!
a antiga-e-bela-fachada do teatro ruth escobar aonde eu-fiz a "missa leiga" e mais-um-montão de espetáculos e aonde "aconteceram" balcões, viagens, rodas-vivas... etc, etc, etc !!!

excerto

excerto
excerto da página 49 do livro "teatro ruth escobar - 20 anos de resistência", de autoria do rofran fernandes

teatro popular nacional

teatro popular nacional
na fotona (bem ruinzinha, sei!), da esquerda-pra-direita: ary toledo (que trabalhou comigo, que eu-adorava-quando ele-apenas-comia-gilete) - edgard franco - ivonete vieira - ricardo de lucca - fauzi arap (meu-amigo-queridíssimo ! ) - walmir pereira cardoso - ruth escobar - zéluis pinho (já falei-dele na "tia mame") - cláudio mamberti (a simpatia-em-pessoa ! ) - antero de oliveira - nilda maria (adorava contracenar-com-ela ! ) - alvim barbosa e clóvis bueno

a ruth

a ruth
... atriz-excepcional, produtora, dona-de-teatro, batalhadora-revolucionária, política... etc, etc, etc !!!

ai-5

ai-5
ai-5 ... ou ... o abominável "ato institucional de número-cinco", de funesta-memória !!!!!!!

congresso de ibiúna !!!

congresso de ibiúna !!!
... essa fotinho aí-em-cima eu não vi sendo tirada ! porque eu não estava lá quando tiraram ! ... mas o fausto brunini (que eu vou conhecer e vai se tornar meu-melhor-novo-amigo mas só em fins de 71)... ele viu, sim !!! por quê ??? porque ele tava lá, né ??? ... porque ele foi um dos 720 que foram presos nesse dia !!!

edson luís de lima souto !

edson luís de lima souto !
... o meu-amigo (que não vou contar-aqui quem é porque ele ainda tá bem-vivo (felizmente-pra-nós-dois!) mas tem o inconveniente de ser "famoso" (infelizmente-pra-nós-dois que nem podemos sentar num restaurante pra jantar e depois-ficar, calmamente, bebendo cerveja e jogando-papo-fora !)), me-ligou do rio de janeiro e me-disse assim:
- mataram ele!!!
... daí eu disse assim:
- ... ele quem?
- o ed ! (respondeu ele)
- ... que ed ? (interroguei-o eu)
- o edson, caralho !!!
- ... que edson ???
- o edson, cacete ! os filhos-das-puta mataram o meu-amigo, porra !!!!!!!
ele se chamava edson luís de lima souto !
tinha 17 anos !!!
só unzinho-a-mais que eu e o meu amigo (isso em 1968, claro)
... na noite-desse-dia 28 de março me deu-a-loka e eu inventei um personagem-novo pra mim:
botei um óculos-escuro-enorme apoiado no meu nariz, roubei um dos ternos-do-meu-pai, meti um chapéu que tinha-sido do meu avô na minha cabeça (não sem, antes, prender meus enormes-cabelos-todos-pra-cima gastando uma caixa dos grampos-de-cabelo da minha mãe), me olhei no espelho e me-falei assim:
- é isso aí, ivan josé! fé-em-deus e pé-na-tábua, como dizia o ademar de barros!
... aí saí, peguei um taxi, mandei tocar pra rodoviária, ele foi, paguei o taxi, entrei na rodoviária, entrei num bar e pedi uma pinga-só-pra-testar-meu-personagem e passei-no-teste, virei d’um-gole-pra-tomá-coragem, fui-e-encostei no guichê do expresso brasileiro e, empostando-a-voz e falando o-mais-grosso-autoritário-que-eu-conseguia, eu disse assim:
- me dá uma passagem pro rio de janeiro! no próximo onibus aí! e é urgente! rápido! vai!!!
como sóóó tinha passagem pra um onibus que saía uns 30 minutos depois-disso fui num telefone-público que tinha lá e liguei pro meu-amigo, a cobrar, lógico, lá no apartamento-de-copacabana-dele-no-rio !
- caráio ! você me achou aqui de sorte ! já tô saindo pro velório do ed !
- tá saindo porra-nenhuma ! tava-saindo ! ... daqui 6 horas e meia, em ponto, me espera na rodoviária-aí que eu to saindo da daqui ! entendeu ???
- tendi ! tá !!!
... quando eu desci do ônibus meu-amigo é óbvio que tava-me-esperando-lá !
pegamos um taxi e fomos pro velório do edson-amigo-dele !
... quando nós chegamos lá e paramos do lado do corpo no meio daquela montoeira de gente ele foi-logo me apresentando pro amigo-morto-dele-assim:
- ... ae, maninho ? ... ó... s’aqui é o ivan josé ! ... aquele-ator que cê viu um monte-di-vez na tv e eu ti-falava-deli ... e você duvidava-d’eu-qu’eli-fossi-meu-amigo-mesmo-di-verdade !!! ... viu ??? ... eli t’aqui, ó !!! ... veio lá di sampa só pra ti vê... você-morto-aí ... nessa porra-di-bosta-desssi-caxão-pavoroso-aí !!!
... e aí
... a imagem-do-edson-morto-lá nunca mais saiu-da-porra-da-minha-cabeça !!!!!!!

homenagem !!!

homenagem !!!
foi lindo (no aspecto político) e dolorosamente-pavoroso (no humano) !!! ... e bestialment'emocionante !!! eu sei, meninos, eu vi !!!!!!!

velório do josé

velório do josé
... quem está dentro do caixão, obviamente, é ele, o josé guimarães! foi na rua pedro taques! ... como eu sei isso? ... logicamente porque eu tava lá, né?

josé guimarães - rua maria antonia - são paulo - sp - num paiselho chamado brasil

josé guimarães - rua maria antonia - são paulo - sp - num paiselho chamado brasil
... lembro que foi num dia 3 de 1968 (mas não lembro o mês) e sei que foi às 3 de tarde porque eu estava lá! ouço e vejo um tiro ser disparado do telhado do mackenzie, a minha frente! ... esse tiro atinge a cabeça (há uns 20 metros distante de mim) de um cara que, só bem mais tarde, eu soube que se chamava josé guimarães! eu, apavorado, vejo o sangue esguichar da sua cabeça e, rápido, lhe empapar a calça e a camisa enquanto o corpo desse-rapaz, de 20 anos, parece que em camera-lenta-no-meu-cérebro-aturdido-e-violentado... cai no chão! uns caras d'um carro de reportagem (acho que do estadão) correm e tentam ajudá-lo! ... eu olho, de novo, pro telhado do mackenzie e penso: "o próximo vai acertar em mim"! me abaixo e fico agachado! ... mas, logo... uns caras passam quase por cima de mim carregando o corpo do rapaz de 20 que se chama josé... e aí... não-sei-como mas "eu sei que ele já tá morto"... e depois... não sei por quê... eu passo meu dedo no chão... e fico olhando-pro-meu-dedo um tempo-enorme... vendo aquele sangue-ainda-vermelho-e-meio-quente do carinha que se chamava josé escorrer por ele e voltar pro chão !!!

geraldo vandré - teatro record - sampa - sp

geraldo vandré - teatro record - sampa - sp
... pra que ninguém aí me acuse de não contar que também haviam flôres em 1968 !!!

"roda-viva", de chico buarque de holanda

"roda-viva", de chico buarque de holanda
... na noite de 17 de julho de 1968 membros do abominável CCC (comando de caça aos comunistas - composto especialmente por filhinhos-de-papai que estudavam na "boite" chamada de Colégio mackenzie) invadiram os camarins do teatro ruth escobar (sala gil vicente) e os-meus-colegas-atores marília pêra e rodrigo santiago (que tinha trabalhado em "camila" junto comigo) foram "apanhados" e levados, nús, pra rua defronte ao teatro! ... onde, obviamente, foram barbaramente espancados por aquela corja de vagabundos !!!

garrincha !!!

garrincha !!!
... o mané garrincha que, bebedo feito uma vaca, me foi apresentado pela minha-migona elis regina quando fomos tomar café no bar da esquina da brigadeiro, ao lado do teatro bandeirantes, uma meia-hora antes de eu assistir "são paulo s/a" pela décima vez, show do césar (camargo mariano e primo do fausto brunini) que ela não fazia e onde era assistente de direção do meu-migão oswaldo mendes, o diretor! aí... uma zinha-fã que reconheceu-ela entrou correndo e já foi tirando caneta-e-papelzinho da bolsa e já foi gritando: - "me dá um autóóógrafo, dona elis???" - ... ao que a minha-elis só olhou assim pra zinha daquele-jeito-dela-de-fritar-pessoas-em-óleo-fervente-só-no-olhar e já foi dizendo: - "tá doida, tá, minha santa??? to eu aqui mais o ivan ao lado do mané garrincha... e você vem pedir autógrafo pra miiim, seu animal? pede o autógrafo-dele, né, burrinha???"

ademar guerra

ademar guerra
... em foto batida por mim, num daqueles-nossos milhares de jantares depois da "missa" !

mestre zimba !!!

mestre zimba !!!
ziembinsky, diretor-genial! meu-amigo, disso-não-nutro-dúvidas... mas ... um ator-excessivamente-megalomaníaco-demais e nada-colega, em cena!!!

maria della costa e paulo autran

maria della costa e paulo autran
com ela eu trabalhei uma vez, na tv excelsior, um daqueles tele-teatros (não recordo o nome)! ela era linda! depois, eu só fui revê-la em paraty, no hotel dela! com ele, paulão, nunca trabalhei... mas passei duas tardes no apê dele, na ponta de copacabana, junto com nosso amigo-em-comum, o recche, que fazia a "missa" comigo! ele me falava-dele e eu falava pra ele de-mim!!! um barato!!! ... depois, nunca mais cruzei com o paulo mas fui íntimo do fabinho (mui-amigo do Paulão por décadas) ! essa foto é da montagem de "depois da queda", do arthur miller, teatro maria della costa - são paulo - direção do flávio rangel

vianinha !!!

vianinha !!!
oduvaldo vianna filho, o "vianinha" ! não, nunca trabalhei com ele, nunca, sequer, nos cruzamos-de-passagem em lugar-algum !!! estranho ! né?

eugênio kusnet

eugênio kusnet
... conheci, sim ! mas nunca trabalhamos juntos ! infelizmente pra mim!

minha-amiga cacilda becker !!!

minha-amiga cacilda becker !!!
em "a dama das camélias"

sem legenda ! hehehe !!!!!!!!

sem legenda ! hehehe !!!!!!!!
... e esta foto eu vou deixar sem legenda, só de sacanagem! quer dizer... sacanagem, não! só pra brincar de "adivinhação" com você ! você consegue reconhecer e dizer os nomes de tooodos os que estão nela???

tanques russos !

tanques russos !
cidade de praga - 1968

fredi kleemann

fredi kleemann
meu amigo fredi kleemann

assunta perez

assunta perez
a deliciosa atriz e minha amiga assunta perez - 1968 - clicada por fredi kleemann - desconheço onde ou fazendo o que !

lilian lemmertz e juca de oliveira

lilian lemmertz e juca de oliveira
"dois na gangorra" - texto de william gibson - produção de joe kantor - foto de fredi kleemann - 1968 - (não encontrei nenhuma referência sobre em qual teatro foi representada)

reny de oliveira e berta zemel - "o milagre de annie sullivan"

reny de oliveira e berta zemel - "o milagre de annie sullivan"
de william gibson - "teatro popular do sesi" - sp - 1968 - foto de fredi kleemann

fotinho abaixo:

... embora eu saiba que possa ser meio difícil de reconhecer, pode-se afirmar que essa é, sem dúvida, a melhor foto do ivan josé no ano de 1968 !!!

sequência de fotos (daqui-para-cima e durante um certo-tempo)

... apresentando-lhes uma série de fotos-específicas de 1968 mas com alguns adendos de anos-futuros mas que-com 68 tenham relação !

gigetto, TERCEIRO E ÚLTIMO !

... e saí correndo da mesa!
... e entrei no banheiro e juro que nem sei se foi no masculino ou no feminino!
... e entrei no reservado e tranquei a porta e sentei no vaso e arranquei meu blusão e tentei limpar meus-ranho e enchugar minhas-lágrimas e não adiantava e atirei a merda-do-blusão no chão e comecei a uivar-feito-animal-ferido e comecei a chutar-a-porta e...
... e foi pu’reu chutar-chutar-muuuito que demorei pra perceber que tavam batendo-forte-fortaço-nela pelo lado de fora!!!
... mais assim que eu, finalmente, parei de chutar foi mais uns 2 ou 3 “tum-tum” bem-fortes-demais e pararam de bater e ele berrou-lá-de-fora:
- abre essa merda ou então eu arrombo!!!!!!!
... o que eu fiz?
abri!
... e pulei em cima do meu-Dalmo!!!!!!!
... e foi sem-camisa, o blusão na mão esquerda arrastando no chão do gigetto, eu sem chorar, olhos-vermelhos mas rosto-lavado, sem ranho no nariz, o dalmo me abraçando pelo ombro...
... que eu voltei pro salão e fiz, antes de mais nada, 4 coisas, nessa ordem:
1. pedi desculpa pro meia-meia!
2. apertei a mão do abdias e falei: fechado!
3. apertei a mão do adalberto e falei: fechado!
4. ... e recomecei a chorar!
de novo!

ruth de souza

abaixo, 4 belas-fotos de outra das minhas amigas e grandes-parceiras-de-cena: a atriz ruth de souza !




gigetto II

- Ivan!!! se acalma, garoto, que é isso??? – (adalberto)
- ... Meia, trás uma coca! qualquer coisa! vai logo! (abdias)
e o Meia-meia sai correndo pra ir buscar uma “qualquer coisa” na geladeira!
- ... Ivan... eu não quiz... – (dalmo)
- ... eu sô racista???????
- vamos levar ele prum pronto-socorro, já! precisam dar um calmante nele, sei lá o quê! – (adalberto, se levantando)
- (eu, me levantando!) - ... no “ontem, hoje e amanhã”, seu bosta, a áurea campos fazia papel d’uma vizinha nossa, que era empregada-doméstica, e eu, o pipo, enquanto ela trabalhava pros brancus qui ela trabalhava, eu ía na casa dela e arrumava tudo pra quan’elachegassi num tivessi mais qui trabalhá!!! tendeu, seu bosta???
... o meia volta com a coca já aberta e novo copo!
põe na mesa, na minha frente!
começa a encher meu copo com a coca-cola!
eu meto a mão no copo e ele voa longe e práááá no chão!!!!!!!
- ... ivaaannn!!!!!!! – (meia-meia!)
- ... e fica sabendo qui si a áurea fosse minha vizinha-de-verdade i fosse doméstica-de-verdade i não uma puta-d'um'atriz-di-primera-qu'ela-é... eu, eu-ivan-josé... eeeu ía todas-tarde na casa dela fazê faxina pra ela... i eu ía... caraaalho!!!
- ... Ivaaannn!!! - (abdias)
- ... i a áurea é preta, idiota! ... i eu amo-ela, palhaço! tendeeeu, seu cusão???
- ... ivan... vamos prum... (adalberto, levantando e pegando, delicado, no meu braço)
- (eu, puxando, violentamente, meu braço da mão-dele!) ... escuta essa... vocês tooodos... uma vez... eu fiz um tv de vanguarda ou sei-lá-que-porra-qui chamava o programa lá mais foi na tupi! ... aí era só eu e o amândio silva filho e a ruth de souza que fazia! só que o amândio entrava-mudo-saia-calado! fazia meu pai-em-coma deitado na cama d'um hospital-de-pobre e eu fazia o filho-dele que só tinha ele no mundo! tendeu? tendeu o não, palhação???
- entendi! fala! – (o dalmo! muuuito-sério-demais, agora!)
... e foda-se que ele tá chorando!
foda-se!
... o adalberto senta, de novo!
... e até o meia-meia puxa uma cadeira e se senta, também!
- ... aí... aí era daqueles tele-teatro que duravam duuuas horas, peça-de-teatro-mesmo, cê sabe, duas horas-sem-pará sem nem intervalo pra comercial... ao vivo, não gravado-merda-ninhuma! ao vivu-memu, pááá... aí... aí era a ruth de souza... qu'ié negra-muito-negra...
- ... a gente sabe, Ivan, calma, eu sou amigo da ruth e... (o abdias)
- cala boca! dex'eu cabá di falá, porra!
silêncio!!!
e... merda... comecei a chorar, também!!!
merda, merda, merda!!!!!!!
- ... aí... nesse tele-teatro... estranho, né???... ela não fazia nem papel de minha escrava e nem de minha empregada também, não! não!!! ela fazia a enfermeira do hospital!!! tendeu, palhação? não-empregada! não-escrava! enfermeira! tendeu??? fala, caráio!!!!!!!
- ... entendi! (o dalmo! chorando-mais-chorando do-qu’eu-já-tava, agora!)
- ... tá! intão aí... aí foi quase duas horas-sem-pará... ao vivo, não vídeo-tape... dela cuidando dele i coisa-i-tal i falando comigo me dizendo uma pá di coisa lá... i aí... pouco-antes-do-final do tele-teatro-lá o amândio... o meu pai morria!!! ... i aí... meeerda!!!!!!! - (... eu vou explodir!!!)
- ... Ivaaannn!!!!!!! – (o abdias, levantando e ameaçando vir pra me abraçar!)
- ... não encosta em eu!!! por favor!!! – (ele para, em pé!) ... aí... aí eu começava a chorá... e ela... a ruth de souza... neim tava no texto issu qui era pra ela chorá... mais ela começô a chorá também... e aí... e aí também não era assim que a gente tinha ensaiado mas... mais aí ela veio e me abraçou... e aí... aí, cara... aí, dalmo... palhaço ... iscuta vocês todos... aí... aí nunca-jamais na minha vida... eu nuuunca... neim na cena-depois do meu cachorro com o bógus... nuuunca eu senti taaanto como é bom contracenar c'uma atriz-de-verdade-feito-ela!!! ... tendeu? ... dalmo-meu-amigo???
... mas o dalmo não me respondeu-falando...
... apenas acenou que "sim" com a cabeçona-dele!!!
- tá! ... intão tá!
pausa! to exausto! meu coração parece que quer sair pela minha boca!
pego a garrafa de coca-cola!
olho!
largo a coca! pego a de cerveja, já pela metade, por aí!
... no gargalo, bebo tudo!
encaro o dalmo!
o palhaço não vai mais-parar-mais de chorar-não???
pra quê??? pra me imitar???
porque eu também não consigo mais-parar-de-chorar???????
meeerda!!!
merda, merda, merda!!!!!!!
me levanto, de novo:
- ... i sabi d’uma coisa, dalmo??? a ruth é liiinda!!! ... e tão negra como vocês!!!

teatro experimental do negro

teatro experimental do negro
abdias ao centro da bela foto montagem do grupo teatral exclusivamente-negro que ele-criou e, por tantos-anos, dirigiu !

no gigetto

chegamos pouco antes da uma da tarde e acabei entrando só com o blusão-de-couro por cima da pele porque a camisa e a rolê tavam mais amassadas que cara de buldog!
do paulistano até ali os 3 me crivaram de perguntas sobre pablos e gentes como as gentes e tias mames e dulcinas e cacildas!
... e nada, nem tocaram-de-leve em qualquer assunto que me parecesse a tal “ajuda” que podiam esperar de mim!
... couvert, minha segunda coca-cola, salada corintiana, as massas já pela metade... e ademares e lélias e a minha cena do cachorro que morreu (“antológica”, segundo o adalberto!) e discutiram entre eles a curra do joão pão, também, longamente!
... lá pelas tantas, do nada, o dalmo passa a encher e reencher meus copos com cerveja e mais cerveja “pra eu não acabar furando o copo dele com meus olhos”!
- ... a gente já trabalhou junto e você nem lembra de mim, Ivan! – (o dalmo)
- ... ahhh... trabalhamo nada, cara!
- no “gente como a gente”!
- ... ahhh... você nunca fez “gente como a gente”!!!
- ... lembra do capítulo que o Agostinho dos santos foi o convidado especial? o “homem das derrapagens”? por causa do jeito que ele cantava?
- ... ahhh... você nããão é o agostinho dos santos!
- ... lembra do conjunto que entrava com ele na tua casa pra acompanhar? ... do violonista-crioulo?
- ... ahhh... o cara era negão, sim, mais era magro pra cacete!!!
- ... concordo! quando eu tinha uns 50 quilos a menos do que eu tenho hoje... eu era beeem mais magro, realmente!
... lá pela minha segunda garrafa, já, e recusando qualquer sobremesa porque tava de comida-até-pelo-nariz, me sentindo livre-leve-solto feito passarinho entre aqueles 3 sujeitos absolutamente-fantásticos... não aguento mais:
- ... mais, afinal... vocês querem que porra de ajuda de mim?
- bom... é o seguinte, Ivan... escuta!
o “pedido” do adalberto e do abdias pro ivan josé:
a) 1968! a abolição da escravatura no brasil se dera no dia 13 de maio de 1888! portanto, comemorar-se-iam os 80 anos da abolição!
b) eles, comandando e irmanados com as entidades negras da cidade de são paulo, iriam promover uma extensa série de atividades, as mais diversas, mas, entre essas, queriam que duas fossem realmente brilhantes (“no mínimo brilhantes”, frisara o abdias!) e que a do teatro (... mas que teatro? eles disseram "a do teatro" mas passaram batido sem me explicar direito!) fosse algo de que quem assistisse, “não viesse a se esquecer tão facilmente” (nas palavras do adalberto, agora)!
c) ... e que estavam, nesse instante, pedindo que o ivan josé se encaregasse dessa tarefa e assumisse que esses tres eventos, sem qualquer sombra de dúvida, aconteceriam conforme eles-sonhavam que iriam acontecer!
uma pausa. meio longa. certamente frustrante (pra eles)!
- ... eu? ... eu???
- ... é... você! - (abadias)
- ... mas... fazendo o quê???
- o preto de costas! - (dalmo)
- ... e como é que você sequer sabe que existe esse tal de "preto de costas"?
- ... porque o Zé ricardo é meu sobrinho! - (dalmo, again)
- ... quê Zé Ricardo???
- ... quantos zé ricardo tem no preto de costas, ivan?
- ... vou explicar: vão ser 3 eventos distintos, um em cada um dos 3 últimos dias da semana das comemorações: na sexta uma apresentação do teu espetáculo num dos centros de uma das comunidades! - (abdias)
- ... só ainda não decidimos em qual porque queremos ter a certeza de que vamos escolher o mais adequado de verdade, o mais carente, entendeu? - (dalmo)
- ... depois dessa apresentação fazemos um grande debate aberto. eu, o abdias, você, teu grupo e todo o nosso povo que estiver lá, compreendeu? - (adalberto)
- no sábado o grande espetáculo, no teatro anchieta, e nesse espetac... - (abdias)
- ... mas o teatro anchieta nem foi inaugurado, ainda! - (eu!)
- então! nós vamos inaugurar! - (dalmo)
- pré-inaugurar, você quer dizer! - (adalberto)
- o teu grupo vai inaugurar! você, ivan, vai ser o primeiro ator a dar-vida pro palco do anchieta! - (abdias)
... eles tavam tirando onda c’oa minha cara... ou eu já tava bebado?
- ... depois desse espetáculo nós ainda estamos discutindo mas eu sou de opinião que como vai ser uma noite de gala é preferível que não haja debate nenhum! o abdias discorda!
- totalmente, adalberto, e já te expliquei por quê!
- ... aí, no domingo pela manhã, mas não muito cedo, fica sossegado, pouco antes do meio-dia, organizamos uma grande manifestação no largo do arouche e você e aquele jogral de que o zé faz parte arrasam detonando o “canto aos palmares” feito bomba no meio da praça... – (dalmo)
- ... e aí eu levo você e os garotos prum daqueles barzinhos e enchemos o caneco de chopp até o sol raiar! - (abdias!)
- e eu pago, pode deixar! – (adalberto)
e os 3 riem!!!
eu não!
– ah, sim... - (o adalberto, de novo!) - ... mas tem uma coisa, Ivan: a gente não tem, e não tenho como arranjar assim tão em cima da hora, uma verba pra te pagar e nem teu grupo por esse trabalho! o que eu posso, e vou fazer, do meu bolso, reembolso tudo que você me apresentar como despesas com condução, lanches, almoços, jantares, despesas de bar, o que vocês comprarem pra comer e beber durante ensaios... enfim, tudo quanto for despesa, pra você e o grupo todo, desde o momento em que você comece a agir pra isso...
- ... é! e se você for mudar alguma coisa em figurino, cenários, adereços... sei lá... me diz e pago eu essas despesas! – (abdias)
- exato! e eu o resto! ...até sairmos lá do tal barzinho do arouche depois do teu “canto aos palmares”! – (adalberto)
- (dalmo, me estendendo a mão pra eu apertar) – fechados???
... uau!!! esses 3 falam feito-metralhadora!!!
tá!!! até aqui eu entendi!
... mais ou menos, pelo menos...
mas...
- ... peraí, porra... como é que você pode ser tio do Zé Ricardo, Dalmo?
- ... ah... história-cumprida... depois eu te conto!
- ... como assim???
- o pai do zé é meu irmão-adotivo!
- ... mas o zé é branco!
- então, ivan, eu fui adotado pela mãe do pai do zé e aí...
- ... mas o zé é branco, dalmo!!!
- lógico!
- ... ah!!! mas se o Zé é branco, então a...
- porra! para de sê racista, ivan!!!
uau!!!!!!! eu só ía confirmar que acabava de entender que ele, dalmo, havia sido adotado por uma família de brancos!!!!!!!
... por quê porra-do-catso o dalmo me disse isso???????
meu sangue ferveu!!! eu andava muito-descontrolado-messsmo!!!
- ... racista? eu??? eeeuuu sou racista, porra???????
- ... ivan, o dalmo só falou isso porque... - (adalberto, rindo-nervoso!)
- ivan, calma, por favor! - (abdias, mas sem-rir!)
- ... eu não quis dizer que... (dalmo, seríssimo-me-olhando-no-fundo-do-meu-olho!)
- eeeuuu sou racista??? eu sou racista, seu... seu...
... ainda bem que já seriam umas 4 da tarde ou mais, o gigetto de portas fechadas e só nós lá dentro, o pessoal-da-casa fazendo faxina e preparando as mesas pro jantar...
... mas-aí o meia-meia saiu de lá de dentro e veio correndo pra ver porque eu tava gritando daquele jeito-descontrolado!
- ivan!!! - (abdias)
- ivan, deixa ele se-explicar! – (adalberto) – ... ele não quis dizer racista no sentido de...
- ... eu não quis-dizer racista-de-racista-de-verdade! eu só queria-dizer que...
- ... cê brincando-comigo? ... com um troço-desse, seu... seu palhaço???????
... e práááá meu copo vazio de cerveja explodindo no chão!!!
era o ano de 1968... e eu tava-me-sentindo um bosta!!!
... eu tava muuuito-maus!!!!!!!
... o ivan josé qu'eu-era... sei lá...
devia estar passando férias no alaska ou nas montanhas do nepal!
sei lá!!!

foto:

adalberto camargo !!!
... mais um dos presentes-abençoados que a minha-vida houve por bem me conceder !!!

adalberto camargo e abdias do nascimento

chegamos no fusquinha! os dois homens me olham, sorridentes, simpáticos!
me sinto bem! a vontade! relaxado!
o dalmo toma a iniciativa das apresentações:
- ... Ivan... este aqui é o Adalberto Camargo! ... deputado federal por São Paulo... não sei se você sabe isso...
- hummm... sem títulos! apenas Adalberto! prazer, Ivan! – (... outra mão boa de apertar! decidida! e carinhosa ao mesmo tempo)
- ... prazer!
- ... e este aqui é...
- Abdias do Nascimento! eu sei, porra!
- tudo bem contigo, rapaz? – (... eita povo pra tê mão boa-de-apertar, sô!!!) – ... mas a gente nunca se viu antes, disso eu tenho certeza!
- é... não! mas eu te conheço! de fotos! ... o teatro experimental do negro! mil novecentos e... pera...
- ... mil novecentos e...
- não!!! não fala, eu sei!!! é... 1944! certo?
- (ele abre um sorriso... liiindo!!!) certo!
uma pausa! um sorrindo pro outro! mas... e aí???
- bom... ele me disse que...
- que nós queremos falar com você! – (abdias)
- errado! que nós precisamos falar com você porque nós precisamos da sua ajuda! – (adalberto)
- ... vocês precisam... da miiinha ajuda???
- ... bom, eu ainda não almocei! vocês almoçaram? – (dalmo e abdias acenam que não) - ... e você, com certeza, também não almoçou porque está saindo da escola! – (vou responder mas esse adalberto sabe falar bem depressa quanto quer!) – que restaurante você nos sugere, Ivan?
- ... bom... sei lá... muitas vezes eu jantava no Gigetto, mas...
- no Gigetto! ótima lembrança! se no jantar a comida de lá é boa no almoço deve ser, também! todos de acordo? ótimo, então! dalmo, nós vamos para o Gigetto! você senta na frente com ele, Ivan!
... e nem me lembro de dar, sequer, um tchausinho pros 4 que me veem passar, descabelado-sempre e sem camisa, dentro do fusquinha, ao lado daqueles 3 homens de negros ternos!

fotos-abaixo

... e se pra alguém-aí vai parecer que to chovendo-no-molhado (colocando, aqui, os nomes de pessoas tão-conhecidas e com as quais, todas, tive o prazer de contracenar) não se esqueçam de que, além de artista, sou pedagogo, também!
portanto, de cima pra baixo:
armando bógus - myriam muniz - lima duarte - cleyde yáconis - leonardo villar - beatriz segall (antes beatriz de toledo segall) - lélia abramo - dulcina de moraes - tatiana belinky e cacilda becker










pausa necessária !

e, se me permitem, uma pequena pausa-necessária para necessários pequenos comentários-meus (necessários, ao menos, pra mim)!
1. este meu blog anda me trazendo, dia a dia todo-dia, muitas surpresas! algumas boas! outras ótimas! ... e nenhuma (até agora, ao menos) ruim!
2. amigos meus, de “priscas-eras”, de décadas-e-décadas messsmo, estão “descobrindo” que, apesar de me conhecerem (alguns muitíssimo bem, por sinal!)... na verdade pouco-sabiam de mim!
3. eu próprio estou “redescobrindo” a minha vida! ... e a cada dia fico mais-e-mais impressionado com a “quantidade-qualidade-diversidade” das coisas-que-já-vivi!
4. ... se ainda estou, apenas, em 1968, menino e quase-menino, e pela minha vida-intimidade já passaram seres-humanos da qualidade de dulcinas, conchitas, cacildas, ademares, lélias, myriams, robertos, silneis, irinas, randals, marias-izabéis, décios, morineaus, abdias e adalbertos (entrando agora nela lá), júlios, tatianas, egydios, ohnets, ogallas, antunes, vilares, yáconis, felipes, segalls, oroscos, limas, márikas, oteros, passinis, brucks, pompêos, carones, osmanos, bógus, arabelas, brums, mariajosés, garcias, altaires, mariascélias, yolandas, nessins....
porra!!!
caráio!!!!!!!
... que novos-presentes a minha vida-abençoada me reserva, ainda?
5. ... ando descobrindo-em-mim um escritor que eu já sabia existir, oculto-em-mim... mas ainda desconhecia! ... e... felizmente... a cada dia-mais estou me enamorando dele porque... deixa pra lá... só posso dizer que to virando “fã” desse “carinha”!
6. ... este blog “começa” (ou espero que esteja começando, pelo menos!) a esclarecer uma dúvida a respeito de mim mesmo que muitos sempre tiveram... e ainda tem:
afinal... eu sou, sim, um puta d’um convencido-arrogante-antipático-e-metido-a-besta só porque tive a “sorte” de trabalhar com a cacilda becker (isto como se eu “apenas” tivesse tido a “sorte-honra” de trabalhar com essa minha amiga...)
... ou...
eu sou, apenas, o ivan josé...
que, apenas, fez o que fez, é o que é, fez os trabalhos que fez (e, gracias, sempre tooodos muitíssimo bem feitos!), trabalhou par-a-par com quem trabalhou e ganhou, por mérito-próprio e auxílio de aulas-práticas-dos-meus-amigos-verdadeiros, todos os prêmios e lauras que já ganhou?
nota final: pensem nisso!
e, quem puder que me responda, por favor!
tá???

fotinho abaixo:

abdias do nascimento !!!
meu novo-amigo que eu passei a chamar de...
graaande-figura !!!!!!!

3 homens de negro... e negros !

sim, o consumo, cada vez mais excessivo, da junção drogas + álcool facilitava sobremaneira!
mas não era a causa do problema!
a verdade é que eu, por vontade própria, estava, já, num avançado estágio de auto-destruição (ou de suícidio-lento-e-gradual, como prefiram denominar)!
ao findar dessa manhã eu extrapolara dentro do paulistano!
ao sair, dado o sinal (enfim!) de encarramento da quinta aula, eu, entre outras “estripulias”, havia: metido um soco na cara d’um guri da sexta série e lhe arrancado um dente da frente; brigado, aos berros, com o professor de física apenas porque ele me pedira (e pedira mesmo, educadamente, por sinal) que eu conversasse mais baixo com o Nessin enquanto ele tentava explicar um problema mais complicado pro restante da classe e saí batendo a porta; subido nos ombros do João vitor, da oitava, um cara grandão e forte com cara de bandido (meu mais novo “comparsa”) e, assim, ficando com metade do meu corpo exposto pro lado do pátio das meninas, gritado-lhes um monte de propostas-indecentes enquanto elas davam gritinhos-histéricos e me mandavam beijinhos (isto, evidentemente, nas barbas do bedel do meu pátio e da bedel do pátio delas); tirado o pinto pra fora e mijado, ostensivamente, na parede desse mesmo pátio e nesse mesmo recreio ao invés de andar mais uns 3 metros e faze-lo no apropriado banheiro; tocado uma punheta dentro da sala, debaixo da minha carteira, durante a aula da professora de história e esporrado no chão pra aládya ver... estas e algumas outras “sacanagens” do tipo!
e, tudo isto, “regado” a 2 tubos-inteiros de kelene que consumi no mesmo período acima descrito (eu cheirava até no meio das aulas, na cara-dura)!
... saindo, agora, pra rua, ao lado da aládya (minha “mulher”), do joão vitor e da cleonice (melhor amiga da aládya e “mulher” dele), o nessin atrás de nós, fui repetindo aquele mesmo “rito-selvagem” de, enquanto descia a rampa lateral, vir tirando meu blusão, depois a rolê, aí a gravata, então a camisa e, sempre, já chegar ao grande jardim frontal de peito nú, obviamente, e urrando, a plenos pulmões, uns ininteligíveis gritos-selvagens que nada significavam, afinal!
então, dobrava-se à esquerda, descia-se nova rampa, mais quatro degraus, passava-se portão afora e... adieu, paulistano! até amanhã!
... mas foi descendo essa rampa que... sei lá, foi uma sensação estranha... e eu, de repente, parei de berrar e andar feito o “the king of the jungle” e travei no lugar!
os 4 também pararam, me olharam, viram que eu olhava-procurava alguma coisa e também olharam mas como não sabiam o que eu procurava é claro que não podiam enchergar o que eu... eu, sim, imediatamente vi!
... era um fusquinha! comum! e branco!
dentro dele estavam tres homens!
vestidos de negro!
e negros, eles todos, também!
e me encaravam! óbvia e deslavadamente os 3 me encaravam!
uma (provavelmente a mais violenta que já me acometeu!) descarga de adrenalina invadiu meu cérebro!
eu senti medo! pavor! quase-pânico!
... e não pensei em nada, especificamente!
voltei a andar! mas sem gritar, agora!
e, também, a andar “normal”, o rei das selvas havia se esquecido de mim e voltado pra lá sem prévio aviso!
... e continuei a andar, já há uns 50 metros além do paulistano, apesar de ter ouvido, sim, aquela voz me chamar, atrás de mim:
- Ivan!!!
... acelerei meu passo!
- Ivan!!! ... espera, cara!!! ... – (e, então, aquele “berro-autoritário"! aliás... absolutamente idêntico aos que eu, ultimamente, vivia dando de 2 em 2 minutos!) Ivan José!!! para, porra!!!!!!!
travei! pela segunda vez!
... era um daqueles negros do fusquinha, sim!
eu já sabia que seria algum deles antes mesmo de me voltar!
... só que... meu medo sumiu, tão de-repente-quanto-surgiu!
puff! desapareceu!!!
ele sorria!
e caminhava direto-pra-mim! óculos escuros à la vigilante rodoviário!
e... sorrindo aquele monte de dentes-brancões-absolutamente-perfeitos!!!
- vão subindo! eu encontro com vocês lá na esquina!
- ... mas quem é ess... – (o joão vitor)
- sobe, já mandei! vai, vai, vai!!!
os 4 sobem!
... e o sujeito me estende a mão e eu a seguro e o aperto-dele é forte... e... bom!
- prazer te conhecê, carinha! meu nome é dalmo!
- prazer! meu nome é...
- (ele ri!) ... Ivan José, por acaso? acabei de te chamar pelo teu nome, cara! – (rimos, juntos!) - ... "eles" querem conversar com você!
- ... "eles"? – (e aponto a minha cabeça na direção do carro! ele olha pra onde olho)
- exaaatamente!
- ... mas... quem são esses dois?
- (ele olha, de novo, na direção do fusquinha) ... porra! ... nem agora que eles tiraram os óculos-escuro você não sabe quem é pelo menos um deles não, cara?
- (olho pros caras, de novo) ... nooossa!!! aquele lá não é o...?
- vamo lá, vai! eles tão te esperando e tá um calor da porra, né não? você nem deve de tá sentindo porque até já tirô a camisa e coisa e tal e pás e puns... – (ri! rio! ele passa o bração pesado sobre os meus ombros!)
atravessamos a rua!
... mas o quê esses caras...
e logo “esses” caras...
podem querer com um “demente-toxicomano-de-bosta” feito eu sou-hoje, afinal???

ano do medo - 4 1/2

ano do medo – versículo 4 ½

então... na verdade nem sei, ao certo, se deveria ou não ter acrescentado este sub-capítulo aqui, mas... vá lá... to abrindo tudo mesmo, né, a história completa (ou quase)!
mas sejamos breves e concisos:
1. o Gordo continuava no paulistano, também. só que eu no primeiro colegial e ele na oitava do ginásio.
2. tardes e noites eu passava na casa dele e cada vez mais “amigos” se juntavam a nós, lá! o consumo de álcool acabou aumentando (ao invés de diminuir!) quando o pai do Gordo trancou a chave os uísques dele e nós mesmos passamos a comprar vodka e uísque (nacionais)! as quantidades de maconha e coca consumidos aumentaram assustadoramente! além de que passamos a detonar mais de uma dúzia de tubos de kelene/dia! eu sempre carregava 2 ou 3 deles nos bolsos internos do meu indefectível blusão-de-couro! quando viajava pra jundiaí e ficava na casa do meu primo juca eu triplicava as doses de kelene porque lá praticamente não havia cocaína e mesmo maconha não dava-em-pé de árvore... como aqui em sampa dava!
3. o meu cachimbo? ah, sim... chamou bastante a atenção da escola inteira, sim! menos a da direção e bedéis que, miraculosamente, jamais me “enchergavam” dentro do paulistano! eu era, ao mesmíssimo tempo, o foco-das-atenções do corpo discente e o “fantasma-invisível” do docente!
4. passei, também, a perpetrar pequenas “demências” do tipo: pra entrar no colégio pregava, com um alfinete, um pequeno cartazete na minha rolê onde se lia: “to de gravata por baixo sim, idiota! que vê ou prefere que eu te mostre meu cacete?”
5. não comprei sequer um livro ou caderno até... sei lá, meses após as aulas iniciadas!
6. passei a entrar na escola de uma a duas vezes por semana e cabular os demais (geralmente ficando no bar da esquina bebendo cerveja (e eu estudava no período da manhã)) ou a ir com o gordo e mais-uns pra augusta onde havia uma mini-lanchonete (próxima da paulista) onde, sob a aparência de que estávamos apenas bebendo coca-colas enchíamos a cara com cuba-libres fortíssimos!
7. o “ovo” desistiu de tentar “me vencer” quando, na primeira prova mensal (eram orais as dele) me fez as 4 perguntas-decorebas-estúpidas-e-de-cultura-inútil às quais respondi com 4 curtos e grossos “e eu sei lá, porra”! ... aí ele me perguntou se eu desejava tirar um zero-proposital! respondi que não porque só um idiota desejaria perpetrar tal asnice! então ele me disse algo do tipo: “dou-lhe uma chance! prove-me que a língua portuguêsa é bela e verei se te posso dar um... dois”!
8. sem pausa meti-lhe pelas ventas-adentro: “última flor do láscio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura! ouro nativo que na ganga impura a bruta mina entre os cascalhos vela!”... e fui até o final do “língua portuguêsa”, do olavo bilac! na base do eu-ator mesmo, olhando nos olhos-dele, violento, d'um jeito que aquele professorzelho-pedante jamais sonhou que se pudesse passar a verdade de amar a língua! eu amava, respeitava e sabia falar e expressar-intensamente o meu idioma! não ele, a "coisa-amorfa"!!!
9. a bichona até chorou! idiota! e me deu nota... dez! ... quem era mais locão ali: ela ou eu???
... e até lá pelo meio de abril... sei lá... se a minha vida já tava uma merda... começou a virar uma bosta-integral !

ano do medo - versículo 4

ano do medo – versículo 4

... passo pelo barril-de-chopp e ele finge que não me vê! ótimo! do jeito que eu tô se ele, sequer, me encarasse eu metia a mão da cara desse filho-da-puta!!!
... mas... por quê tod'esse povo tão me olhando feito se eu fosse... sei lá o quê?
caralho! vão olhá pros-cú-das-suas-vó, seus porra!!!
... talvez é porque eu to andando rápido demais? praticamente correndo?
calma, Ivan !!!
entro na minha nova classe!
... mas... que é isso, aqui, agora?... quem são esses... essa... quem são essas pessoas, caralho?
- Ivan!!! aqui!!!
ah... gracias! o Nessin!!! gracias, mein got!!!
literalmente, eu corro pro fundão da classe onde ele está!
- guardei essa carteira pra você!
- valeu! – (me sento na carteira ao lado dele! última fila da classe! e... tooodos aqueles trinta-e-lá-vai-pedra pares de olhos virados pra trás? tooodos olhando pra mim? e... em absoluto silêncio, ainda por cima???)
berro, literalmente eu berro-alto:
- ... qui-qui foi, seus porra? tão olhando u quê, caralho? vira pra frente, viraí! vira-vira-vira logu, porra!!! – (e tooodos aqueles pares de olhos desgrudam de mim em uníssono... e começam a cochichar entre si)!
- u quêêê??? – (catso! berrei c’o Nessin, também! falo baixo, agora) – desculpae, cara!
- ... quê que você tem?
- nada, ué! por quê?
- ... você... chorou???
- ... por quê cê tá me perguntando uma merda dessa, caralho?
- ... teu olho! ... vermelho! ... e teu nariz tá tudo cheio de ranho...
merda!!!!!!!
me limpo na manga do meu casaco-de-couro mesmo!
- ... saiu?
- ... saiu... saiu! ... mas...
- ... mais o quê, Nessin???
- ... Ivan!!!
- ... merda!!! merda, merda!!! ... desculpa eu, cara!!! – (... e não vou começar a chorar de novo, né? não aquiii!!! não... agora!!!)
... ou... vou???????
- bom dia, alunos! – (pausa) – alunos se levantam quando um mestre adentra suas sacras salas de estudo... ao menos, cavalheiros e senhourinhas o fazem... julgo eu!!!
vurrrruuuummmmm!!! todos os porras dos meus colegas saltam das carteiras qual molas!!!
menos eu!
e, desta feita... não por mera insubordinação, rebeldia... simplesmente porque estou... chapadaço com o que vejo... mas me nego a aceitar como realidade!!!
afinal... o que é... como posso classificar... “isso”???
ah... sim... claro... “isso” é o “ovo” da Alice do Lewis Carroll !!! lógico !!!!!!!
- melhor assim... muitíssimo melhor!!! ... mas... – (hein? o quê??? o “ovo” tá olhando pra mim???)
- ... é... eu???
- ah, parla! veritas! alors! please...?
caralho, mano!!! o “ovo” fala uma palavra em cada-porra-de-língua-diferente... pra quêêê??? é crazy??? tá fumadaço??? bebeu??? toma bola??? tá intupido de cocaína???
que pooorra é essae ???????
- acaso algum mal-súbito ou deficiência física o impede de se levantar, cavalheiro Ivan José?
puta-que-pariu!!! o puto, além de tudo, já sabe quem eu sou, caralho!!!
- ... não! ... – (... e... de repente... me dá o “estalo”!) - ... mas vosso humílimo discípulo, em vias de prorromper em farto pranto... – (... e “isso”, ao menos, era verdade!) - ... se prostra aos pés de vossa divinal graça e, quase em êxtase, agradece o interesse com que brinda minh’alma!
... todos aqueles pares d’olhos novamente a me encarar! queixos caídos!
... inclusive os do... “ovo”!
... e eu “guento” o olhar da “coisa”, olho-no-olho... sem me levantar, obviamente!!!
... quanto tempo tu acha que guenta uma pausa me encarando, ô... seu veadão???
- podem sentar-se!
melhor assim!
hehehe!
terceiro ponto meu nessa manhã!
chamava-se prof. X e, como antevi, seria meu new-teacher de portuguese!
ao menos pensava que viria a ser!
... e imaginem que já se tenham passado uns quinze minutos, agora, por favor?
- cavalheiro Ivan, por obséquio!
- às suas ordens, senhor meu mestre!
e nããão me levanto, de novo!
e o veadão me encara... de novo!!!
a bichona-velha tá ficando alteradaça pra cima de moi... vai fedê já-já... beeem que o herique tinha acabado de me avisar!!!
- ... far-me-ia o mimo, o cavalheiro, de abrir o seu livro na página...
- (corto-o! sentado!) não trouxe livro algum! ainda não... possuo o tomo ao qual, sei, há de se referir! aliás... nem mesmo caderno ou caneta tenho aqui... mestre! – (sentado!)
- ... óóóóó!!! (cruuuzes!!! a boca-de-chupá-pinto vai levantar vôo agora... ou vai inchar e explodir feito balão de gás?) - ... ó.. ó... ó! esquecimento nosso... desamor!
... e por aí foi!
odiei essa veadona-embalsamada!
odiei tooodos os outros professores que fui conhecendo!
odiei a classe-inteira (até os poucos que eu já conhecia, de leve, dos anos anteriores e, idiotas como eu, continuaram a estudar naquela espelunca)!
eu e Nessin e Nessin e eu! full time! e olha lá!
... e no terceiro dia de aulas decidi que passaria a fumar cachimbo nas entradas, saídas... e durante os recreios, acima de tudo!
e comprei um, lindo, vistosaço, madeira-clara e madre-pérola, caríssimo... e um pacote do fumo do mais “cheiroso” que encontrei... pra que sentissem o cheirão dele já de bem longe, de beeem looonge messsmo!!!

florilégio

... o mais-que-singelo florilégio, abaixo, é um gentil oferecimento das "casas doutrinadoras" à todos os desmemoriados do Brasil !!!




ano do medo – versículo 3

ok! preciso me controlar, catso!
pensa, Ivan, pensa, porra! chama o Ivan José pra te ajudar, caralho!
você precisa sair dessa, cara! pensa, pensa!
ok! calma, muuuita calma nesta hora!
... que horas são?
merda! ainda faltam 17 minutos pra porra da primeira aula acabar!
calma! isso... respira! calma!
... porra-de-merda-de-bosta... pago uma grana brava pra essa bosta-de-merda desse pau-listado-da-porra e nem uma porra-duma-merda d’um papel-higiênico esses filhos-d’uma-puta-do-caralho põe nesta merda-podre deste banheiro-de-bosta???
merda, merda, merda de vida... cacete!!! porra!!! merda!!!
- ... e, agora, ainda por cima, vai começar a chutar porta de mictório, carinha?
- ... quê...?
- calma, rapaz! ... só perguntei se adianta chutar essa merda-de-bosta dessa porra-de-porta!
- ... fazia tempo que eu não te via, cara!
- ... eu sei!
- ... caralho!!!
- ... ehhhh... se é pra você começar a chorar de novo eu vou embora!
- não!!! fica, henrique! por favor...
- ... tá! tá bom! ... viu? agora tá doendo teu pé! ... além do galo aí na cabeça... já-já ele começa a cantar...
- ... aquela noite no tv de vanguarda eu te chamei de henrique ogalinha... e você ficô puto comigo... lembra?
- lembro! veado! te odeio!
- ... rsssssss... e eu te adoro! ... desculpa?
- ... pelo ogalinha?
- ... é!
- ... tá bom, vai! tá desculpado, pronto!
- ... tá doendo, cara!!!
- ... o quê tá doendo?
- ... meu pé! ... e a cabeça! bati muito forte na parede, lá!
- ... é, eu vi!
- ... então... e tá doendo pacaráio!
- ... eu sei! antes de casar sara! rssss...
- rs...
- ... doeu tanto assim? ... eu quero dizer... além de todo o resto... você, agora, ter descoberto que, também, perdeu ela?
- ... a Maria Izabel foi a melhor professora que eu tive na vida, cara! ... professora de escola eu quero dizer, entende?
- é... entendo, sim!
- ... então! ... será que... eles mandaram ela embora... ou...?
- liga pra São Manuel, na casa dos pais dela! ela te deu o telefone de lá nas férias passadas quando ela foi pra lá! lembra?
- ... eu sei!
- então! sai daqui hoje e liga pra lá! mas... quer saber...?
- ... fala!
- duvido que eles mandaram ela embora! deve ter resolvido ir porque não aguentou a pressão daqui! ... ou porque tava se sentindo muito sozinha sozinha aqui em São Paulo! entende?
- ... que nem eu?
- você não tá sozinho, Ivan José! nunca esteve, jamais vai estar! você tem amigos até demais, gente que te adora e te respeita, cara!
- ... feito você, por exemplo?
- hummm... pretencioso!!!
- rsssss... sempre fui!
- ... eu sei!
- rs...
- ... escuta... é esse Ivan que você deixou entrar dentro de você quem tá sozinho... não você!
- ... é... também sei disso!
- ... então por quê porra-de-merda você tá deixando esse anormal maníaco-depressivo auto-destrutivo continuar dentro de você, caralho?
- porque... sei lá!!!
toca o sinal finalizando a primeira aula!
- ... mas faltavam 17 minutos agora há pouco!!!
- ... é que nesse espaço-tempo em que a gente tá o tempo rola diferente... sabe como é, né?
- ... vira pra lá! vô mijá?
- e você acha que eu to interessado em vê teu pau, seu porra?
- ... nunca se sabe, né?
- palhaço!!!
mijo! o henrique espera, paciente, atrás de mim, virado pra porta!
- ... vai logo, caralho,vai pra aula!
- ... calma! ... logo por quê, catso?
- ... você não acha que anda exagerando-um-pouco-que-demais-da-conta aqui dentro não, cara? você tá humilhando demais os poderosos aqui, maninho! uma hora eles podem te fudê seim-neim você esperá! fica ligadó, to só te avisando!
- ... tá! ... entendi! ... valeu!
- ... tá! chega! vai pra classe!
- ... te adoro, cara! ... valeu!
- ... tá! ... eu sei!
- ... tá! ... tchau!
- ... tá! ... tchau pra você, também!
- ... tchau!
puff! meu-amigo henrique ogalla desaparece no ar!
... mas reaparece logo (ainda que apenas os lábios dele)
- ah... tomara que você consiga, logo, expulsá esse Ivan-de-merda de dentro de você ... tá???
- ... tá!
- ... tá!
- ... tchau!
- ... xau, amigo!

" il embroglio "

eu e a minha querida e maviosa-cantante Edmar ferretti na parafernália abaixado narrada!

Ivan José e Edmar Ferretti

Ivan José e Edmar Ferretti

embaralhando datas pra sair da mesmice = 1971 = EAD

eu era assim, na fotinho abaixo, quando comecei a gravar "dez vidas"!
aliás, no mesmíssimo-meu primeiro dia de aula no predião-caindo-aos-pedaços, maravilhoso, no último semestre em que a ead funcionou na av.tiradentes, onde me diverti com o edinho (edwin luisi), o Zé (Zécarlos Andrade), a Selminha (Selma Egrey, belíssima e talentosa, ainda por cima!), minha classe de primeiro ano... Sílbene, Fábio, a entojada-da-Clarice, a gordinha-que-esqueci-o-nome, a que mijava nas calças quando a Mariajosé de Carvalho falava com ela... o Clóvis Garcia, a Nilce da secretaria, Yolanda Amadei, a impostada-e-tensa Milene Pacheco (que nããão me deu aula, na verdade, no meu primeiro ano... que abandonei antes do final... mas, sim, no meu segundo-primeiro ano, quando voltei... pra, aí, abandonar a EAD mais uma vez)!
foi logo depois da minha segunda aula com ela que fui pra sala do Clóvis e comuniquei:
- não faço mais aula de dicção com ela!
- hum... e por quê?
- tres motivos! um: são absolutamente inúteis, já notei, não tem absolutamente nada a me ensinar! dois: são d'um primarismo-pedagógico desconcertante, pra dizer o menos! chatas, monótonas, antipáticas e usam textos primorosamente mal-escolhidos! tres e o mais grave: tá na cara que essa "professora" só considera "bons alunos" aqueles que consigam imitá-la, à perfeição, naquela sua canastresca-pantomima do século XII... A.C.! ou alguma coisa do gênero! coisa que jamais farei, é óbvio!
- certo! mas aí você repete de ano em dicção, Ivan!
- ... será? sabe, Clóvis, cá entre nós, minha filosofia é a de que artistas sempre encontram seu jeito-próprio, sua maneira de encarar o que parece ser "inincarável"!
- ... como assim?
- ... sabe que eu também ainda não sei isso direito! nunca pensei a sério nisso, apenas sinto! quando eu descobrir ou chegar à alguma conclusão eu te conto, tá?
- ... tá! - bem do Clóvis uma resposta assim!
- certo!
e já vou saindo... mas:
- ah, clóvis... só mais uma coisa!
- diga lá, Ivan!
- te preocupa não que nessas aulas-vagas não vou ficar tocando-putero e nem fazendo zona por aqui não, tá?
- ... ah, tá! folgo em saber disso!
- já falei qu'a tatais...
(leia-se mariajosé de carvalho e tatais ela só o era pros muuuito chegados! poetisa, educadora, escritora... que mais?... ex-esposa do maestro diogo pacheco e que, durante a semana de arte moderna de 22, assistiu ao concerto dele, no municipal de são paulo, de longo semi-transparente e coberta de jóias... e descalça! que mais? ah, vejam que coincidência: além de, hoje, professora de história da arte, na EAD, ela já ali ministrara... dicção! sendo que a já referida Milene Pacheco era-lhe a ajudante!)
- ... e a tatais me disse que me recebe de braços abertos e em plenilúnio nas aulas dela, em-que-classe-seja-que-estiver, e encantada pelo meu extremado bom-gosto e sápia-decisão, em não deixar-estragar a minha dicção perfeita e minha voz-belíssima... palavras-dela... correndo o risco de me transformar num novo-pachecão!
eu ri! o clóvis também riu! e, aí, saí!
... e pra que vocês-muitos aí não fiquem sem entender o final deste embroglio, explico apenas 3 coisas sobre o que aconteceu no final desse ano:
1. meu exame final, público, em história da arte (da mariajosé) foi um espetáculo de kabuki simplesmente desbundamente e requintadíssimo (como tudo o que ela dirigia)! retumbante sucesso e nota 10!
2. meu exame final em filosofia, público, fomos o paulo yutaka e eu, apenas de tapa-sexos, interpretando, sobre um minúsculo praticávelzinho no centro do teatro em arena da ead (agora já num barracão da usp, eu me esquecera de dizer) um alucinadérrimo "o diabo e o bom deus", do sartre, eu-goethe e ele-heinrich, sob direção da minha-hiper-queridíssim'amiga myriam muniz (que já fizera "tia mame" e o "joão pão" comigo, na record)! nota? 10, pro paulinho e pra mim!
3. por intercessão do clóvis (até hoje eu acho que foi isso), a já referida profa. milene, magnânima, me outorgou a chance de, mesmo com os meus 99% de faltas na sua matéria, participar do espetáculo que era o exame final de sua matéria! público (só matérias tipo português, história do teatro e poucas outras tinham exames por escrito)!
e aconteceu assim, exatamente como narro a seguir:
a) nosso "reencontro" foi curto-e-grosso (sim pois naquele ano todo ambos nos ignoramos pelos corredores e salas da EAD uma vez que éramos totalmente incompatíveis). fui informado de que teria que fazer 3 coisas: participar de uma cena "só dos homens" (sim, sim, juro, ela também fazia isso, dividia "meninos" de "meninas"); de uma cena coletiva; e deveria realizar algo que eu entendi que seria ou alguma espécie de monólogo ou algo do tipo, ou seja, uma cena em que fôsse eu a sobressair de forma que a banca que a auxiliava a dar as notas me avaliasse... algo assim, pelo que entendi naquele momento!
b) me deu dois mini-textos, a saber: na tal cena "dos homens" eu contaria um "causo", numa "cena-caipira", aos demais homens da classe (mesmo àqueles que eram veados) em que eu falava sobre um bode de propriedade de um vizinho meu que "siri quan'eli manda"! o primor literário do mais alto valor dramatúrgico da história do planeta urano, como sabem todos! eu deveria decorá-lo e ensaiá-lo! decorei (era longuíssimo... umas seis frases)! e ensaiei-o com "os homens"! uma única vez compareci aos ensaios... mas ensaiei, como me foi "ordenado"! correto?
c) o segundo texto era "pedreira das almas", do jorde andrade, cena coletiva do enterro, onde eu podia escolher o "tipo" de personagem nordestino que quisesse interpretar! note-se que apenas o Paulo Yutaka falava e os demais cantavam e faziam côro! então... como procedi: abstive-me de comparecer à todos os ensaios da referida cena! vesti-me com os trapos que me deram pra vestir na hora da apresentação! neguei-me terminantemente a fazer a maquiagem com as melecas que me deram pra besuntar meu belo rostinho! entrei em cena com os demais! ... e como soubesse que se tratava de um exame de dicção... naturalmente optei por interpretar um retirante cego, surdo... e mudo!
d) a professora milene pacheco houve por bem dar-me a subida honra de fechar seu espetáculo daquele ano (1971) com o meu "solo" (que, recordem-se, eu podia escolher o texto e cena que quisesse desde que eu fosse o personagem que sobressaísse... etc?). ela, jamais, sequer fez vaga-alusão ou demonstrou desejos de saber, previamente, o que eu iria apresentar e nem me chamou para qualquer ensaio dessa cena (e mesmo-assim pô-la pra fechar o espetáculo-dela?).
ostentou aquele seu sorriso-de-boca-fechada muito curioso quando me viu em polainas, casaca e coisa e tal (foto acima) pois me achou ridículo assim como ridícula considerou a indumentária com que se trajava, pesadamente maquiada ela e com a pior e mais pavorosa peruca que conseguíramos encontrar as pressas, a pessoa que eu escolhera como minha partner de cena, que vinha a ser a minha colega-de-classe e alguém que já se tornara, também, uma das minhas maiores e melhores amigas: Edmar Ferretti!
Edmar Ferretti que, além de cursar a EAD, era cantora lírica e uma das prima-donnas do teatro municipal de são paulo!
... e, continuando a acompanhar o meu raciocínio, por favor?
por quê decidira pachecão por-me, justamente à mim, o faltoso-arrogante-convencido e "famoso" para encerrar a dita récita que, até aqui, tivera tanto êxito (segundo ela)? porque esperava que eu, sem os "preciosos ensaios e técnicas-dela" fôsse fracassar fragorosamente, é claro!
... escolhi um texto do martins pena! mas esqueci o nome dele (ele tem tantos, né?)! onde há um personagem gago que diáloga com a sogra! eu sendo o tal gago e a edmar a sogra, óbvio!
... catei a edmar pela mão... dei um apertão... e ambos, só nós dois, invadimos o pequeno palco da EAD!
a primeira solista do teatro municipal de são paulo e Ivan José!
... o tal gago, a cada fala, ía ficando mais nervoso e quanto-mais-ficava mais dificuldades tinha para se expressar!
... lá pela minha quinta fala... comecei a provocar no público aquela reação que eu já conhecia desde a "tia mame" e aprendera com uma das maiores-mestras-nisso-do-brasil, dona dulcina de moraes!
... na minha oitava fala (no total eu deveria, mais ou menos, dizer umas vinte) o "vírus-do-riso-incontrolado" já se alastrara, em velocidade-vertiginosa, por uns 80% da platéia!
... na décima-primeira por uns 101% do total!
... mas aí... o vírus (como era inevitável) atingiu, também, a edmar ferretti!
e, em seguida, a eu próprio!
... a platéia já estava vindo abaixo, naquele surto-hilário-de-pura-alegria-prazer!
parei de falar!
peguei a mão da edmar... e, simplesmente, ficamos de frente pro público! sem acabar a cena!
eles começaram a aplaudir! de pé!
agradecemos (e eu demorei recebendo os aplausos o máximo que senti que seria possível)!
e saimos de cena!
passando pela minha "mestra", dirigi-lhe uma única palavrinha:
- ... gostou?
voei pro camarim e me troquei numa velocidade-relâmpago!
um "embrulho" no estômago misturado com vontade de chorar! sei lá! raiva!
... isso enquanto todos os meus colegas-de-classe, exceto eu (a Edmar entrou, como estava ensaiado), entravam pro agradecimento-final, marcado pela "brilhante-mestra"!!!
... corri e consegui já estar calmo e refeito lá fora do barracão da EAD! fiquei encostado no meu carro estacionado quase em frente da porta de saída!
... e, pouco a pouco, fui recebendo, individualmente, os cumprimetos e mais cumprimentos do público que ía saindo!
esperei a edmar sair e levei-a pra jantar, só nós dois! nós dois nos esborrachando de rir, traveis, ao relembrar o recem-ocorrido e a cara do pachecão!
(também esqueci de dizer que, nessa época, ela, o yutaka e eu já estávamos ensaiando a "missa leiga"! mas isso eu conto mais pra frente!)
tres dias depois eu soube da minha nota individual! foi 10, dada pela banca!
nas contas da profa. milene isso significou: 10 menos as faltas = 5 !
pronto! passei pro segundo ano da EAD!

Ivan José em sua foto da Carteira de Identidade

Ivan José em sua foto da Carteira de Identidade

o ano do medo - versículo 2

eu já fiz muuuita coisa em teatro, televisão, dublagem, circo, festa-de-madame e até cinema (que jamais-passou no Brasil mas na França ganhou vários prêmios) e se chama "wilsinho galiléia", do joão batista de andrade, outro amigão! foi filmado-mesmo e deveria passar como "especial", em dois episódios, no globo repórter, da tv globo. foi uma experiência e tanto!
o batista, inclusive, vendo o meu entusiasmo pel'aquela nova linguagem-pra-mim (eu nunca tinha feito cinema e difere um pouquinho de televisão, sim!) me deixou dirigir toooda a grande sequência do parque-de-diversões! pra eu "experimentar" como era legal dirigir cinema, ele só de olho em mim, é óbvio! mas não precisou intervir e foi fantástico!
houve, nisto, um estranho caso-pessoal (não na sequência que dirigi e nem em meu personagem mas no fato de me convidarem pra fazer, justamente, esse filme):
o wilsinho galiléia... eu conheci pessoalmente!
o fausto brunini (que já era meu sócio na if produções) dava oficina de bonecos na unidade da febem de são vicente!
eu ía com ele mas pra ficar tomando sol e banho de mar na prainha fechada que há (ou havia) dentro dessa unidade!
e numa dessas tardes um carinha apareceu por lá, sozinho (os "guardas" vigiavam tudo de longe e nadar pela entrada da baía de são vicente até santos seria mesmo impossível!
começamos a papear e ele era inteligentíssimo (claro que eu sabia que era um "interno" de lá)! pessoa agradabilíssima! e só na hora em que o chamaram de volta é que eu perguntei:
- mas como é teu nome, cara?
- Wilsinho! Wilsinho Galiléia!
... o "bandido" que, pelos jornais, eu já sabia que, até ali, matara umas doze pessoas em assaltos e coisas-tais!
mas lembrem-se que menores jamais tem suas fotos publicadas ou são mostrados seus rostos nas telas de tv!
resumo da ópera: no dia anunciado pela globo que o primeiro episódio iria ao ar... quinze minutos antes chegou à sede da emissora uma ordem da censura proibindo o filme! e ponto final!
... por quê, depois do fim da ditadura militar o filme jamais foi ao ar?
sei lá! pergunta pra globo!

o ano do medo !!!

1968 já tinha começado "estranho"!
já devia ter entendido isso desde que, lá pela uma da manhã, eu, que já fora-obtuso em recusar todos os duzentos convites que tinha pra reveillons-maravilhosos e decidira, sei lá por qual motivo, passá-lo na minha própria-casa-no-aconchego-dos-meus (me mudara, lá por meados do ano que findava, da Ricardo Daunt pruma casona novinha-em-folha no, então, novo bairro do Jardim da Saúde (mais terrenos baldios do que casas)...
... não tinha, lá, um único amigo que fôsse (pois não podia chamar, exatamente, de "amiga" a songa-monga da italianinha Paola que só me servia pra eu dar amassos porque nem chupar ela chupava)...
mas eu dizia... lá pela uma-da-matina abri (dentro d'uma toalha pra não se ouvir o "plô" da rolha explodindo!) uma garrafa do champagne que, intacta, sobrara na geladeira! e, sozinho, comecei a beber tuuudo! no gargalo!
... as borbulhas estouram dentro do meu estômago e me fazem rir!
sozinho!
lembro-que-me-lembrei da Dulcina! e da Myriam Muniz! duas figuraças-doidonas-queridonas que seeempre me fizeram rolar de rir!
pronto! matei a porra da garrafa inteira!
e me dá uma pusta-vontade de pegar as chaves do meu carro e sair pelaí, na noite!
mas eu preciso dormir um pouco!
... essa porra de 1968 tá começando esquisito messsmo, né, Ivan José?
fui pro meu quarto e tranquei a chave a porta... ou a porta a chave?
sei lá!
eu tava bebaço! desmaiei na cama!
e foi assim que meu 68 começou! sozinho e bebado!
troca de cena:
meu primeiro dia de aula de 1968! colégio paulistano! primeiro
científico!
(sem o décio! que, por determinação do pai italiano, agora estudava no dante alighieri pra onde eu também deveria ter ido e, burro, não fui)!
entro na porra do pau-listado pelo que me parece ser a biolionésima-vez!
eternamente, calor ou frio, de calça-justa que parecia que eu tava pelado, blusão-de-couro preto e uma das dúzias de camisas de gola-rolê que eu tinha encobrindo a gravata que eu trazia, sim, por debaixo dela e exibia, toda-santa-manhã, nos meus últimos quatro anos e meio, pro debilóide-do-bedel no portão de entrada!
- onde fica a classe do primeiro colegial, calouro-cusão? fala logo e certo, senão te encho de porrada!
realmente eu tava mudado, né? cadê o Ivan José?
passava muuuitas tardes e noites na casa do Gordo, o antonio carlos das "indumentárias-mil"!
ouvíamos beatles (ambos nutríamos o mesmo desprezo pelos rolling stones!) enquanto bebíamos os uísques-caríssimos do pai-dele-dono-de-auto-escola!
cheirávamos muuuita cocaína, também!
... quer dizer, eu cheirava! ele, já então, se aplicava na veia!
e nos entupíamos de maconha, evidentemente!
e isso, claro, andava me afetando-bravo!
duvida?
troca de cena:
... saiba Vossa Senhoria que, recentemente (recentemente nesse 68, óbvio!), sozinho, eu pegara meu Aero e, mais-que-alucinado, só de shortinho e óculos-escuro, descalço, dirigira-o-não-sei-como e estacionara-o na frente d'uma padaria da Av. Jardim da Saúde na esquina com a Bosque da Saúde!
apeei, então, de meu veículo e atravessei, sem maiores-cuidados, aquela via-carrossável!
adentrei feito zumbi ou deus-do-fogo aquele estabelecimento comercial, semi-nú, descalço, suadaço e descabelado como estava, comprei-lhes e devo ter-lhes pago por uma dúzia inteira de bombas-de-chocolate que, dentro daqueles saquinhos-de-papel, já começaram a melar minhas mãos!
voltei pra dentro do meu carro (mais uma vez cagando se algum carro estaria passando e teve-ou-deixou-de-ter de frear pra não me matar!), mantive os vidros rigorasamente fechados, tranquei minha porta por dentro e sob um escaldante-sol de fevereiro d'uns 38 graus-a-sombra, passei a devorar o meu-banquete-báquico, sozinho, em coisa de meia-hora lá parado, tooodas aquelas 12 bombas-de-chocolate-ao-molho-do-meu-próprio-suor!
e imagino que estivessem deliciosas!
chris montez entoando "sunnys", muitas vezes-demais, e uns mais-raros "just friends", no meu toca-fitas portátil a pilha jogado no banco, ao meu lado!
troca de cena:
- ... sua sala é a número dois... ivan josé!
- saí, lekinho! eu sou o ivan josé memó, tá ligado?
é claro que estou "modernisando" as gírias porque não me recordo mais como elas eram nessa época, mas... viu? até os lekinhos ainda sabiam quem ainda-era o Ivan José!
e eu tava-fora da telinha e dos palcos-oficiais desde... desde quando messsmo?
sei lá!
me bate um desespêro!
sei lá!
... não posso ir pra minha sala!
agora não! ainda não!
quase-troca-de-cena:
dei a sorte de tooodos já terem entrado nas suas salas e, sei lá como, saio no grande pátio sem que nenhum inspetor me tenha visto!
deserto!
eu-sozinho-no-pátio-sozinho!
entro voando no banheiro masculino!
igualmente deserto, fedendo a mijo e, também ele, banheiro, agora, sozinho!!!
me tranco na primeira privada!
sozinha e eu sozinho-nela!
sento na porra do vaso-sozinho-eu-sozinho!
enterro minhas mãos nos meus caracóis-ouriçados e minha cara-inteira nas minhas mãos!
uivo!
baixinho, é claro, não perdi totalmente a consciência de onde estou, que estou dentro daquela merda de paulistano-sozinho!
sozinho!!!
meto uma cabeçada na parede atrás de mim!
e desabo em pranto!
eu-sozinho-demaaais!!!
merda!!!

30 de outubro de 1967

manhã de 30 de outubro de 1967:
saí da minha casa, no horário normal de ir pra escola mas fui de carro e não de busão (eu fazia isso várias vezes e foda-se qu'eu tinha 15 anos e, obviamente, nenhuma carta de motorista pra mostrar pra guarda nenhum! nunca liguei pra isso)!
nem parei na porta do colégio (rua de mão única) e fui direto pra esquina seguinte onde sabia que o décio estaria me esperando! parei e ele entrou!
fomos direto pro parque do ibirapuera! estacionei e o décio alugou um daqueles barquinhos a remo (na época havia disso por lá, sim!) e ele foi remando bem pro meio do lago!
não havíamos pronunciado uma única palavra entre nós dois desde que ele entrara no carro e até aqui!
estávamos, ambos, seríssimos! sérios demais-messsmo!!!
... e o céu foi ficando cada vez mais cinza-escuro! sei lá!
o dé parou de remar bem lá no meião e, então, explodiram, simultâneos, o raio e o trovão ensurdecedor!
lembro que pensei que nós dois ali, bem no centro-exato... sempre esse tal de centro-exato me perseguindo... no centro-exato daquele lago solitário (claro que não havia nem um único outro débil-mental remando lá com um tempo desses!) éramos um alvo-e-tanto pra qualquer dos deuses do olimpo QUE quisesse nos atingir em cheio e gritar: gol!!!
lembro que pensei que seriam tragicômicas as notícias que sairiam nos jornais, revistas e nos noticiários de todas as tvs!
despencou o temporal em cima de nós! em segundos estávamos encharcados! sem dizer palavra!
e aí... só aí ele olhou bem fundão no negro-dos-meus olhos com o beeem fundão do negro-dos-olhos dele!
juro que não sei dizer se aquela água-toooda que escorria dos olhos dele eram lágrimas ou apenas chuva!
ou a somatória das duas coisas!
sei que pulei da tabuinha em que me sentava e me sentei junto com ele, na dele!
... e que me agarrei nele e afundei meu rosto no peito-do meu amigo!
e chorei adoidado!
chorei, chorei e chorei!
- você vai? mesmo???
ele apenas acenou que sim!
meeerda!
eu já sabia!!!!!!!

CENSURA

a ignomínia abaixo, como vêem, só me virá ter às mãos em 1981...
mas creio que ilustra bem o momento em que estamos nesta história!
e o título da peça em questão... atentem à ele!


Ivan José - EAD

Ivan José - EAD

Ivan José

Ivan José
única foto scaneável do "preto de costas" em ação!
lendo, a esquerda, o zé ricardo!
o "grandão", no centro, vocês já adivinharam que é o décio!
a baixinha-loira ao lado é a elvira!
sentados na esteira estamos eu e a maria do carmo!

Ivan José e o Preto de Costas

Ivan José e o Preto de Costas

GRUPO DE TEATRO PRETO DE COSTAS II

PASSO DA SÉTIMA PRA OITAVA SÉRIE!
NAS FÉRIAS TENHO SONHOS REPETITIVOS! NÃO REPETITIVOS DE SEREM-SEMPRE=OS-MESMOS! REPETITIVOS POR TEREM, ABSOLUTAMENTE TODOS, O MESMO PRINCIPAL: O “MEU” GRUPO DE TEATRO PRETO DE COSTAS”!
MAS... O QUE SIGNIFICAM ELES, AFINAL? NA VERDADE
ELES NÃO ME DIZEM NADA, SÃO FRAGMENTOS DO QUE
JÁ ACONTECEU NO ANO PASSADO! NÃO ME INDICAM CAMINHOS, NÃO ME DÃO SEQUER DICAS! EU APENAS SONHO!
mas O FINAL, ESSE SIM, ELE SE REPETE, SEMPRE!
É O ADEMAR! O ADEMAR GUERRA! E ELE TÁ MUITO PUTO COMIGO! ME OLHA, SERÍSSIMO, O CIGARRO ACESO APONTADO PRA MIM E DIZ:
- agooora, porra! é agora ou você nunca mais vai entender isso, IVAN!!! ENTENDE O QUE EU TO DIZENDO, PORRA!!! é agora ou nunca!!! VAI... E FAZ!!!
E AÍ EU ACORDO, SEJA A HORA QUE FOR!
... AGORA, SIM, ESTAMOS EM 1967!
EU NA OITAVA SÉRIE, O MESMO PAULISTANO, OS MESMOS COLEGAS DE CLASSE PRATICAMENTE, A MESMA MARIA IZABEL E A MESMA ROTInA!
digo pra ela: este ano vamos montar um espetáculo diferente!
- como assim "diferente", Ivan?
- você me ajuda?
e ela nem pensa duas vezes:
- claro!
troca de datas mas o mesmo-paulistano:
noite de 29 de outubro de 1967!
segundo espetáculo do preto de costas!
a mesma equipe-diretora dirigia mas com funções específicas: o nessim resolvia eventuais problemas de elenco no sentido de ajudá-los no que precisassem ou resolver eventuais rusgas; o décio operacionalizava o que fôsse preciso; e eu criava!
continuava não havendo cenário mas havia luz (que eu conseguira mesa e refletores emprestados). José akira Nakamae "virou" o nosso técnico de iluminação!
a escola não cooperou em nada com os ensaios e nos cedeu um tempo-ridículo pra montagem da luz mas... vamo-que-vamo!
- merda!
eu disse à todos! mas esqueci de dizer que "merda", em teatro, quer dizer "boa sorte" numa estréia!
dei o sinal e o akira deixou nas trevas o auditório lotadésimo do colégio paulistano!
entramos pela platéia com velas acesas nas mãos, inteiramente vestidos de negro, pelas duas escadarias laterais! Mirane já interpretando "Rapsódia espanhola, habanera", de ravel, ao piano!
o espetáculo, agora, tinha um tema central: abordava toda a literatura brasileira, do barroco ao modernismo, começando com o poema "despede-se o autor", de Gregório de Mattos Guerra e, pensavam todos até aquele momento, terminando com o elenco todo cantando a "chegança", do edu lobo e vinícus: "trazendo na chegança gente velha, mulher nova e uma quadra de esperança"!
usei muita expressão corporal e trabalhei com as sombras que, na verdade, íam compondo e decompondo cenários sobre cenários! diferente pra cacete de tudo que qualquer um ali já houvesse visto! lembrar que eu não dispunha de um teatro mas, apenas, dum insípido auditório-escolar!
comecei a desbundar-interiormente antes do meio do espetáculo! observava as reações do público! eles não acreditavam no que estavam vendo! cadê o auditório vetusto, austero e feio em que eles haviam entrado poucos minutos atrás? e que raio era "aquilo" que aquele bando de crianças estava fazendo ali embaixo naquela semi-lua pequenina fazendo-a virar lua cheia e sol ao mesmo tempo? ou será que tudo aquilo não passava de algum tipo de nova droga alucinógena, tão em uso na época (LS... quê?) e eles não estariam vendo apenas um bando de pivetes pretenciosos dirigidos por aquele famoso ator-mirim da televisão que, olha ele lá que lindinho!... mas já faz um bom tempinho que não faz mais novela nenhuma, né?
eu só abria a minha santa boca pela primeira vez no 14o. poema do espetáculo: "ismália", do alphonsus de guimarães! só eu e o décio! ele não falava, apenas eu! ele me servia de partner e eu subia nele e fazíamos uma coreografia máscula e amalucada de um vigor... sei lá! sei que ao final desse 14o. poema surgiram os primeiros aplausos em cena aberta do espetáculo!
eu comecei a chorar quando, pela segunda vez, no final do 16o. poema, a platéia aplaudiu o meu-décio que, sozinho e apenas segurando na interpretação, disse "a rua", do cassiano ricardo!!!
e isso me quintuplicou as forças pra dar um verdadeiro murro com o meu "canto aos palmares", do solano trindade "proibido", que eu interpretava com pequenas participações em jogral do décio, elvira, suely e zé ricardo!
(poema esse que não constava, evidentemente, da lista de poemas que eu entregara à diretoria do colégio)
... vi que a maria do carmo, coordenadora, e o diretor, nicanor, sentados na primeira fila, ficaram tããão tensos... que juro que pensei que eles fossem interromper a apresentação!
mas não tiveram peito pra isso e eu pude "cantar aos palmares sem inveja de virgílio, de homero ou de camões porque o meu canto é o grito de uma raça em luta pela liberdade"!
uau!
a platéia veio abaixo nos aplaudindo! de pé!!!
estávamos em 1968 e os militares não eram, exatamente, estrelas em ascenção entre o nosso povo!
durante o "soneto da separação", do vinícius de moraes, ante-penúltimo poema do espetáculo e o único que interpretei em solo... uns 90% das mulheres presentes e uns 50% dos homens-de-verdade-sem-problemas-de-auto-afirmação começaram a chorar!
compreenderam que eu não falava dos estados d'alma e nem de amores-egoístas, como o vinícius escrevera, mas que "de repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma... de repente, não mais que de repente" representava o estado de paralisia e perplexidade em que vivia o povo brasileiro perante a sordidez que se praticava nas ruas e quartéis deste país manietado e amordaçado por aquele regime inumano e cruel em que vivíamos!
felizmente... ninguém aplaudiu no final! entenderam e ficaram em profundo silêncio!
Mirane atacou, mas suave, a introdução de "estatuinha", do edu lobo!... a elvira se levantou e solou, sob a luz direta d'um único refletor potentíssimo: "se a mão livre do negro tocar n'argila o que é que vai nascer?"... e assim foi a música até o seu final com o elenco todo cantando-respondendo-lhe apenas na penumbra que o refletor-potente aspergia à sua volta!
e... black-out! fim do espetáculo!
... quando todas as luzes tornaram a se acender o público já estava de pé aplaudindo todos aqueles "meninos e meninas lindos" e tão bem criados e, ainda por cima, talentosíssimos, politizados e corajosos, quem diria!!!
todos... menos duas figuras abjetas que ocupavam cadeiras na primeira fila mas não se atreviam e nem se atreveram, depois, a mexer com uma serpente-perigosa e resoluta!




GRUPO DE TEATRO PRETO DE COSTAS

retorno ao momento em que eu disse, antes:
- vamos montar um grupo de teatro aqui no paulistano!
Maria Izabel me olha e sentencia: - claro, Ivan, claro que sim! adorei sua idéia! vamos fazer, sim!
no dia 24 de outubro fazemos a primeira das 4 apresentações do nosso espetáculo (roterizado pela maria izabel e eu e “dirigido” por uma comissão formada por: décio, nessim (o árabe-gigante e também meu amigo embora-longe-de-igual-ao décio) e eu!
sem uma lógica de encadeamento! "apenas um recital de poesias", como afirmaria a pavorosa-dentuça maria do carmo, coordenadora do paulistano!
sem iluminação que não a do próprio auditório do colégio e nem cenário algum!
apenas o figurino já chamava alguma atenção: todos de negro-absoluto! por quê? porque, pra nós, “preto de costas” significava “um luto à sociedade brasileira vilmente dominada e submetida à essa vergonhosa ditadura militar que se instaurou em nosso país” (lembrar que estamos em 1966)!
... apenas uma coisa incomodou a diretoria do paulistano nesse espetáculo: o único texto que eu escolhi pra dizer eu-mesmo e que era o poema “tem gente com fome”, do solano trindade, autor já-então rigorosamente proibido pela censura federal!
eu o interpretei e montei com um jogral de fundo composto pelo décio, mirane (ao piano), maria do carmo (não a coordenadora, óbvio, outra) e elvira!
mas... apesar do “tem gente com fome” (que eles cortaram)... a diretoria concordou que o público adorara e permitiram que nos apresentássemos mais 3 vezes pros alunos dos períodos da manhã, tarde e noite, também! sem o "tem gente com fome"! e eu topei!
eu já tinha outros planos, então!

DETONEI A DUBLAGEM !!!

DETONEI A DUBLAGEM !!!
... o quê, afinal, eu vi ouvi e, logo, entendi naquele trecho montado pelo Egydio?acho mais simples e persuasivo tentar reproduzir o que vi E OUVI pra vocês não ficarem com qualquer dúvida, ok?
música de fundo! linda! o menininho anda pela floresta catando amoras do chão e pondo na sua cestinha! a cestinha já está semi-transbordante!
camera corta e, lá de cima da árvore, um pequeno e lindíssimo esquilo, emite uns cômicos sons ininteligíveis (o filme inteiro era só com sons naturais dos animais e apenas o menininho emitia os característicos "sons-de-fala-humana"! entenderam essa parte, agora? porque só eu falava-palavras-humanas no filme?)
corte pro menininho: - ah, desculpe, senhor esquilo! não sabia que estas amoras eram suas! perdão! (aqui ouça a voz do Ivan José que, na época, qualquer um reconheceria como sendo a autêntica voz do Ivan-José-da-televisão-e-do-teatro)!
corte pro esquilinho: novos sons ininteligíveis pro ser humano comum!
corte pro menininho: - tá bom, tá bom, já vou embora! mas o senhor está sendo bem egoísta, hein? (aqui ouça a voz do... sei lá... do engraxate da esquina, muuuito mais grave que a do Ivan José e pense: coitado, o Ivan José deve ter ficado doente e tiveram de substituí-lo! mein got! será doença grave?)
corte pro esquilinho e mais alguns sons ainda mais cômicos!
corte pro menininho: - então! eu queria apanhar só umas poucas daqui! hummm! elas parecem deliciosas! posso, ao menos, experimentar uma, senhor esquilo? posso? (aqui ouça a voz daquele menino-de-rua que você sempre encontra no farol da esquina vendendo balas, digamos que um tom intermediário-falho entre as vozes do Ivan José e a do engraxate)
e pronto! foi isso o que eu vi no vídeo que o Egydio me mostrou e foi por isso que corri pro estúdio e chorei daquele jeito!...
porque, pra esse Ivan José que eu era nesse dia... não era nada fácil e infinitamente angustiante ver o "Ivan-José-garoto-prodígio-melhor-ator-infantil-do-país" começar a sair de dentro dele... e ser, aos poucos mas com violência, substituído por um "novo" Ivan José...
e que eu não podia sabia saber, ainda, ao certo... no quê ía dar!!!


Ivan José e Henrique Ogalla

Ivan José e Henrique Ogalla

breves descrições da "caixinha de jóias"

foto 1: capa do programa de "tia mame"
foto 2: foto e dedicatória de Dulcina de Moraes ao "seu pequeno-grande-patrick-eu"
foto 3: ... e me perdoem os "durões e duronas" mas eu confesso que ao scanear esta página eu chorei pra caralho!
foto 4: primeira página do elenco no programa de "tia mame" onde estão Rubens de Falco, Marina Freire, eusinho e Sydnéa Rossi
foto 5: primeira página da sequência de cenas e participantes de "tia mame" no 1o. ato. atentar que risquei o nome de Marina Freire do papel de Mame Burnside e troquei-o pelo de Conchita de Moraes. isto porque Conchita, por já estar bastante adoentada, no Rio de Janeiro, onde morava, mas que teve, felizmente, uma melhora, chegou no dia da estréia e, sem ensaiar conosco (já fizera esse papel na temporada do Rio), entrava em cena de cadeira de rodas (e a platéia vinha abaixo e explodia em palmas que, muitas vezes, chegavam a durar mais de cinco minutos sem que ela tivesse dito, ainda, uma única palavra) e cumpriu, sim, pra minha imensa felicidade, honra e aprendizado toooda a carreira de mais de 3 meses de espetáculos, de terça a domingo, com sessões duplas aos sábados e domingos!
foto 6: segunda página do programa com as cenas do 2o. ato! notem que eu abria o ato com "patrick em são bonifácio" e que na 3a. cena, "patrick em rumson" já era o pompêo quem fazia o patrick adulto! mas... vejam a última cena da peça: "tia mame e o filho de patrick vão à índia"! viram? então... eu voltava à cena interpretando "o meu próprio filho" michael!!!
... e nao guento não contar à vocês como era o agradecimento final!!!
(só a conchita não entrava pois assim que terminava sua cena (no primeiro ato) a enfermeira já a levava de volta ao hotel!)
era aquela mis-an-scene beeem tradicional e "estrela" messsmo!!!
... as cortinas se fechavam com eusinho, Michael, e a tia mame subindo as enormes escadarias dos fundos do cenário e ela me dizendo que me levaria pra ver as maravilhas do mundo... cena que no início do primeiro já tínhamos feito, quase idêntica, só que eu interpretando o patrick, meu pai!!!
pois bem! imaginaram? a platéia já irrompia em brados e aplausos enquanto nós dois subíamos... imaginaram messsmo???
bom... aí:
a) as cortinas se fechavam!
b) as cortinas se reabriam! palco vazio!
c) entravam a maioria do elenco ao mesmo tempo e aí se perfilavam, agradeciam e abriam, colados quase nas coxias deixando, portanto, todo o palco livre!
d) entravam, então, por laterais opostas: Rubens de Falco, Myriam Muniz, Marina Freire, João José Pompêo, Sydnéa Rossi, Assunta Perez, Guyloup e Ayrton Facchini. perfilavam-se, agradeciam, iam, sem dar as costas, para o fundo do palco e ali se postavam... deixando, apenas, a passagem da escadaria absolutamente livre!
d) aí... como a Dulcina-diretora marcara, rigorosamente... o Ivan José começava, beeem devagar e majestosamente... a descer... sozinho... a imensa escadaria!
e) no meio da escadaria parava... e lá do alto fazia meu primeiro reverence ao público!
f) aí... continuava descendo (sempre beeem devagar e majestosamente)... chegava ao chão do palco e caminhava até o seu centro-exato (porra! lembro da Dulcina me dizendo isso: - Ivan, atenção! tem que ser exatamente aquiii! no centro-exato do palco! aqui é que vive o espírito-do-teatro!)
g) aí... e ela me ensinou isso com perfeição... quando eu percebia que a "intesidade de volume das palmas" baixou uns 10% - sinal de que as palmas das mãos deles já estão ardendo, entendeu, ivan? - me disse minha amigona-mestra!...
h) ... aí... eu retrocedia, de costas... tornava a subir 3 degraus... e estendia meu bracinho esquerdo para o alto das escadarias
i) aí Dulcina começava a descer... e aí quase que cessava a marcação porque ela improvisava a cada dia!
de marcado havia ainda, apenas, que:
ninguém podia sair dos lugares onde estavam!
ela me dava a mão quando chegava até mim, descíamos juntos os 3 degraus e quando chegávamos ao centro-exato-do-palco eu a soltava e ela ía pro proscênio agradecer e receber as várias corbeilles de flores que sempre haviam muitos dos espectadores que vinham lhe entregar... a sua camareira (que não era atriz e nem surgira em momento algum antes, entrava, impecavelmente uniformisada e maquilada, e ía-as recebendo das mãos da Dulcina... a camareira saía... ela me olhava... me chamava... eu corria pra ela... beijavamo-nos... e, mãos dadas, agradecíamos juntos!!!
... e ela, quando lhe desse na veneta, fazia um sutil gesto com a mão esquerda (a direita agarrada na minha) pro contra-regra na coxia... que era o sinal pra que ele fechasse as cortinas e... the end aquela sessão!
lindo, né???
não era nada-democrático, lógico, mas muuuitas vezes durava cinco minutos ou mais!!!
foto 7: eu, orador na formatura da 8a. série no Colégio Paulistano!
foto 8: eu sendo cumprimentado pela secretária e irmã solteirona do dono da escola que esticou tanto o pescoço pra ver se ficava à minha altura que quase destroncou a coluna!
o velhinho, ao lado, que me observa com olhos de "enfim você vai sumir" era o meu estimado professor de música que, menos de 15 dias antes, me suspendera por uma semana apenas porque ao invés de eu cantar "já podeis da pátria, filhos, ver contente a mãe gentil" (lembrando-nos de que estávamos em plenos primeiros anos da ditadura militar e que ele era coronel reformado do exército!) eu berrei, a plenos pulmões: "japonês tem quatro filhos e merece muito mais"!
foto 9: minha sala, no imbecilóide "curso de madureza"! sou o segundo na primeira fila à direita! fácil me achar! basta observar que tooodos os meninos estão de camisas brancas... e eu sou o único de camisa escura! hehehe!!!
foto 10: comissão de formatura: Ivanzão-eterno-cigarro-na-mão e as suas odaliscas (no bom sentido, é claro)!
foto 11: cartaz da peça "nasce uma estrela", produzida e dirigida por dionísio (ou baco), deus do teatro! hehehe!!! brincadeirinha, brincadeirinha!!!
foto 12: José Luís, eusinho e Mateus na escada que dava pro quintalzão inferior da casa da R. Madre de Deus! notar que as "orelhas-de-abano" são, sim, uma autêntica herança familiar!
foto 13: uma das inquilinas, minha mãe e eu recebendo aluguéis dos vários sobradinhos que minha avó possuía! o nome da nissei era fudiku tokotake e seu marido se chamava yoshiro tokotake! e não é piada nenhuma! ... embora eu nunca conseguisse encará-la sem já começar a me mijar de rir!
foto 14: escadaria da frente do externato d. pedro I, minha classe de 4a. ano espetacularmente aumentada para o absurdo número de seis alunos! esquerda pra direita: um japa que era riquíssimo e ía de chofer particular pra escola, o endiabradíssimo meu amigo Horst dietr, eusinho-baixinho, Gally, o Lorenzetti-dos-chiveiros em quem eu dei um soco e outro alemãosinho que parece que era primo do Horst mas era muito idiota-demais!
foto 15: a parte que me cabia no programa de "Camila"
foto 16: eu fantasiado de chinesinho pra provar que eu já era chegado em encarnar personagens desde velhos carnavais!
foto 17: ficha técnica dentro do programa de "césar e cleópatra"
foto 18: exatamente o que vocês estão pensando! a dedicatória de Cacilda Becker pra mim quando me deu de presente o livro "Método ou loucura", que era seu e não presente-comprado, para ler... e eu li... quando não tinha completado, ainda, nem 12 anos de idade!


















E É, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, DENTRO DA MINHA VIDA ESCOLAR QUE O TEATRO VOLTA MAIS FORTE !

o que tem a ver eu contar trechos da minha vida escolar num blog que fala sobre a minha carreira?
absolutamente tudo!
mas falar, apenas, de alguns momentos que tiveram a ver com teatro ou com a minha necessidade-de-teatro, evidentemente!
desse teatro que nunca me atrapalhou nos meus estudos mas que "atrapalhou" escolas, mestres e colegas que não sabiam como lidar com o Ivan José vivendo ao lado deles!
- o Rainha dos Apóstolos, por exemplo, onde fiz o primeiro e segundo anos, me "convidou" a mudar de escola porque muitos pais não viam com bons-olhos "alguém do meio artístico" convivendo com seus rebentos assim que eu comecei a fazer o pablo! isso quando eu tinha 9 anos de idade!
- fui estudar no Dom Pedro I, caríssima, que funcionava numa daquelas gigantescas mansões ao lado do monumento do ipiranga e que foi a primeira (e única, até hoje) escola no brasil a seguir o método summerhill !
- depois fui pro Paulistano, tradicional colégio da rua taguá, na liberdade, onde, eu então na terceira série do ginásio, tive por professora uma moça-linda do interior que se chamava maria izabel!
ela amava poesia e teatro... que eu amava, também!
breve, tornou-se hábito que eu dissesse (porque eu jamais "declamei") poemas para a minha classe e para ela nas suas aulas e isso, logo, tornou-se um hábito!
só que, uma manhã (eu estudava pela manhã) acordei com uma súbita-idéia na cabeça... mas aguardei que ela, como sempre, interrompe-se a aula pra me perguntar que poesia eu escolhera pra hoje... pra dizer:
- nenhuma! chega de falar poesia só pra classe! nós vamos montar um grupo de teatro aqui no paulistano! fechado?
ela topou!
e em breve nasceria o preto de costas!



Ivan José e Mike

Ivan José e Mike

FALANDO DE ERROS E AVALIANDO

antes que eu dê, aqui, meu primeiro salto da fase infantil para a minha fase adolescente deixe que lhes conte umas poucas coisas!
comecei a lhes contar minha vida profissional desde 1961, quando estreei, com apenas 9 anos e, agora, estamos aqui, no ano de 1967... e eu já tenho 14 ou 15 anos (dependendo do mês em que vocês queiram me situar)!
penso: tão poucos anos, tão pouca idade e já fiz mais coisas e vivi mais e conheci mais gente maravilhosa, e também ridícula, do que muitos seres humanos no decorrer de toda a sua existência!
... disse-lhes que apenas uma vez tive a interferência de alguém (minha mãe) nas minhas decisões sobre o que fazer ou deixar de fazer e não menti!
mas acho legal lhes contar sobre as únicas duas coisas que ficaram na minha cabeça como "possíveis-erros" em todo este período descrito até aqui!
1. em 1963 (ou início de 64) o Gianfrancesco Guarnieri veio me procurar, junto com o Augusto Boal, pra me convidar pra fazer uma peça com eles lá no Teatro de Arena! tentei-que-tentei lembrar qual era mas ainda não consegui! e eu disse: não! por quê? porque já estava compremetido com a "Camila"! burrinho eu dessa vez, nééé???
... e só voltaria a reencontrar e ter o imensíssimo prazer e honra de me tornar amigo-e-companheiro-de-buteco, contracenar e ser dirigido pelo Guarnieri em 1970, na novela "dez vidas", a última novela da excelsior! chegando lá eu conto, tá?
3. também em 63, eu estava dublando sei-lá-o-que na Odil Fonobrasil e sou chamado porque il signore diretore Alberto D'Aversa está lá no jardim me esperando pra falar comigo:
- tutto bene, bambino mio?
- si! piacere, signore diretore! adoro você, cara! que bom te conhecer pessoalmente!
a proposta: se eu queria filmar "Gimba", com ele!
- ... não é um papel grande, entende? você só aparece no final! você é o filho do Gimba, capicci? mas aí, quando ele é morto... porra... a cena final é magnífica, eu vejo... abre num big-close teu... você no alto da favela, sozinho... um shortinho meio rasgado, descalço, sem camisa, capicci?... descabelado... e venta, venta muitíssimo!!! ...o sol se pondo por trás de você, côres maravilhosas!!! a câmera vai afastando... muito, muuuito lentamente... até que teu corpo inteiro ocupe o plano todo... ah, e esqueci di falá... desde o começo desse final, de fundo, entrou junto a música tema do filme, o "ninguém no teu morro te esqueceu" (ele cantou esse pedacinho pra mim e... porra!!! é óbvio que eu tava vendo a cena!!! e como!!!)... aí, de repente, atrás de você, explode um puta dum relâmpago! e você, rápido, mete a mão no bolso do teu shorts e tira um revólver ao mesmo tempo que o barulho do trovão faz as cadeiras do cinema tremerem e o público se arrepiar e aí você berra bem alto, o mais alto que você conseguir... PAI!!! e aí o público todo vai começar a chorar e... - pausa! - ah, si, bambino mio... a chorar... assim como tão pingando essas lácrima de você allora!!!
... e nós dois rimos-eu-chorando!!!
- ... i, parla, caro mio: aceita fazer o "Gimba" con me? você faz minha última e belíssima cena pra mim?
- caralho!!! é claro que eu aceito, porra!!! - e parei de chorar!
... só que... o cachet até que era alto, sim (considerando-se ser uma única cena e um único dia de filmagem pra mim!), mas ele tinha uma exigência: apesar de moreninho e de, ao tomar sol, até hoje, minha pele rapidamente adquirir um tom moreno-bem-escuro, ele precisava que eu fosse pro Rio filmar dentro de uns 3 dias no máximo! e me deu um papelzinho com o telefone dele no Rio junto com o endereço d'uma clínica de estética, aqui em Sampa, onde já estava, inclusive, paga uma sessão de bronzeamento artificial rápido pra mim!
despedimo-nos com tudo mais que combinado e beijos e mais beijos-de-carinho de ambas as partes! fiquei fascinado por ele!
... só que... essa foi a minha segunda burrice: aceitei que minha zelosa mamãe me levasse ao Dr. Ernesto (que fez não só o meu parto como, também, o da minha irmã e, depois, da minha sobrinha Tatiana!)... e ele disse que não porque isso causava câncer! mein got! cancêr de pele por causa de meia hora dentro de um forninho de bronzear? santo preconceito!
... só que... entre meus chiliques e sins e nãos e vou-não-vou-e-vou-vou-e-vou e não porque dá câncer e teu avô morreu de câncer e tchi-tchi-tchis e tcha-tcha-tchas... até eu "chilicar-de-vez" e dizer "vou" e ligar pro tal telefone no rio pra confirmar que fazia o bronzeamento e voava pra lá em seguida... já tinham se passado 3 dias sem eu ter me comunicado... e o D'Aversa já tinha filmado as cenas do filho do Gimba com um lekinho já-naturalmente-morenão-escuro que ele catou lá na favela mesmo, de improviso!!!
e aí... eu não fiz o filho do Gimba com ele!
e, depois, quando eu assisti... o final do filme não foi como o D'Aversa tinha me falado que iria ser comigo!!!
sei lá por quê!
mas não pude perguntar! nunca mais nos encontramos!

Ivan José Pablo

Ivan José Pablo

INTERLÚDIO

tudo aconteceu de repente porque, claro, mesmo quando se sabe que algo ruim é inevitável a gente sempre leva um choque quando o momento chega!
... numa tarde qualquer, talvez uma semana, no máximo, depois de eu ter me livrado, enfim, do "pesadêlo-reinante"... sem aviso prévio nem telefonema anterior (o que seria o mais normal) o Egydio Éccio (que eu não via há bem mais de um ano porque, realmente, a novela ocupava todo o meu espaço) aporta a minha porta (não mais a bordo do Gordini branco mas de um carro vermelho que não lembro mais de que marca era), todo animado!
- preciso falar com você!
ok! uma dublagem! pra cinema mesmo! longa-metragem? tá bom! ah, tá! um filme de um único personagem humano, um garotinho! sei! ah, tá! hum! sei! ah, legal! ... e todo esse monte de animais na floresta entendem mesmo o que ele fala com eles? ah, tá! pô, que idéia legal, né? sei, só eu falo o filme inteiro, tá bom, já entendi! uma semana inteira? claro que dá! a gente mata isso antes de uma semana, Gy, fica tranquilo!
troca de espaço:
um estúdio pequeno mas altamente confortável e tudo-mais que eu nem sabia que existia num andar lá em cima dentro do prédio da Aliance Française, perto do apê do Ademar!
legal o filme! imagens muito lindas, de verdade!e!
porra... o mulequinho falava pra caralho mesmo, o filme inteiro o porrinha parecia que não parava de falar um minuto! mas tudo bem! além do mais até eu, acostumado a isso, achei meio exorbitante-demais quando o Gy me disse o quanto eu ía receber por esse trabalho!
tres dias depois:
já estávamos pra lá da metade, como eu previra e prometera ao Gy na minha house! eu sou foda mesmo!
chego no estúdio (agora virei-hominho, minha mãe não precisa mais ficar indo comigo aos lugares onde trabalho!
... mas o Egydio tá com uma cara... que cara é essa??? não é braveza! muito menos... sei lá... que porra de cara é essa que eu nunca vi no meu Gysão?
- vem cá! - (entramos no switch de gravação) - sentaí! - (sento. ele senta nos controles) qué coca tem aí na geladeira!
- não, obrigado! ... que foi, Egydio???
- ... não, é que... - (ele suspira) - ... olha esse trecho que eu montei e me diz se tá bom... ou se tem alguma coisa... sei lá... olha e aí você me fala!
não entendi nada!
cacete! se ele já tava até montando os anéis e já tava quase tudo pronto, então... porque essa cara de cú e esse mistério todo???
mas me concentrei no monitor quando ele ligou e começou a rodar!
ele rodou uns... não sei... uns dez minutos de uma sequência inteira já montada... mas... pra que?
depois de uns 3 minutos eu já tinha sacado tudo!
só que... e se fosse só impressão minha???
... e se... e se...
caralho! que merda, porra! aconteceu!!!
o Gy desligou tudo e a tela apagou!
- ... e aí?
- ... e aí o quê? fudi tudo! só isso! desculpa!
- (ele levantou e veio pra mim) - não, Ivan, espera, não é isso! é só que...
- ah, Gy, sai fora! me deixa em paz, vai!
corri pra dentro do estúdio vazio ao lado... que tava todo apagado... o Gy nem veio atrás de mim e nem acendeu nenhuma luz lá dentro!
apenas esperou, paciente e meu-amigão e grande-colega-de- trabalho... até eu parar de chorar e voltar pro switch e, aí sim, pegar uma coca beeem gelada na geladeira e começar a tomar!
afinal... eu não ía mais dublar aquele filme mesmo!!!

Ivan José (Jundiaí - casa dos meus avós paternos)

Ivan José (Jundiaí - casa dos meus avós paternos)

FAMILY ALBUM

claro, estas 3 não são fotos que pertençam à História da TV e Teatro Paulistanos!
pertencem à Minha História pessoal!
e, logo, por isso, pertencem a essa História toda!
foto 1: eu e a tia trindade
foto 2: sentadinho no chão, de branco, um priminho do Rio! eusinho ao lado dele! agachados, à direita meu primo José Luís e, esquerda, o Mateus! atrás, em pé, terninho branco, meu primo do Rio irmão do sentadinho no chão de branco! como creio que nunca os ví depois disso não lhes sei os nomes!
foto 3: atrás, em pé, minha mãe comigo no colo, tia Alzira, meu avô José Pereira Cardoso, minha avó Ermelinda e a tia Maria. à direita a Eunice, a Didade no centro e, ao lado, a Emília. na frente, agachadinhos, o Zé Luís e o meu Mateus!
todas as 3 fotos batidas na nossa "casinha" imensa da Av. Paes de Barros - Moóca - São Paulo - SP, onde morei dos meus 6 meses aos 3 anos!

Ivan José e dona Trindade

Ivan José e dona Trindade

Ivan José entre os seus queridos primos !

Ivan José entre os seus queridos primos !

Ivan José and your family !!!

Ivan José and your family !!!

... POIS É... MAS ACABEI DANDO UM JEITO PRAQUELE MEU "REINADO" DURAR BEM-POUCO MESMO

a estréia foi numa segunda e na quarta eu cheguei na hora marcada! 4 da tarde, acho! pros tais "ensaios" daquela "coisa"!
mas "aquilo" precisava de ensaios... pra quê?
e cheguei na hora não por problemas de consciência ou ciência profissional!
cheguei na hora porque queria evitar maiores atritos desnecessários!
exibindo a calça de cetim, camisa e meias passadinhos num cabide que eu trazia na minha mão!
depois... eu não tinha nada mesmo pra fazer naquela tarde! hehehe!
e estava absolutamente tranquilo!
nem uma única nota, absolutamente nada saíra na imprensa e nem mesmo meus vizinhos e colegas de escola parecem que sequer souberam que aquela abominação estava acontecendo!
tive a sorte de que na emissora x (não vou dizer) estreara um certo programa que iria monopolizar, totalmente, aquele horário das sete por mêses! e o público que assistia ali, no auditório, eram, sempre, as mesmas pessoas das vizinhanças e pais e familiares dos "talentos" que iriam lá se apresentar!
aliás... se eu não estivesse lhes contando isto, aqui, acho que ninguém nem-mais saberia que esse malfadado-programelha jamais existiu!
mas por quê não registrar a verdade, não é mesmo?
... mas assim que entrei, tive uma grata surpresa!
um leke da minha idade, com cara de doido-do-bem, veio correndo pra mim e me abraçou e, todo atrapalhado, se apresentou como o irmão mais novo da minha "princesa" Jô!
queria me conhecer e isso e aquilo! era meu fã, adorava o joão pão! obrigado! beeem exaltado!
resumindo:
dei a roupa pra minha mãe pedindo que a levasse pro camarim... sentamos ali na platéia e, em menos de cinco minutos, éramos amigos! exatamente o tipo de amigo que eu sempre adorei! meio amalucado, hiper ativo, inteligente com certeza! infelizmente esqueci-lhe o nome, senão dizia!
... bom... mas eu acabei, por acaso, também não ensaiando esse segundo programa!
por quê?
porque não me encontraram em lugar nenhum até uma meia hora antes das sete da noite!
por quê?
porque desde "gente como a gente" eu morria de vontade de entrar numa grande galeria de esgoto (que dava fácil pra muleques do nosso tamanho entrar) nos fundos da lateral esquerda do prédio da Av. Rubem Berta da Record... só que eu sempre tive medo de entrar sozinho! e sei lá porque eu falei isso pra ele logo no começo do nosso papo... e nesse dia eu satisfiz minha curiosidade! entrei e explorei a "caverna do demônio" junto com o meu novo amigão! - favor lembrarem-se da idade que eu tinha e de como já me considerava totalmente-traído e, portanto, sem qualquer compromisso profissional com quem também não o tinha comigo! jamais haviam agido e, jamais, felizmente, voltariam a agir comigo assim depois!
ok, abreviando: foi-se o segundo programa, o terceiro (onde também sumi dos ensaios porque fomos explorar o forro dos estúdios, que dava pra entrar se espremendo por uma escadinha que tinha no estúdio menor)... e na semana seguinte o quarto, o quinto... eu e meu new friend sempre desaparecendo pra aprontar alguma nova "aventura" e eu sempre improvisando e mudando as falas e, agora, já tendo sido suprimida a "cena" em que La Regina dava-me sua meio-gordeta-mão à beijar!
... mas... antes do sexto, numa sexta...
eu nem tinha entrado direito no "circo" (o estúdio das lutas-livres e programas de auditório! já contei que, na época, um dos meus ídolos e meu amigão era o Teddy Boy Marino, em pessoa?)
... "a" começou o seu arqui-altíssimo e desaforado discurso!
e totalmente contra a minha estelar-pessoinha!
o quêêê??? tá falando comigo???
bastou um rápido olhar e um ligeiro gesto meu, de cabeça!
meu amigo correu pra perto de mim! eu olhei pra "rainha-da-emissora" ... ri! e saímos correndo pra fora daquele circo onde se perpetrava (ou pretendia-se perpetrar) a palhaçada-toda!
e, como sempre, só reaparecemos minutos antes da "coisa" ir pro ar!
... mas esse sexto "Reinado" foi chato demaaais!
todo mundo tenso demaaais! - menos eu, eu estava, apenas, enfastiado, totalmente desmotivado nem pra improvisar!
pra piorar... tooodos os "números" no picadeiro foram de décima-categoria!
a dona-rainha suava, errou tudo, gaguejava feito uma capivara! capivara gagueja? seu-rei suava, ninguém riu das palhaçadas dele nesse dia! nem eu!
e eu soube que a audiência andava na casa dos menos 1!
também... uma "coisa" ruim daquela e com aquele povo-falso cheio de maquiagem podia dar certo???
e eusinho que não ía fazer-nadinha pra tentar consertar!
no sábado, pela manhã, recebo um telefonema me "ordenando" que comparecesse à record a tais horas, nessa mesma tarde, apresentando-me na sala de quem me traíra!
ri por dentro... e confirmei a minha presença, lógico!
não falei nada da verdade pra ninguém em casa! e decidi fazer uma coisa que jamais havia feito antes: pegaria meu dinheiro e iria sozinho, de taxi, pra lá!
e fui, fingindo que estava, apenas, indo brincar na rua!
troca de local:
cheguei e subi!
olhei pra secretária e falei qualquer coisa como: fala pro teu chefe que eu cheguei!
ela interfonou: ele mandou você entrar!
entrei, né?
- escuta aqui, Ivan José, você...
- escuta você! cadê o contrato que eu assinei?
ponto meu! peguei de surpresa, né? eu tinha prática de elaborar roteiros e cenas! até então só interpretara excelentes autores e tivera graaandes diretores, felizmente!
- ... porque você quer saber isso?
- porque eu quero que você rasgue ele e as cópias!
- ... você ficou louco, Ivan???
- não! por quê? você não vai rasgá?
- é claro que não!!!
- então tá! tô saindo daqui e vou convocar uma coletiva de imprensa na minha casa!
- ... tá louco, Ivan? entrevista coletiva pra quê?
- ... pra contar que assinei um contrato porque alguém me jurou que ía contratar todos os meus amigos e me dar um programa com eles mas me jogou "naquilo"!
- quê???
- nada demais! apenas pra contar a verdade e explicar porque eu não trabalho mais aqui!
pausa! nós dois nos encarando! o "piveti" e o boss!
troca de cena:
tomei outro taxi com o bolso da calça cheio de papéis rasgados!
nova troca de cena:
dia seguinte, hora do almoço, minha casa!
só aí eu contei pra todos o que eu tinha feito e meu pai logo sossegou quando fui buscar os papéis rasgados e lhe mostrei!
fim do capítulo!


E... BEM...DESTA VEZ... ACABEI ME SUBMETENDO A SUB-REINAR... POR "ALGUNS" DIAS

o Dr. Paulinho não me ligou naquele dia!
e, na minha casa, todos passaram a saber que, daquele momento em diante, eu jamais voltaria a por meus pesinhos na Record! com ou sem contrato! e foda-se qual fosse a tal da porra da multa a pagar! eu ía pagar e papo encerrado!
... mas... pela primeira vez deste que eu me tornara ator a d. lady usou de seu poder de mãe... aliás não foi nada disso... na verdade ela fez chantagem emocional comigo de uma maneira que, sabia ela, eu jamais diria não: apelou ao meu censo profissional! não por causa da tal multa mas porque sabia que eu ía criar um bafafá-dos-diabos e só ía me machucar-mais, no final!
eu disse que tudo bem mas, em contrapartida, não atendi, pessoalmente, a nenhum dos chamados de suarentos-Durvais e quejandos que ligaram, em pânico, pra minha casa, depois!
... mas eu estava, sim, na Record, no dia marcado!
... só que... apenas uns exatos vinte minutos antes do tal do "Reinando por um dia" estrear!
ao vivo!
é, ao vivo, sim, porque esse programa, como a ginkana, tinha auditório e seria, sempre, ao vivo!
imagina o nervosismo da galera-lá e com que caras-de-espanto me receberam ao perceberem que eu fizera aquilo de propósito porque atravessei o auditório, já lotado, na maior-calma-do-mundo!
... o "senhor diretor", já vestido e absurdamente maquiado (pior que palhaço-ruim) de "rei", suava (claro!), e passou a correr atrás de mim com o script do programa nas mãos e falando e falando e falando! fui direto pro camarim me vestir, lógico! e ele atrás de mim falando, falando, falando, nervosíssimo! afinal... era uma estréia! e eu naquela "displicência"? sem ter ensaiado nada e sem nem ao menos saber o que iria fazer, ao viiivooo, daqui há pouco???
faltariam agora uns 15 minutos, se tanto, pra josta entrar no ar!
vi a "rainha", espalhafatosa e escandalosamente decotada! aqueles cabelos-capacéticos-emplastrados-de-laquê!
dignei-me a dar-lhe, apenas, as minhas reais-costas!
e vi a tal da Jô, a minha "princesa", com uma roupitcha igualmente ridícula (mas sem decote), muito toda-nervosinha (e fiquei feliz em ter certeza de que era por medo de estar em cena comigo e não pela estréia em si mesma)!
e aí o tempo fechou-de-vez!
me entregaram a roupa que, disse-me o mister-suor, meu "diretor", eu deveria vestir!
- ah, ééé? e você acha mesmo que eu vou vestir "isso" e aparecer pro público acostumado a ver o Ivan José em cena? mas nem que deus desça do céu e me peça, de joelhos, pra vestir essa merda ridícula eu visto e fim-de-papo! - e falei mansinho, assim como se dissesse "ah, não, não gosto de sorvete de abacaxi, prefiro creppe-suzette"!
coitado! achei que o MS (mister-suor) ía começar a chorar!
olhei de lado pra minha mãe que me olhava com cara de "nem olha pra mim que eu não te conheço"! adoro a minha mãe!!! hehehe!!!
... ao mesmo tempo, claro, eu sabia que, agora, faltariam uns... o quê... nove ou oito minutos?
eu tinha que resolver aquela situação e ninguém além de eu mesmo!
ou resolvia ou virava as costas e ía pra casa e mandava tudo-pelos-ares!
que fiz?
- primeiro atirei aqueles sapatinhos dourados com lacinhos na parede e decidi que usaria os meus, de couro, bonitos, lisos, caros e, ainda por cima, casualmente eu estava com aquele par que tinha a pequena fivela dourada! - o meu "diretor" gotejando e com a maquiagem-desfazendo me olhando, parecendo abobado, agora!
- tirei a roupa, fiquei só de cueca!
- vesti o meião branco (porque era novo, eu mesmo o tirei da embalagem ainda fechada)
- aí a calça preta (ficou meio justa-demais) de cetim brilhante por cima (que, na verdade, era bonita)
- a camisa de mangas bufantes, branca, com botõesinhos de madrepérola (que também era bem bonita... e, quem diria: as costureiras adivinharam as minhas medidas por telepatia... ou porque me assistiam a tantos anos?)
- aí... olhei aquela gola de Mary Stuart... e atirei pro alto!
- peguei aquele... o que era "aquilo", afinal?... aquele "casaco" de veludo preto pavorosamente "decorado" com umas "coisas" douradas e, calmamente, pus no chão pra me sentar em cima e calçar os meus próprios sapatos! - neste momento a minha "rainha" saiu bufando do camarim! e a minha "princesa", logo, seguiu-a!
- eu disse: mãe! vai sentar na platéia! a senhora não quer ver a minha grande estréia? - e ela saiu rapidinho!!!
- o mister-suor, desesperado, desembestou a ler o roteiro! e saquei que eu tinha "falas" (escritas por ele) à dizer! falas tão... tããão... de um valor dramatúrgico tããããããão... como eu jamais pronunciara antes num palco ou tv!
- acabei de calçar meus sapatos tentando prever se faltariam, agora, tres ou quatro minutos!
- uma das costureiras veio me trazer um "chapéu" com umas enormes plumas! cor-de-rosa!... cor-de-rosa ainda por cima?
- um simples olhar rápido pra ela (que me conhecia bem!) fez com que a dita se retirasse com o traste na mão!
- aí o Durval não se contém e berra: rápido, rápido, dois minutos pra entrarmos!!! (dois só? então calculei mal! hehehe!)
- olho pra ele (eu estava representando o "calmo" com perfeição mas estava explodindo de ódio!!!)
- ... só então percebo que ele não berrara comigo mas sim com um dos maquiadores da record que, literalmente esvoaçante, se ajoelha aos meus pés, eu ainda sentado no chão, esponja de pancake numa das mãos e lápis de sobrancelha na outra... e a bicha já tá quase encostando aquela meleca que sei lá em quantas fuças já fora passada... quando eu lhe seguro os delicados dedinhos de mademoiselle-putain e digo: - alguma vez nestes 3 anos aqui na record, algum dia, você já me viu na maquiagem? não! certo? então... sai fora!
o programa, finalmente, estreou!
com uns cinco minutos de atraso! apenas! hehehe!
eles chapados-de-maquiagem e eu sem nenhuma!
eles com seus chapeaux-de-odaliscas da 25 de março e eu com meus conhecidos cabelos encaracolados e compridos!
eles com suas fantasias e eu, apenas, com os meus sapatos, meião branco, calça-toureiro-de-cetim preto e bela (era bela, sim) e bufante camisa branca com botões de madrepérola!
não troquei palavra com nenhum dos meus 3 "partners" e, ostensivamente, ignorei-os em "cena" ("aquilo" eram "cenas"?)
sei que surpreendi-os, sobremaneira, porque, com traquejo de câmera mais que suficiente, coloquei o meu texto num local em que, toda vez que sabia estar fora de quadro, dava uma espiadela e quando era a minha vez mandava ver as minhas falas! não como estavam escritas-exatamente, lógico, aquilo era péssimo! improvisei pra caralho e se, com isso, os atrapalhei... perdão, mas, neste caso específico... fodam-se! eu dizia o que estava escrito com as minhas próprias palavras!
... só no finalzinho cometi um pequeno erro em todo o programa: havia uma hora em que o "príncipe" (tava escrito lá no texto, eu li e entendi muito bem, óbvio) se ajoelhava aos pés da "rainha" e pedia a sua benção antes de se retirar (sim, porque era o "casal real" quem se despedia de público e espectadores e encerrava a palhaçada)!
e aí... engraçado... me deu um branco-providencial, bem naquela hora e apenas naquela hora!
e saí de cena, passando grudado-nela e deixando a decotada madame-pompadour-da-classe-operária lá, de mão estendida, feito uma chuleta na brasa... talvez esperando que alguma vespa a fosse picar? hehehe!!!
... o que meu "diretor" me disse ao término do programa?
sei lá se ele queria me dizer o que quer que fosse!
tão logo saí dei um jeito de fazer sinal pra minha mãe... corri pro camarim e peguei minhas roupas... corri pro estacionamento e nos empirulitamos pra casa! eu de calça de cetim e camisa bufante da record do brasil!
a televisão acabara de quebrar o contrato-jura que fizera comigo, definitivamente, eu sabia!
e não o contrário!

Ivan José

Ivan José

REINANDO POR UM DIA... QUE, POR MIM, NÃO TERIA SIDO NEM UMA HORA!

bom... este capítulo vou tentar passar rapidinho e citar só os fatos porque sacanagem não é prato que eu aprecie!
1. mais de 3 meses recebendo aquele monte de grana e não fazendo nada e perguntando "e aí?" a todo momento! o Paulinho sempre ocupadíssimo ou, geralmente: ah, Ivan, Dr. Paulinho acabou de sair agorinha mesmo! um saquinho!
2. até então, absolutamente nenhum dos meus amigos haviam sido, sequer, chamados pra conversar! disso eu tava sabendo perfeitamente bem! começando a entender o que significava um big-boss "comprar" um "produto" apenas pra que um seu rival não pudesse usá-lo contra si!
3. quarto mes de contrato! sou chamado, finalmente! e quem me recebe, ao invés do Paulinho, como me fora dito e combinado ao telefone com a secretária dele? o Durval de Souza! boa gente, era engraçadinho nos programas humorísticos da casa e coisa e tal... mas que eu conhecia malemá do restaurante da record e olhe lá!
4. e é ele quem me comunica sobre o "meu" programa: chamar-se-ia "reinando por um dia"! iria ao ar 3 vezes por semana sim (como combinado)! 7 horas da noite, sim (meia horas antes mas, até ai, tudo bem)! eu seria o príncipe edmun...
- peraí, cara! eu??? príncipe??? ... que raio-de-coisa vai ser esse tal programa, afinal???
resumindo: seria uma cópia-diferenciada da "ginkana kibon", que saíra do ar há semanas ou pouco mais que isso antes!
meu sangue gelou e começou a ferver ao mesmo-tempo!!!
- sei!!! e depois...?
5. brinquedos estrela como patrocinador exclusivo! uma criança, sorteada, "reinaria-por-um-dia" na idéia-de-galinha que, logo saquei, fora esse Durval quem tivera! e esse rei-ou-rainha, no final, ganharia alguns brinquedos estrela! recheando o entremeio, vários "prodígios" viriam cantar, tocar sanfona, banjo de duas cordas, estilingue-dodecafônico e até chupar sorvete de cabeça pra baixo e coisa e tal!
igualzinho a "ginkana" que pra cada número bom-de-verdade apresentava umas 78 bostas!
- sei!!!!!!! e eu que vou apresentar essa merda toda!!!!!!! e "fantasiado" de príncipe, ainda por cima!!!!!!!
- bom... - (o tal do Durval tava suando, né? e só de camisa enquanto eu não suava embora estivesse de casaco com gola de pele e um pusta-friosaço lá fora! estranho isso, né?) - ... eu vou dirigir o programa e...
- ... vooocê vai o quêêê???????
- ... e a Jô vai...
- ... que Jô???????? - pois é! eu já tava gritando a plenos-pulmões, sim!
- ... calma, Ivan! ... a Jô da Turma dos Sete!... lembra?
- ... e que que tem essa Jô da turma da turma dos cem a ver comigo???????
- ... ela vai ser a tua partner e...
- ... ela vai o quêêêêêêê??????????????
- ... calma, Ivan, deixa eu acabar??? posso???
vai suar assim no inferno, cara!!! - penso mas não falo!!!
- ... tá! acaba primeiro e eu falo depois! - (falei sem gritar! uau! que bunitinhu qu'eu era! quaaanto profissionalismo!... naquele instante, pelo menos)
- ... então... você e a Jô são o casal de príncipe e princesa que apresentam o programa e aí...
... ele falava mas eu não ouvia direito!
e o "meu" programa???
e o meu ademar???
e a minha lélia???
o sil, pompeô, carone, roberto e...???
- ... e eu nem ía entrar mas aí quando ficou acertado que a Idalina ía ser a...
aííí... eu comecei a explodir-messsmo!!!!!!!
- ... você quer dizer... Idalina... de Oliveira??? ... aquela???????
- ... é... sim... a Idalina de Oliveira, sim, ela mesma! ... mas, então, Ivan... quando ficou acertado que ela seria a Rainha eu...
- ... ela vai ser... queeemmmmm????????????????????? - garanto que esse berro a record-inteira escutou!!!!!!!
- ... a rainha. - a voz-dele quase não-saía!
- ... ela vai ser Rainha???... no "meeeu" programa???... você disse que ela vai ser... o quêêê???
- ... não, Ivan, você não tá entendendo bem! esse não é o "teu" programa! o teu vem depois! entendeu? teu contrato inicial é de 3 anos!... você vai estar nesse porque o Dr. Paulo acha que você ficar fora do ar é muito ruim para a emissora!
bom... quando ele disse "o dr. paulo"... o pai do Paulinho... aí eu explodi messsmo!!!
entendi, logo, o porque da... bom, deixa essa parte pra lá!
6. saí da sala soltando "fogo-pelas-ventas" e deixando o cara falando sozinho!
todos me abriram caminho até eu meter o pé na porta do escritório do paulinho e descobrir que...
- ele já saiu e não vai mais voltar hoje, Ivan! desculpe! - diz a secretária com cara de quem já estava-mesmo esperando que eu aparecesse por lá!
- ahhh... é messsmo??? - (berrei nas fuças d'umagora-meio-que-assustadíssima-secretária-dele)! - então "manda" ele me ligar que eu quero falar com ele! hoje!
... e como a coitada da minha mãe tava botando bílis pela boca pelo esforço de me seguir eu catei no braço dela e fomos andando, devagar, pro estacionamento onde estava o meu carrão pretão!

Ivan José

Ivan José

IVAN JOSÉ - AGORA UM ATOR EXCLUSIVO DA REDE RECORD DE TELEVISÃO

meu "joão Pão" se foi... mas disso falo daqui há pouco!
antes de terminarem as gravações da última cena, mais uma vez, Paulinho Machado de Carvalho surpreende a todos "invadindo" nosso estúdio e me chamando de parte!
marca um "papo" comigo pra tarde seguinte!
- assunto sério e particular, hein? só nós dois!
- tá! eu venho!
... e vou ter que me despedir de quantos que eu adoro aqui hoje, merda?
merda, merda, merda!!!
odeio o "último capítulo" do que quer que seja! desde que acabou o "pablo"!
claro que, na tarde seguinte eu fui com a minha mãe mas o Paulinho já havia mandado que a secretária dele trouxesse chasinhos e guloseimas variadas e as duas, logo, se puseram a brincar de senhoras inglesas às 5 da tarde enquanto eu e ele, sozinhos, entrávamos na luxuosa sala do meu boss, ele fechava a porta e me oferecia uma poltrona pra sentar... e uma coca gelada que ele sabia que eu adorava!
- muito bem, Ivan! a questão é a seguinte: a Record não pode perder você pra nenhuma outra emissora! eu não vou perder você pra concorrente nenhum! entendeu?
- ah... é isso? tá! mas... como assim?
a proposta era simples, prática... tentadora... e milionária, acima de tudo!
um programa só meu! sete, sete e meia da noite, três vezes por semana (tudo igual ao "João Pão"? só que eu não perguntei isso!)... posso, posso sim tentar contratar o Ademar Guerra pra te dirigir! ... ah, claro, contrato o Silnei também pra fazer teu irmão... ou que papel seja! ... Ivan... Ivan... calma! você tá apressando demais as coisas! ... calma! quer outra coca? ... olha... nós não precisamos resolver tuuudo neste exato instante, certo? Lélia, Carone, Roberto, o Bógus... ok, podemos, depois, falar sobre tudo isso e acertar tudo com calma! certo! ... certo?
- ... tá! claro! ... desde que você jure que vai contratar eles todos também!
- ... claro! sim! ... claro! eu vou pensar em tudo isso com calma e...
- então eu falo que não e fim! sem eles não assino nada e, desculpa, mas tchau! já sei que a excelsior quer eu mesmo!
- Ivan!!!
- primeiro você tem que me jurar! se você jurar contratar todos eles, também, daí eu assino!
curto e grosso, sei lá se defeito ou qualidade, eu sempre fui e serei!
... e aí... o Dr. Paulinho Machado de Carvalho me jurou exatamente tuuudo o que eu havia pedido!
... e como, por mais estranho que lhes possa parecer tal fato, minha mãe e nem absolutamente ninguém eu jamaaais consultei sobre o que devia ou não fazer em teatro ou tv, o que aceitar ou recusar, ganhar ou deixar de ganhar!
... o Paulinho chamou a secretária e, como obviamente o contrato já estava batido, eu assinei e a minha mãe endossou como minha responsável legal!
e pronto!
eu era o mais novo contratado exclusivo da tv record!
e saí de lá não cabendo em mim de felicidade, meu peitinho explodindo de alegria porque eu tinha acabado de conseguir reunir e dar trabalho "pra minha galera toooda"!!!
... e a fotinho abaixo vai de quebra assim pra ninguém fazer qualquer idéia diferente ou errada de, exatamente, como eu era quase exatamente no dia em que o Dr. Paulinho, o grande senhor-magnânimo da Rede Record de televisão, assinou essa
bosta-milionária comigo!!!

Ivan José

Ivan José

IVANZINHO & ARTHUR AZEVEDO

... e essa fotinho abaixo vai só de entremeio e curiosidade, tá?
Ivanzinho Josezinho, ainda de pijaminha, recem-saído-da-caminha, descabelado e sonolento... as famosas orelhas-de-abano... lendo um texto!!!
que texto? sei lá! acha que vou lembrar?
idade? seis anos!
local: a enorme mansão da Rua Madre de Deus, bairro da Móoca, onde residia, então!
alguma curiosidade a mais?
sim!!!
o terreno da mansão dava fundos exatamente com os fundos do teatro arthur azevedo, na av. paes de barros, onde, dias antes, o menino acabara de assistir ao primeiro espetáculo de sua vida, "a paixão de cristo"... que foi quando ele sacou e compreendeu, integralmente, que queria ser ator!

Ivan José (rua Madre de Deus - bairro da Moóca - SP)

Ivan José (rua Madre de Deus - bairro da Moóca - SP)

A FOTO ABAIXO É SIM DA FAMOSA "GINKANA KIBON" DA TV RECORD

... então... e como tooodas as poucas fotos que eu um dia tive do malfadado "REINANDO POR UM DIA" eu fiz questão de distruir há muuuitos anos... contribuo com a memória nacional da televisão brasileira estampando, abaixo, esta da famosa "ginkana kibon" (programa dominical que ficou em cartaz por anos e tinha audência equivalente à do "fantástico" em começo de carreira)!
e há sobre essa fotinho algumas curiosidades que acho interessantes faze-los notar, a saber:
1. trata-se de uma coreografia de Aracy Evans, uma das todo-poderosas do ballet brasileiro, professora da Escola Municipal de Bailados de São Paulo e uma das únicas mestras brasileiras doutoradas a dar, aqui, diploma à bailarinas e bailarinos por ela aprovados da Royal Academy of Ballet of London!
2. toda a galerinha aí (não lembro que música era embora eu lá estivesse nesse dia assistindo mas, com certeza, era Tchaikowsky! hehehe!) fazia parte do corpo de ballet infantil da mestra!
3. a pequena e bela bailarinha ajoelhada, à direita, é, sim, minha irmã e futura coreógrafa do fábrica lúdica, ana lúcia cunha!
4. seu partner, respeitosamente curvado em reverence atrás dela, é um garotinho (o Marcinho!) que tivera poliomielite na infância e mancava pronunciadamente... menos quando dançava! curioso e fascinante isto, né? o poder da arte! e não estou sendo cínico e nem, muito menos, pilheriando! eu tinha um puta respeito por esse lekinho lindo, esforçado pra caralho e, acima de tudo, seríssimo na sua arte de criança! notem os reverences dos outros 3 garotos... e, agora, comparem com o do Marcinho!
5. o casalsinho do centro são a sandra amaral, atual professora de dança com academia em São Caetano do Sul, SP, e... o irmãosinho dela, de verdade, o Roberto... infelizmente já falecido!
6. ao fundo... atentem à figura gordeta e bonachona do Alberto de Nóbrega (de terno e óculos)... e, no extremo esquerdo... viu aquela senhoura com um cabelão-preto-de-laquê que parece um capacete espacial? então... é a Neide Alexandre!
ah, em tempo: não deixem de se deliciar, ainda, com o profundo respeito e atenção que esses dois ilustríssimos apresentadores estão mais-que-demonstrando pela arte das crianças que dançam no "seu" programa!!!
... fosse o Marcinho um semi-inválido ou não!!!!!!!
porque, ao entrar em cena e antes de começar a dançar, ele veio de braços dados com a minha irmã... e mancava pesado, viu???????

FOTOS DA REPORTAGEM ABAIXO PUBLICADAS NA REVISTA 7 DIAS NA TV

primeira foto, em cima: Randal Juliano e Irina Grecco
segunda foto: Felipe Carone e Ivan José
terceira foto: a primeira senhora, acendendo cigarro, era esposa do Carone! a senhora, de negro, era a mãe da Irina Grecco! em pé, lendo, a minha-migaça Moema Brum que agora mora na maravilhosa Ilhéus!
quarta foto: a primeira senhora, de quem vemos apenas a cabeça, é a Dra. Jacy, então esposa do Roberto! e Lélia Abramo e Irina Grecco, lógico!
NOTA: minha mãe, emperiquitadésima como todas, também era uma das senhoras-chics sentadas assistindo a esse desfile mas o Ademar a colocou na poltrona onde a Irina (que era, também, a modêlo exclusiva dos tecidos Votorantim, patrocinador da série) demorava mais fazendo as suas evoluções e, logo, era a que ficava mais tempo aparecendo na telinha! só que esse fotógrafo da 7 dias na tv não entendeu isso muito bem! hehehe!
quinta foto: a foto da família já descrevi mais abaixo!
nas fotinhos menores de baixo:
- Rubens moral, meu diretor de estúdio e amigão, que disputava com o romano sobre qual dos dois me paparicava mais e fazia tooodas as minhas vontades durante as gravações!
- Roberto Freire
- randal juliano, meu amigo e mestre III, que, apesar da censura em me deixar mostrar meu pintinho-lindo pra são paulo e rio inteiras se deliciarem... jamais acreditei, e nem acredito ainda hoje, ter sido, jamais, um pelegão-nojento da ditadura militar!

E DATEME UN MARTELLO

... e quando já achava o João Pão um capítulo do passado neste... livro?... eis que ele me volta à mente e num episódio que não posso deixar de narrar!
a novela "joão pão" estava "estourando a boca do balão" e dando picos colossais de IBOPE pra Record!
exatamente na mesma época em que ela trazia pancadas de artistas estrangeiros que estivessem, também, estourando nas paradas-de-sucessos daqui pra se apresentarem,em espetáculos de gala (gravados em taipe, obviamente) no seu Teatro Record da Av. da Consolação!
muito bem... vai daí que um belo dia chega ao Brasil a minúscula italianinha Rita Pavone, que era a coqueluche-do-momento com "Dateme un martello" e a tal da "abaixada e fazendo xixi" que não sei como se chama, na verdade!
muito bem... e era comum que cada artista chegado fosse recepcionado por alguém do cast da Record (geralmente o Blota Junior ou o Randal) que lhe dava, em nome da Rede Record de Televisão e de todo o povo brasileiro. uma corbeille de flores (se mulher) ou um bottom da Record pra pregar na lapela (se homem)... beijos e abraços... isso tudo devidamente gravado e, depois, uma entrevista de cinco a dez minutos, realizada pelo artista que "recebia" a/o estrela e que era retransmitida, à exaustão, de cinco em cinco minutos, até que o programa do espetáculo passasse na TV... o que, obviamente, só acontecia alguns muitos-dias depois que o tal artista já estivesse de volta aos seus rincões há tempos!
pois bem... qual foi o raciocínio do Paulinho Machado de Carvalho?
a Rita Pavone é a atual big-star principalmente do público mais jovem... e altamente consumidor! certo? yes!!!
e o Ivan José, por acaso trabalhando na minha emissora, é, atualmente, o big-star nacional desse mesmíssimo público? certo? yes!!!
... e aí ele começou a entrar êxtase ao se lembrar que a Rita Pavone usava suspensórios... o tempo todo! sua marca registrada!
e o João Pão, em muitas e muitas e muuuitas cenas, atualmente... também usava suspensórios (uma esquisitice que o Roberto inventou meses antes)! uma nova-marca registrada do joão Pão!
logo...
eu tinha acabado de começar a gravar, oito e pouco da noite, quando o Paulinho entra no estúdio e me comunica: daqui há alguns minutos a Rita Pavone vem aqui e você é quem vai recepcioná-la! tudo bem pra você?
uau! quanta honra, pensei! o próprio grande cacique vem aqui e me "pede" isso?
sim, porque naquele "tudo bem pra você" estava implícito que eu podia dizer, simplesmente: não, eu não quero! e ele sabia muitíssimo bem que eu era pleno de "queros" e "não queros", igualmente irrascíveis!
mas... uau, uau, uau! eu adorava a Rita Pavone! tipo fã mesmo, vivia tocando o disco dela em casa e cantarolando o "dateme" por todos os cantos... além do "abaixada e fazendo xixi" que eu e a turma toda cantávamos na escola!
- claro! manda vir! é tipo quenem foi com todos, né? eu dou as flores, saúdo em nome da Rede Record e todo público brasileiro, etc e coisa e tal, e depois faço um monte de perguntas e depois dou um beijo, né?
- exatamente! adoro você e você sabe disso! você sempre sabe tudo!
- obrigado!... mas pergunto o quê pra ela?
- (ele me entrega o envelope que traz nas mãos) as perguntas estão todas aí e não precisa decorar, tá? você pode ler, combinados?
- tá! mas eu vou decorar! odeio falar com papel na mão (é verdade! tantos anos depois ainda odeio)! ... mas e roupa?
- não!!! eu quero justamente isso! ela vem de suspensórios aqui pro estúdio...
- ... isso eu sei, né? ela sempre usa!
- ... e você está de suspensórios, também, não está? entendeu qual é a jogada?
- ah, tá! entendi, claro! mas... assim todo rasgado e sujo-mesmo?
- exatamente! a idéia é que é o João Pão... você, Ivan, claro... mas não você você! o João Pão... e você!!! entedeu?
- ... se tem uma coisa que eu não sou é burro!!!
- eu sei, meu querido! ...as flores, etc, já, já o pessoal está trazendo tudo prá cá! eu apenas quero que você a recepcione! vocês dois em pé, primeiro... aí você a convida a sentar com você ali na mesa da cozinha da sua casa... tudo bem informal... tá entendendo?
- lógico, né?
- ... certo! - (ligeiríssimo pigarrear de Sua Excelência, my Big Boss!) - ... aí, eu pensei e já mandei trazer, também, você vai entrevistando e serve um café com bolinhos pra ela! grande idéia, não é?
- ... bom... sei lá... é, vai! se você acha...
- (olhando o relógio) ela chega daqui há uns vinte minutos! ah, sim, mais uma coisa só: eu liberei completamente o tempo pra vocês! entendeu?
- entendi!!! - (ele já tava começando a encher meu saquinho)!
- ... eu queria que tudo durasse, pelo menos, uns cinco a seis minutos! eu sei que você tem noção de timing em cena mas, mesmo assim, o Silnei vai ficar cronometrando e, de qualquer forma, te dá um sinal quando der cinco minutos!
- tá bom, já sei!!! - (saco)!!!
- mas... veja... se durar mais... 15, 20 minutos... ótimo... eu mando editar, passo aos pedaços... e vou adorar isso! entendeu?
... e eu, educadamente e com o envelope já molhando de suor na minha mão, apenas fiz que sim com a cabeça! já entendi que ele quer que dure 20 minutos!
- que ótimo! confio em você! te adoro! você sabe! - (e a beijoca que estalou na minha face me dizia pra ter paciência porque esse cara me adorava de verdade)!!!
resumo: amei a rita! estrelíssima, sim, mas isso eu entendia!
e comigo não foi nem um pouco "estelar", pelo contrário!
"alguém" serviu de intérprete, sim... mas exigi (porque não gosto nadinha dessa "pessoa"), antes, do Paulinho, que sua "participação" fosse suprimida na edição!
e foi!
no ar, eu perguntava em português, ela respondia em italiano (com legendas) e nos entendíamos, como nos "milagres" do joão pão!
foi ao ar umas duzentas vezes, em pedaços, antes do show ser apresentado!
na foto... o frei e joão pão, em pia oração no altar da sacristia!
altar esse que, na verdade, era um antigo piano!

Felipe Carone e Ivan José

Felipe Carone e Ivan José

DUBLAGENS

comecei a dublar filmes para cinema e televisão, principalmente séries, acho que logo depois que terminou o "Pablo"! foi na ODIL-FONOBRASIL, no Sumaré, um casarão enorme, pertinho da TV Tupi! quem me convidou e me levou pra lá pela primeira vez não recordo! sei que, logo depois, o Egydio Éccio assumiu as direções de dublagens e aí, a bordo do seu Gordini branco e incrementado, era ele quem vinha me buscar na, então, minha casa pertinho do Museu do Ipiranga e me trazia de volta ao terminarmos! assim, minhas dublagens, na sua imensa maioria, foram meus únicos (e muuuitos!!!) trabalhos aos quais minha mãe não precisou me escoltar!
também não tenho mais idéia de qual tenha sido o primeiro filme que dublei! talvez um capítulo de "lassie", eu acho! sei que, logo depois, entrei como o dono do "Fury, o cavalo selvagem!" (acho que exibido pela Record, São Paulo e Rio simultâneos, sempre), logo o "personagem-gente" principal da série e dublei-a de cabo a rabo!
ao mesmo tempo dublava filmes pra cinema e episódios de várias outras séries e até desenhos animados (poucos!) que eu adorava dublar!
na época dublávamos como atores e nenhum de nós era, apenas, um mero dublador! as salas de dublagem eram pequenas salas de cinema, com poltronas de cinema, acarpetadas como cinemas, com grossíssimas e pesadas portas-anti-som, mini-tela de cinema e uma bancada à frente de um monte de microfones suspensos e com luzinhas especiais nessa bancada pra lermos os textos! e se o "anel" (como se chamam os trechos que são dublados pois, obviamente, um filme é todo cortado em pequenos pedaços pra ser dublado) tinha 10 ou 20 atores em cena... éramos 10 ou 20 atores, aqui, dublando juntos... ou seja... contracenando de verdade!
nada dessa asnice ridícula e meramente comercial das dublagens de hoje (daí serem tão imensamente ruins e caricatas!) onde os estúdios de dublagens são cubículos com uma televisãosinha e onde cada "ator" mal pode se mexer e dubla em pé... e sozinho!!! e sem porra de sequência nenhuma! foda-se se o infeliz nem faz idéia do enredo da porra do filme e nem o nome da porra do ator que está dublando! a Globo, SBT e quejandas teem pressa e apressem-se, pois, as dubladoras que as queiram ter por clientes!
... outra série que dublei, em seguida, de cabo a rabo, foi o "Nacionaro Kido" ou "nacional kid", em bom português! não a odil mas numa dubladora que fica (ou ficava, sei lá!) na Pompéia! eu dublava o Goro, o japinha menorzinho da turma! se alguém tiver curiosidade de ouvir minha vozinha naqueles tempos tenho um vídeo na minha vidioteca do meu orkut! eu falo uma única fala naquele take! mas, obviamente, dou as dicas lá pra você identificar quem sou "eu" no filme!
... uma curiosidade é que dublei um único episódio do "Vigilante Rodoviário" mas, em compensação, me tornei amigo-íntimíssimo d'um "cara" que ía quase que todos os dias à Odil pra me ver... e adorava trepar em cima de mim, eu deitado de costas no gramado do jardim... e ficar me lambendo um tempão!!! e abanando o rabão dele no ar!!!!!!!
o nome desse meu amigo? Lobo! e era o legítimo pastor-alemão do intrépido Vigilante Carlos! o mais lindão que eu só veria igual, de novo, quando o Hendy, da Dora Kalef, entrou na minha vida, anos depois!
... e, agora, já em 1971, eu fazia a "Missa Leiga", do Chico de Assis, direção do Ademar, músicas do Cláudio Petraglia e direção musical do Amilson Godoy... quando... o Chico de Assis começou a escrever os textos nacionais de "Vila Sésamo", dirigida pelo Ademar Guerra, então apenas na TV Cultura, dirigida pelo Cláudio Petraglia e com direção musical do Amilson Godoy! estranhas coincidências, nééé???
pois bem... e foi a dupla Petraglia-Guerra quem deu um presentaço pra seis atores da "missa" ao escolhe-los como os seus melhores cantores (por categoria vocal) e convidar essa galera pra dublar toooda a parte cantada de "Sesame street" (e quem ainda se lembra da "vila" sabe que cada capítulo era, no mínimo, uns 45% cantado)!
a galerinha era formada por:
cantoras: Sonia César (soprano-ligeira), Iracema Nogueira (soprano) e Raquel Araújo (contralto).
cantores: João Carlos Vicci (tenor), Fausto Brunini ( barítono) e Ivan José (baixo).
foi um desbunde só! estávamos, de cara, todos nós, do Chicão ao Fausto, apaixonados pela idéia, pelo programa em si e por tuuudo o que ele representava de novo no campo de trabalho artístico-pedagógico (ou arte-educação, como dizemos hoje) para as crianças brasileiras, de norte a sul e leste a oeste pois há muito já se fora o tempo em que a minha voz só atingia o eixo Sampa-Rio! agora estávamos em cadeia nacional, lógico!
... eu e o Fausto íamos no meu fusquinha aos estúdios da Cultura quando não estávamos gravando... aonde? na odil-fonobrasil, sim senhor! e lá, além dos óbvios Ademar e Cláudio e Chicão e Amilson que víamos todos os dias na "missa" e na odil estavam o Bógus (que protagonizava a "missa" também) e a Soninha Braga (que, além de tudo, tinha sido namorada do Fausto alguns poucos anos antes!) e o Roberto Orosco (com quem eu tinha feito o "Padre Vicente" na Tupi, lembram?) e o Laerte Morrone (que tinha participado de alguns episódios do "Ontem") e a Aracy Balabanian (que tinha participado de um capítulo do "Gente") e todo o restante da galerinha... além das crianças que gravavam a "vila" no estúdio da Cultura... e que eram as mesmas crianças que, dentro de dois anos, iriam assistir à estréia de "os balões", do Chico de Assis, primeira produção do FÁBRICA LÚDICA (no fundo fortemente influenciada pela "vila sésamo" e que, então, eram as mesmas crianças que participavam da "missa" na cena do ofertório!!!
coincidências-demais até santo desconfia! mas, neste caso... não havia nada a desconfiar!
... uma vez o Ênio e o Beto cantavam num take! uma única vez! mas tive o prazerzão de dublar o Beto nesse take com o Fausto, fanhosão, dublando o Ênio!!!
... dublei hipopótamo apaixonado cantando "gostei do seu jeitinho, focinho engraçadinho", yellow submarine, pinguins, famílias, "o vizinho mora muito perto de você" em 50 versões diferentes de profissões, chicachicabum da carmem miranda... puts... umas 400 a 500 músicas diferentes nas duas séries do programa, com certeza!
... e, um ano depois, agora passando, ao mesmo tempo, na Cultura e na Globo mas produzido apenas pela Rede Globo... nós, a mesmíssima equipe, gravamos a segunda série de "vila sésamo" inteirinha... só que... recebendo "em globo"! pois é... hoje a festa é nossa e não de quem quiser!
curiosidade: logo nas nossas primeiras gravações nos deparamos com um sério problema! a Odil tinha por "tradutor" um carinha antipático e de nariz pra cima (que claro que não lembro do nome do infeliz!) e era filho do Anselmo Duarte! ok! o Amilson se sentava ao piano e nós íamos tentando adaptar aquela "letra" que recebíamos ao que ele tocava e, em seguida, desceríamos ao studio pra gravar! nunca dava certo! e começava o risca-rabisca! e, aí, tudo dava certinho... na hora em que, digamos que a letra contivesse 200 palavras?... na hora em que a gente trocava umas 197 delas!
lá pela quarta música o Fausto (que era o único de nós, recem chegado dos EUA, que falava um inglês fluente!) sugeriu pro Amilsom que a gente descesse pro estúdio e pedisse pra rodar o anel com a música... em inglês! e assim fizemos! a tradução do "brilhante-tradutor" nas nossas mãos! pos-se o filme pra rodar e nós 7 (nós 6 + Amilson, leia-se) fomos acompanhando a letra no papel enquanto o Fausto, obviamente sem olhar a letra mas apenas ouvindo e vendo o filme, foi traduzindo!
dois resultados imediatos e "milagrosos": primeiro, o que o Fausto traduzia cabia na música! segundo... não tinha absolutamente bulhufas a ver com a porra que estava escrita naquele sulfite! sabe tipo eu te falar "as galinhas lá da minha casa desandaram a por ovos de ouro" e você traduzir pra alguém que eu disse "o Luís Inácio é a cara da lucrécia Bórgia com diarréia"?
vai daí que: o infeliz manteve o emprego e a ilusão que nós gravavamos a bosta que ele nos mandava achando-nos, creio, um bandinho de idiotas! isso, claro... apenas até o dia em que ele pisou nos meus calos e eu chapei-lhe g'uelabaixo se ele andava ouvindo as nossas gravações... pois fazia meses que a gente não gravava uma porra do que ele nos mandava! aí ele se calou... e manteve o emprego!
... e aqui termino aquilo que julguei interessante e "histórico" de contar sobre as minhas incursões-dublativas!

e, na singela fotinho, abaixo... Quiidas!!! meu personagem-preferido, amigo, duplo e alter-ego! exato! tuuudo ao mesmo tempo! o carinha que o olha e segura, ternamente? sou eu!

IVAN JOSÉ and QUUIDAS

IVAN JOSÉ and QUUIDAS

JOÃO PÃO IV

CAUSO III
se no I falei de tristeza e no II de comédia... neste terceiro e último falarei de algumas coisas "diferentes" que aconteceram durante as gravações!
------- uma de que me lembro bem foi quando o João Pão foi pra Lua, a bordo do seu foguete de latas-de-óleo movido a "suorlina" do Negão, um outro personagem halterofilista e negro que o Roberto inventou apenas pra "produzir suor"! mui bien! hoje tudo se faria por computação mas, na época, sem nem computador existindo no Brasil, precisava-se colocar aquela "nuvem de fumaça" cobrindo o chão e isto o Romano fez dispondo dezenas e mais dezenas de pequenos baldes, camuflados pela lona do chão, cheios d'água e, na hora de gravar, despejou boa quantidade de gêlo-sêco dentro de cada um! em um minuto o chão ficou com uma camada de mais de palmo de espessa nódoa branquicenta! e eu sabia perfeitamente que aquilo duraria poucos minutos e que precisava gravar de primma ou onde se acharia mais gêlos-sêcos aquela hora da madruga? achei lindo andar rápido dentro daquela nuvem e ver como a "fumaça-geladinha" subia pelo meu corpo chegando quase a me cobrir!
DETALHE: eu, apenas, de calça curta, tenis sem meia e camisa sem manga cumprida, de tecido fininho, aberta no peito! e era uma cena longa entre eu... e o Pompêo como meu Anjo... no meu ombro... logo, marcadíssima e, na realidade, eu sozinho e contracenando com "nada-ali-presente", na verdade... porque o Pompêo já gravara a mesma cena antes, com o grande écran de fundo, antes, pras falas dele entrarem pelos alto-falantes do estúdio e, ao menos, eu não ser obrigado a contracenar com nada-de-nada-mesmo!
... como o personagem Anjo seria montado, na edição, o tempo inteiro sobre o meu ombro... minha marcação consistia em, basicamente, andar durante uma determinada fala minha e, dopo, ficar minutos parado num mesmo ponto!
... e tudo correu bem até uns cinco minutos de cena! depois... minha voz começou, gradativamente... a falhar... a "tremer-de-tom"... e, pior... eu comecei a espirrar sem parar!
resolvemos a questão com o abandono daquele "mar-gelado"...um chá-preto bem quentão que a Lélia foi fazer pra mim... e rasgar-se um pedaço da tela do fundo do cenário-geladeira... colá-la na parede dum ponto diametralmente equidistante da maledeta-luna-gelata... e com o restante das cenas "de lua" seguintes gravadas, exclusivamente, em sequências com 4 cameras... mas tooodas, apenas, em big-closes d'eusinho!!!
mas... no ar... ficou um primor e causou frisson o João Pão tendo ir gravar na Lua!!!
principalmente a molecada da época, assistindo, em pêso, Sampa and Rio... vibravam! e, na minha escola, ficavam embascados quando me pediam pra lhes contar como gravara aquilo!
... eu, geralmente, começava contando sobre como tinha sido a viagem, claro, pra eu poder ir gravar aquelas "externas"!!!
... mas... na lua mesmo você foi??? hehehe!!!
------- outro capítulo que deu trabalho foi um em que, praticamente, só aparecíamos eu e uma atriz que, perdão, não consegui me lembrar de quem a interpretou, de jeito e maneira... mas qual foi a problemática desse capítulo? termos de repetir, quase que sem cessar, eu e ela, o nome da personagem que ela interpretava!
que era: TRATIVELINDEPRAGLUFITOTINKELUX! vai... tenta falar isso rapidão pelo menos 3 vezes!!! viu???
aí... eu dizia pra ela, no texto do capítulo, que esse nome era "muito-do-besta"... além de muuuito difícil, claro!!!
aí... ela me dizia que, se eu preferisse, poderia chamá-la pelo seu apelido! que era: GRIGRUTIGLAVIMUBLÓ!!! facinho, nééé???
então... esse foi outro capítulo que teve muitas voltas e revoltas de cena, muita gargalhada... e, horas depois, boas doses de nervosismo, também!
------- e o terceiro e último capítulo que vou contar (e que nããão deveria estar contando em público porque é bastante embaraçoso e vergonhoso pra mim)... tinha uma cena, simplérrima mas bem longa, entre eu e o Tisiu que, enquanto eu lhe contava meus planos de viagem no meu foguete... ele, gentilmente e boquiaberto, me ajudava a abrir as latas-de-óleo que o bairro inteiro agora guardava e dava pro João Pão a pedido dele!
... e a cena começou... e, de repente, eu parei de falar! e comecei a morder minha língua (cacoete que ainda tenho, as vezes)!
... e a cena recomeçou... e eu parei, de novo... e masquei minha língua ferozmente!
... à sugestão do Randal (que passaria a me enquadrar apenas em planos médios e close-ups) o Romano se ajoelhou no chão a minha frente (porque havia essa possibilidade, sim, uma vez que o cenário simulava um terreno baldio e eu estava sentado numa pequena "elevação de terra") e ficou com o texto aberto pra eu ler!
só que o problema não era o texto! eu sabia o texto de cor, como sempre!
o problema era a minha ação! eu precisava falar, representar... e abrir uma lata... tudo isso ao mesmo tempo!!!
e eu... eu jamais abrira uma lata em toda a minha vida até então! eu, simplesmente, não sabia abrir uma lata!!! e tava morto de vergonha de falar isso!!!!!!!
até que... lá pela sexta tentativa... Ran e Sil, já meio exasperados, descem do switch... catei o Silnei de lado e, baixinho, contei no ouvido dele qual era o meu problema!
e o bestão riu! gargalhou! e falou pro Randal o que eu tinha acabado de falar pra ele! em alto e bom som! pro estúdio inteiro ouvir... e rir, também! palhação o Silnei, viu???
moral da história, rapidamente resolvida pelo Randal após me pedir que abrisse uma simples lata "apenas" pra ele testemunhar e constatar que eu jamais abriria aquela lata em menos de uns 25 anos? que gravaríamos tooodas as cenas daquele capítulo em que eu tivesse que abrir latas... sem que eu tivesse que abrir latas!
e assim se fez! e ponto final!

... ah... e sabe uma coisa que eu tinha esquecido de contar? como era a abertura do "João Pão"!!!
conto agora, então: era eu e apenas eu de ator... a bordo dum enorme e reluzente caminhão da Record carregado de técnicos e do Silnei e do Randal... que, alguns se lembrarão, era, também, apresentador de uma porrada de alguns dos mais assistidos programas da Record e, portanto, tão conhecido quanto eu...
... com aquela roupinha rasgada, "maquiado-de-sujo" apenas com carvão mesmo e por mim mesmo, caixa de engraxate nas costas... numa série de takes gravados nos seguintes locais (quase desertos numa tarde de meio de semana em Sampa, como se sabe): Viaduto do Chá, Praça da República (ponto tradicional não apenas de bichas mas, também, de engraxates) e Praça da Sé!
mein got!!! foi meu primeiro "espetáculo-de-rua"! 1965 ou 66, eu acho (nesse papo de datas eu deveria pesquisar primeiro, né? um dia farei isso... ou mando alguém fazer pra mim! hehehe!)... juntou povo que não acabava mais!
... mas eram outros tempos, né? acredita que nem um único segurança nós nem cogitamos de levar? e que as polícias militar e municipal da época se reuniam com uma prestez e eficências inimagináveis hoje... e faziam nossa segurança de forma eficaz... e sem nem uma porradinha sequer naquela massa humana que, afinal, eram nossos fãs... e queriam apenas assistir as gravações... e aplaudir, calorosamente, no final?
... e que o Randal apenas, antes do ok, gravando, apenas precisava bradar pelo microfone do caminhão para que, por favor, ninguém olhasse pras cameras... e ninguém olhava... e que absolutamente nenhum dos centenas e mais centenas de transeuntes que apareceram ao meu lado nessas cenas... nem unzinho que fosse era um figurante pago???
viu??? outros tempos, realmente, duma Sampaulo mais-civilizada e gentil!
... editado ficou lindão!
TV REcord
apresenta
ivan josé
em
JOÃO PÃO
... e todo o restante da ficha técnica depois!!!
e, ao fundo, a música-tema "João Pão", tocada e interpretada pelo seu compositor, Caetano Zamma!
na foto abaixo o João Pão engraxa os sapatos do Frei (Felipe Carone)

Ivan José e Felipe Carone

Ivan José e Felipe Carone

JOÃO PÃO III

CAUSO II
ou
O CAUSO D'EU, MYRIAM MUNIZ AND RANDAL JULIANO
... se no "causo I" falei do momento mais emocionante... e triste... aqui vou falar do mais cômico!
... La Hartman já estava de minha Fada-Madrinha há meses... quando o Roberto inventou a bruxa e pos, nela, a Myriam Muniz!
detalhe: o nome dessa bruxa era... BRUXA!
o personagem dessa bruxa era, de si, já engraçado! e, nos ensaios, parecia que tanto eu quanto ela (que nos amamos-de-paixão à primeira vista já na "tia mame"!!!) já havíamos esgotado nossos sacos-de-risadas!
but... eu nunca fazia maquiagem, por mais que tentassem me obrigar! e quem "obrigava" o Ivan José à alguma coisa quando ele dizia não-e-não-e-fim? daí, quando ela desceu da maquiagem e entrou no estúdio com aquele roupa pavorosa e com aquela maquiagem que fazia a Myriam, que embora minha amigona jamais venceria um concurso de beleza, ficar... monstruosa... um narigão colossal arrematado em bico e uma verruga que era quase uma bola de bilhar... como não rir?
só que... parecia haver tempo suficiente pra que eu me fartasse de rir e tirar sarro dela entre sua entrada, ensaios de camera e, ok, gravando, né? e tinha, com toooda a certeza!
só que... ok, gravando... e eu falei a minha fala inicial butininhu... e aí ela falou, mais esganiçada que em qualquer dos ensaios!
e eu... desatei a rir! não, a rolar pelo chão de rir! não, eu surtei de rir!
minutos depois, eu: desculpa, Ran, desculpa, Sil (que não tinham descido do switch aguardando, calmamente, os mil minutos em que apenas eu continuava a rir feito idiota-ensandecido rolando pelo chão-imundo do cenário!), desculpa, Myriam, desculpa todo mundo aí!!! eu estava recomposto, enfim!
ok, gravando!
falei... ela falou esganiçado e eu aguentei firme! I'm a great actor and a big star! guenta firme, Ivan! lasquei minha segunda fala, butininhu de novo! e ela, antes de dizer a dela... soltou um "ahhhhh!!!"... que ela nunca tinha feito nos ensaios!!!
NOTA: verdade que, depois, nós dois improvisarmos adoidados durante nossas gravações virou uma deliciosa rotina abençoada, em tríade, pelo triunvirato roberto-silnei-randal! mas... não, ainda, nesse primeiro dia!!!
preciso falar??? foram mais uns dez minutos de eu rolando de gargalhar... desta vez com o Silnei descendo e procurando me "acalmar" e rogando à La Muniz que se contivesse um pouco... "ao menos até o Ivan se acalmar"!!!
... e foi a voz do Silnei, quando ele subiu, que soou no estúdio vinda do switch... e não a Randal... recado muuuito claro pra mim de que ele estava pra ficar ou já estava bravo e de saco-cheio das minhas patetices!
ok, gravando!
... era um take cumpridão mesmo, talvez de uns 10 minutos que, claro, poderiam ser interrompidos e reiniciados a partir do ponto tal porque era video-tape... e a Myriam se conteve como pedira o Sil e fez tudo exatamente como ensaiáramos e tudo foi muito bem até que ela tinha que pegar meu dedo pra examinar e dizer que estava magrinho e... nessa hora, como ensaiáramos, ao invés dela pegar meu dedo direto... ela primeiro fez como se errasse e fosse pegar no meu pinto!!!
pra quê??? ... e agora tuuudo tinha ficado muuuito mais complicado porque o Romano teve que correr com as minhas calças e minha cueca pra secar com ferro-elétrico na sala-das-costureiras porque eu me mijei de rir, de verdade!
aí, claro, o Randal também desceu!!! e eu, enrolado só numa toalha, pensei: agora fudeu! vou ter que ouvir todas e calado porque claaaro que ele tá com a razão e não eu!!!
... mas o Ran era messsmo o Homem-das-Surpresas!!!
ele ficou messsmo uns quinze minutos fazendo sermão de repreensão e falando sobre horas extras que a Record pagava aos funcionários por causa de certos atores que não respeitam isso-e-aquilo e que o cabo-man tava trabalhando desde as oito da manhã e que agora eram, exatamente, 2 e 45 da madrugada e isso e mais aquilo... dirigindo-se, única e exclusivamente... à dona Myriam Muniz! e não à mim! pelo contrário, me defendendo bravamente enquanto dizia que graças as "gracinhas" dela estava levando um ator como eu, sempre tão profissional, a me desconcentrar e... puts... ele falou pra caralho! até o Romano voltar com minhas calças e cueca cheirando xixi-quente... mas absolutamente secas... e, claro, voltarmos a gravar a partir daquele ponto...
eu, felizmente, sem pique e nem "clima" para dar mais nem uma risadinha de leve, sequer!
quer saber? o Randal era um psicólogo! hoje entendo, perfeitamente, que tooodo aquele sermão... na verdade foi pra mim... e não pra Myriam!!!
só que... é claaaro que a My entendeu isso e deixou que ele falasse olhando pra ela e ela fazendo cara de vítima e abanando a cabeça que sim-sim!!!
que amigos eu já tive e tenho, meu deus!!!!!!!
na foto, abaixo, João Pão e o Tisiu, outro personagem que o Roberto inventou, Lá pelo meio da novela, como meu segundo-melhor-amigo quando o Bugato começou a ensaiar não lembro que peça e lhe pediu pra não entrar mais em tooodos os capítulos!
o ator que interpretava o Tisiu usava como seu nome artístico, apenas, "Chuvisco"! porque ele era o personagem Chuvisco na antiga Turma dos 7 (que eu assistia muuuito antes de entrar, também eu, pra TV)!
... e parece que ele tem a mesma idade que eu aí nessa foto, né? que nada! o cara, nessa época, tinha vinte e poucos anos já!!!

Ivan José e "Chuvisco" - TV RECORD

Ivan José e "Chuvisco" - TV RECORD

JOÃO PÃO II

contar "causos" acontecidos durante as gravações do "João Pão" ocuparia meses e este blog, ao contrário do que desejo, se tornaria "a história do João Pão" e não uma considerável parte de 34 anos da História do Teatro Paulistano!
assim, pensei... rememorei muuuita história-minha... e selecionei uns poucos pra contar pra vocês, tá? vamos lá!

CAUSO I
o mais emocionante! lá pelo meio da novela, eu acho! o João Pão tinha um cachorro vira-lata mui simpático cujo nome era, mui criativamente, Totó! como a mãe-adotiva do João odiava cachorros o cachorro do João vivia na casa do mecênico amigo do João! não lembro quem era a dona real do cachorro que levava o cachorro (não nos ensaios, claro! hehehe!) nas gravações! ok! o João Pão era apaixonado pelo seu cachorro e o Ivan José tão apaixonado por esse animalzinho de aspecto débil e beeem feinho como o João!
aí... a gente recebia os capítulos da semana lá no clube alemão toda a segunda-feira... aí... chego lá eu naquela segunda-feira e estranho que o Roberto Freire esteja lá porque o Roberto ía à todas as gravações mas jamais aos ensaios... pego meus scripts das mãos dele, que lembro que estava estranhamente sério demais, e leio, na primeira página, o título de um dos novos capítulos: A MORTE DO TOTÓ!!!
preciso contar o que se seguiu àquela minha simples leitura do título desse capítulo? e preciso explicar porque o psiquiatra-e-meu-amigo-e-paisão fora, pessoalmente, me entregar esse capítulo em mãos e tentar aliviar um pouco a minha barra???
bom... ensaiamos, a galera toooda também bem chateada e tooodos me dando força e tooodos cheios de mimos e cuidados e carinhos-demaaais comigo nesses ensaios e no dia da gravação porque eu já comecei a chorar quando olhei o cenário com a casota vazia... e coisa e tal...
e era assim: um moleque qualquer (dos extras) chegava correndo na minha casa e falava pra eu correr pra oficina porque o Bógus (o personagem dele, o Juca, claro) queria falar comigo imediatamente! eu, que ía entregar uma trouxa de roupa lavada atiro a roupa lavada no chão de terra do nosso quintal e saio correndo ouvindo os berros da Lélia (minha mãe) atrás de mim!
ok! até aqui eu tava me segurando e era tanto mimo e cuidados comigo da equipe toooda nessa noite (lembro que apareceu no estúdio, do nada, torta de morango com chantilly e uma pá de coisas que todos ali sabiam que eu adorava!) que eu tava sendo o máximo profissional e, que eu me lembre, todas as cenas tinham sido "de primma" até ali!
... mas... como eu sabia... tinha chegado a hora de eu gravar a cena... que eu não queria gravar de jeito nenhum!
e foi assim: o Bógus já tava lá sentado, quietão, do lado da casinha! eu sai dando voltas pelo estúdio feito um estúpido, o Romano atrás de mim matreaqueando "tá precisando de alguma coisa? qué um copo d'água? não, você odeia água! vou buscar uma coca-cola? come mais um pedaço da torta, eu escondi um bem escondido pra você" e coisa e tal... e o pessoal só me olhando, de longe, sacando o medo descomunal e o descontrole que eu tava naquela hora!
... e vi o Randal cochichando com o Si e aí a voz dele me assustou porque o estúdio tava em silêncio e, de repente, o Randal berrou: Ivan! vem cá!... e eu fui, né?
aí o Silnei ficou quieto e o Randal me disse assim:
- quer gravar direto? sem ensaio?
... e eu tava olhando pro chão e só balancei a cabeça que "sim" e aí peguei a mãosona dele e dei um beijo bem rápido nela!
ao que ele correspondeu com um berradíssimo: "ok! gravando! silêncio total neste estúdio! não quero ninguém nem ao menos mexendo um dedo aqui dentro durante esta gravação"! e lá se foram ele, o Si e a minha mãe pro switch!
sentei do lado do Bógus! ele só me olhou, não disse nada! ... mas, logo, ele pegou e ficou segurando bem forte na minha mão!
... bom... a cena começava com eu já sabendo que o Totó tinha morrido! e eu falava pro Juca como eu tava triste e ele me consolava falando que o Totó tinha ido pro céu dos cachorros e eu perguntava se existia mesmo e onde era o tal céu de cachorro! como ele era um personagem muito humano-demais mas, também, muito inculto e meio burro ele me respondia que nós íamos, naquele momento, pra igreja conversar com o frei porque ele, o frei, ía saber me explicar melhor!
e... the end! ou seja... um take de uns... 3 minutinhos, se tanto fosse?
ok... gravando! a luz vermelha da camera acendeu! agora eu tenho que olhar para a cara do Bógus e não, apenas, pra mão peluda dele apertando a minha mão branquinha!
olhei... e saiu a minha primeira fala, direitinho, e juro que até pensei que eu já estar chorando mansinho de verdade tava legal e que como eu tinha conseguido dar a primeira fala e não teve nem ensaio dessa cena nem aqui e nem lá no clube, nunca, e eu e o Bógus só a decoramos separados... era só eu falar rapidíssimo que eu sabia que o Bógus ía me sacar no ato e falar mais rápido ainda do que eu e, pronto, pá, pum, a gente matava essa merda de cena em menos de um minuto... e... foda-se!!!
só que... aí o Bógus falou a tal fala dele de que o Totó foi pro céu dos cachorros... mas falou esquisito... e eu esqueci meu texto inteiro... me deu um branco total e geral na alma... e falei tipo assim:
- aonde é isso???
... e aí eu, o Ivan José e não o João Pão... tava mais que na cara isso, pra todo mundo no estúdio e no switch... comecei a gemer baixinho e me encolhi feito o Totó fazia e agarrei as duas mãos do Bógus... e não as mãos do Juca!
... e o Juca tinha que falar uma fala, sei lá o que... mas começaram a escorrer umas lagrimonas grossas dos olhos do Bugato... e nããão do Juca... e ele não falou porra nenhuma porque acho que também esqueceu completamente que existiu, um dia, um texto dessa maldita cena! só apontou a cabeça pro alto!
caralho! por quê o Silnei não mandava o Randal parar de gravar esta merda já que tá mais do que evidente até pros deuses do olimpo e os habitantes de Vênus que eu jamaaais vou conseguir gravar esta porra???
... e eu gemi... e falei isto, que o Roberto jamais escreveu:
- ... mais eu não quero ele lá em cima! eu quero o meu Totó... aqui!!!
... e larguei das mãos dele e me abracei na casinha vazia e agora eu chorava bravo!
... e não dissemos mais uma única fala do texto!
... o Bógus me agarrou por trás num abraço forte e eu sentia o corpo dele tremendo no mesmo tremor do meu!
... e aí eu me virei e afundei minha cara no peito hiper-peludão do meu amigo, completamente sem noção de onde eu estava, da existência de câmeras ligadas me gravando, completamente sem-saber se eu era Ivan ou João abraçado ao meu-amigo Bógus ou ao meu-amigo Juca!!!
... e eu comecei... a "uivar"!
... e a gritar, desesperado, repetido, "Totó" quantas vezes eu consegui berrar, o Bógus soluçando comigo!!!
... e não sei dizer quanto isto durou!
sei que acabou com duas mãos que eu conhecia há séculos me erguendo e me abraçando, eu sabendo perfeitamente que era a minha mãe!
... também não lembro quanto eu demorei pra perceber que, agora, eram outras cem pessoas me pegando e abraçando e beijando... e sacar que tooodos tavam chorando comigo, também, principalmente o Romano Dominguez, nosso contra-regra desde o primeiro capítulo do "Gente"!
... lembro do Randal ter sido o último e de que ele apenas me abraçou e me beijou... mas sem chorar!
e, nova surprise: quer ir comigo no switch e ver como ficou a cena?
porra... que cena? eu não tinha conseguido fazer a cena! ele tava me gozando? e eu disse: ... mas eu não consegui fazer a cena! e ele disse: conseguiu, sim! e parabéns! aos dois! quer vir com a gente assistir a gravação lá, Bógus?
e subimos, nós tres!
... o Randal pos o tape no ponto e disse assim: já tá cortado no momento em que vai pro ar, tá?
... e começamos a assistir a cena na mini-tv do switch! o Bugato e o Ran não mas eu desembestei a me melar de ranho e lágrimas tuuudo de novo!!! e, ao mesmo tempo, com a minha consciência de ator pensando: caralho! tá... maravilhoso! e, de repente, parei de chorar quando me toquei d'um detalhe: o reloginho que marcava o tempo de cena tinha... passado dos tres minutos? e as 3 cameras continuavam cortando, alucinadas, de close meu pra close do Bógus e geral e close e geral e close-close-plano-médio!!!
não lembro mas foi só perto dos seis minutos que a cena "acabou"! e o Randal disse: ficou ótima, né? e o Silnei já concordou comigo que vamos editar sem sonoplastia nenhuma, apenas os sons da própria cena que vocês acabaram de ver! ou seja: minhas poucas palavras, as poucos do Bógus e, depois, meus "uivos" e os choros-dissonantes-sonantes entre eu e o Bugatão!!!
... na fotinho, abaixo: Elizabeth Hartman (de Fada-Madrinha) e eusinho!

Elizabeth Harttman e Ivan José

Elizabeth Harttman e Ivan José

JOÃO PÃO I

sei lá... de verdade, penso que todos os meus trabalhos foram importantes pra mim e sempre os levei muuuito a sério, profissionalmente falando! mas, como todo artista, acho, por uns me apaixonei... por outros não!
da mesma forma que me debulhei em lágrimas na última cena do "Pablo"... que amei meu Patrick Dennis de "Tia Mame", meu Neco (vem cá, Neco, berrava o Carone em tooodos os programas!) em "gente como a gente" e o meu Pipo de "Ontem, hoje e amanhã"... eu iria me apaixonar por esse João Pão de forma irremediável!
e a tele-novela, ainda por cima, felizmente, foi estrondosamente bem-sucedida e ficou muuuito tempo no ar, cá e no Rio, também!

comecemos, então, pela ficha técnica principal (comentada, evidentemente):
"JOÃO PÃO"
tele-novela de Roberto Freire (outro dos meus paisões na época)
dirigida por Silnei Siqueira (puts... que vergonha de contar mas vou contar! apesar de todos-os-pesares e de eu amar o Silnei muuuito-de-verdade no meu coração e do Ademar e do Roberto terem me explicado e falado e reexplicado tudo muitíssimo bem... no primeiro ensaio do "João Pão" lá no clube alemão da Augusta... assim que começou... choveram pedras-e-fogo!!! eu bati-de-frente com o Si na primeira marcação! comecei a berrar que era ridículo e que eu não ía fazer daquele jeito e que isso e que aquilo e que eu era eu e que a novela era minha e... puts... eu despiroquei!!!
... e o povo em volta pasmo comigo! mas em silêncio sepulcral! e o Silnei só me olhando! parado! travado! me olhando!
... e eu berrando... e eu não conseguia parar de falar merda e nem de ofender ele... e... e...
... e aí... eu lembro... de repente... mas bem devagarzinho... o Si levantou a mão num gesto pra eu parar de falar... e eu tava chorando tanto, ao mesmo tempo, que meus olhos tavam embaçados e desfocados de tudo... mas... agora... quando eu parei de gritar... sei lá... eu cheguei bem perto, silêncio total no enorme salão, eu cheguei pertinho-demais daquele meu irmãosinho lindo-de-cara-de-anjo que eu achava que tava apenas parado-me-olhando-de-mão-levantada... mas... que nada... ele tava chorando tanto quanto eu! só que travado! e aí... caralho...
... aí ele... simplesmente... pos aquela mão levantada-dele na minha cabeça e começou a fazer carinho nos meus cabelos... e falou muuuito baixinho-demais mais eu tava tããão perto que eu ouvi que o Si me falou:
- tá bom! faz como você quiser fazer! o programa é teu, sim, eu sei! desculpa se eu sou apenas o diretor e apenas quero te ajudar um pouquinho só no que eu puder!
... claro que não devem ter sido exatamente essas as palavras mas foi o que ele me disse, tintim por tintim!

aí... aí foi o fim da tempestade! eu me agarrei abraçado nele e lembro que eu só falava "desculpa" feito papagaio... e eu chorava e ele me abraçava mais forte e chorava junto...
... e aí eu lembro que, aos poucos, todos os outros vieram vindo e foram nos abraçando em volta...
... e que quando o Ademar, muuuitos anos depois, marcou a cena final da "Missa Leiga"... eu teria certeza que ele havia copiado desse momento do primeiro ensaio do "João Pão", porque foram cenas idênticas... a não ser pelo fato de que o Dedé nããão estava nesse ensaio, obviamente)!
mas, continuando:
direção de TV = Randal Juliano
Elenco fixo:
Ivan José = João Pão
Lélia Abramo = lavadeira e mãe adotiva do João Pão (a novela se passava em algum canto não especificado da periferia de qualquer metrópole brasileira e com seus personagens sendo, todos eles, marginalizados e vívidamente pertencentes às classes excluídas)
Felipe Carone = o frei da minúscula paróquia local e "vigia-da-alma" do João Pão
Armando Bógus = um mecânico (não recordo o nome da personagem dele) que era o melhor amigo adulto do João Pão e que, entre outros assuntos, adorava falar sobre sexo com ele
João José Pompêo = o Anjo (mas anjo de verdade e não figurativamente! tanto que, na maioria das cenas (tipo historinha em quadrinho), ele aparecia em pé no meu ombro e falando comigo no meu ouvido!
... mais duas atrizes que fizeram muuuitos capítulos dessa novela foram:
Elizabeth Hartman = minha Fada-Madrinha linda, glamurosa e bondosa ao extremo (numa confusão na minha cabeça entre personagem e a minha-amiga atriz Beth)
Myriam Muniz = a Bruxa que atormentava e vivia atrás do João meio baseado-mesmo na história do João e Maria só que, aqui, apenas com o João! ... dessa data rolou a minha imensa e eterna amizade pela Myriam... que, depois, eu só iria reencontrar na EAD... mas, como dizia o Júlio Gouveia: isso é uma outra história que fica para uma outra vez!

Felipe Carone e Ivan José (gravações de "JOÃO PÃO")

Felipe Carone e Ivan José (gravações de "JOÃO PÃO")

IVAN JOSÉ = JOÃO PÃO

IVAN JOSÉ = JOÃO PÃO

Ivan José e a polêmica cena da curra !!!

Ivan José e a polêmica cena da curra !!!

Ivan José e Roberto Freire

Ivan José e Roberto Freire

RIO AGAIN

fui pro Rio, claro, sem imaginar que um tal de "JOÃO PÃO" iria entrar dentro de mim e me acompanhar por um ano ou mais, dentro em breve!
... e lá fomos, my mother, my sister Ana Lúcia and me!
repetição das cenas de semi-histeria quando os cariocas me encontravam pelas ruas e lojas e restaurantes... desta vez fomos à Paquetá (inesquuecível pra mim! ... e, creio, também pra minha irmã que estourou-lhe uma baita d'uma caxumba em pleno barquinho que eu remava!), entrei em dia proibido (porque o zelador era meu fã, lógico!) e conhecemos, apenas eu e minha galera, o Maracanã inteiro num tour que duvido que alguém mais já fez de tão completo... só não andei de bondinho porque alguém (não eu), não lembro quem lá tinha medo e todos fomos cooperativos em não deixar tal pessoa solitária a nos esperar (preciso lembrar de fazer o Reinaldo Santana incluir esse passeio como obrigatório quando, mes que vem, eu for lá começar a trabalhar com eles!)... e um milhão e meio de coisas mais! eram de um a dois, tres passeios a locais diferentes por dia no Chevrolet 54 do tiosão! a tia Maria sempre com "o coração a me saltar do peito que este transito maluco cá do Rio ainda nos mata a todos"! hehehe!!! ela tá vivíssima até hoje, graças à Deus!
... nossas caxumbas já tinham sarado... a da Ana, que nos passou, antes da minha e a do Mateus, claro... e... tirriiimmm... toca o telefone! a tia atende e grita pra minha mãe: corre a atender, Ladisinha, que é um homem da televisão a ligar de São Paulo!
gelei! ah, não! não, mil vezes não! eu queeero ficar aqui, porra!!! ... e devo ter começado a cantar beeem alto pra não ouvir nada da conversa!
but... lá vem a minha mãe: era o Dr. Roberto (ele chamava o Roberto Freire de Dr. Roberto). novidades!!! eu já sabia, outra série? isso... chamada "João Pão"! ah, tá, que legal, né? ... e sabe quem vai ser o João Pão? sei lá eu e nem quero saber! ... acho que quer saber, sim... porque o João Pão... é você!
uau, pensei! agora gostei! afinal eu já protagonizara uma pá de coisas mas personagem-título eu não tinha tido mais desde a minha estréia no "Pablo"!
... só que... exatamente aí... eu perguntei, meio sem pensar: mas por quê foi o Roberto que ligou e não o Dedé (Ademar Guerra)? ... bom... porque... eu hoje sei que ela sabia que a minha reação ía ser alguma daquelas totalmente-amalucadas-de-estrela que ela conhecia tããão bem no amado Ivanzinho dela... foi o Dr. Roberto e não o Ademar quem ligou porque... porque... porque não é o Ademar quem vai dirigir o João Pão!
O QUÊ?????????????????????
QUEEEM ELES PENSAM QUE VAI ME DIRIGIR NESSA MERDA DE JOÃO PÃO?????????????????????
ao que ela respondeu: o Silneisinho!!!
fiquei confuso! porra! eu amava o Silnei! meu irmãosinho-adorado-do-meu-coração!!!
mas... daí a ele dirigir esse bosta desse pão de merda no lugar do Ademar... íam-se septilhões de quilometros de distância!


... quebrei duas ou tres coisas, arranquei uns fios de cabelo, dei gritinhos histéricos, pulei e saltei e esmurrei o Mateus, falei 333 palavrões em 30 segundos... e passado meu ataque-estelar voei pro telefone e liguei pro Exmo. Sr. Dr. Roberto Freire que, minha mãe confirmou, acabara de ligar do consultório dele!
- alô? consultori...
- consultório da puta-que-pariu!!! - (cortei!)
- (após mini-pausa de estupefação) Ivan...?
- Ivan José, sim senhor! alguma dúvida?
- ... mas... (ruídos de pigarrear) mas a su... (sim, o Roberto gagueja-bravo quando fica nervoso!!!)... a... mas a... a sua mãe... não te...
- ... dessa porra desse pão de merda? falou, falou, claro!
- ... e você não... não... não ficou... contente???
- ... que palhaçada é essa que é o Si quem vai dirigir esse pão de bosta?
- ... I... Ivan... não... não fala assim co... comigo!
- falo como eu quiser, a hora que eu quiser, quantas vezes eu quiser! cadê o Dedé (Ademar Guerra, vocês já sabem)?
- ... I... Ivan... o Ademar... vai... viajar... e... dirigir... ma...mas quando... você chegar a... aaaqui... eu te explico... e o Ademar vai fa... falar... com você... por... porque...
- para de gaguejar, porra! responde: o Ademar não vai dirigir esse João Pão aí???
- ... na... na... não!!!
- ... então... Dr. Roberto Freire... sai correndo atrás de outro ator igual ao Ivan José!
- ... ma... mas,Ivanzinho...
- ... porque este Ivan José aqui... não vai fazer essa merda desse teu João Pão seeem o Ademar... nem fudendo!!!
e bati-lhe o telefone na cara!

quase desnecessário dizer que enquanto eu levava ao desespêro o pobre do Roberto em São Paulo... minha mamãe, comigo aqui no Rio de Janeiro, já pedira ao tio Aires pra dar uma volta de carro comigo e o Mateus pra eu "ir voltando ao normal aos pouquinhos"... assim que saímos, rapidinho, ela ligou de volta pro atormentado e já semi-apoplético Dr. Roberto... que, como bom psiquiatra, teve sangue-frio pra retornar ao seu normal e ensinou-a a como me convencer de voltar pra São Paulo e começar os ensaios jááá porque, além do mais, tudo se resolvera de sopetão e a nossa nova série... comigo "apenas" no papel-título... entraria no ar... dentro de 5 dias (ou quase isso, sei que eram bem poucos entre esse hoje em que estávamos e a estréia na TV Record)!

... quando voltei do passeio (andamos de carro a toa, tomamos sorvete e voltamos) eu estava mais-do-que-convicto de que "fodam-se, não vou fazer essa merda nem que me paguem meu peso em ouro por mês (se bem que eu sempre fui magrinho)"!!!
... minha mãe só faltava ter vestido um jaleco branco... porque começou a falar comigo... feito psiquiatra-mesmo e eu um louco desvairado (o que eu estava messsmo naqueles momentos)!
lembro que... menos de dois minutos depois... dei-lhe as costas... catei a bike do Mateus... e saí sozinho pra passear!

lembro que voltei já de noitinha e, apesar da cara de zanga de todos... ninguém me disse nada!
lembro que fui mijar e, do banheiro, escutei uma rapidíssima conversa da minha mãe ao telefone!
lembro que sai, fui na cozinha abrir as panelas pra ver o que íamos jantar... e o telefone tocou!
... e lembro que ninguém atendeu porque minha mãe falou lá da sala: vem atender que é pra você!

era mesmo! de São Paulo! pra mim! quem me ligava de lá e falava por umas duas horas comigo? o meu-Ademar Guerra!
lembro que eu berrei, chinguei, esbravejei, chorei quase que o tempo todo sem me controlar, tremi, suei como se estivesse correndo numa maratona sob um sol de 40 graus...
e, lembro, quando finalmente desliguei... eu, seríssimo, todo ranhoso e, literalmente, banhado em lágrimas... me levantei... olhei pra todos (pois eles no começo saíram da sala, todos, mas, depois, em função de tanta gritaria e histeria minha acorreram de volta com copos d'água-com-açúcar e tudo mais e por ali se deixaram ficar a ouvir... e apreciar o "espetáculo"... que deve ter sido mesmo de fazer, este sim, o coração da minha pobre tia saltar-lhe boca afora)... e disse:
- desculpem mas amanhã eu, a mamãe e a Ana voltamos pra São Paulo! eu vou fazer uma série nova na televisão... o nome dela vai ser "João Pão"... vai passar aqui no Rio, também, sim... e... e eu que vou fazer o João Pão!

Ivan José - caricatura em anúncio do "João Pão"

Ivan José - caricatura em anúncio do "João Pão"

O "ENTÊRRO" DA POBRE DONA CAMILA

na foto abaixo, eusinho (com essa ridícula roupitcha de marinheiro-débil-mental) e a Marina Freire, tocando, de verdade, a corneta pra subirmos a "bandeira do general" (uma alusão-fálica do autor, sim)!
detalhe: no enterro de "Camila"... é, eu era uma espécie de delinquante-viciado e irrecuperável, sim... adivinha o que eu fiz??? meti um chicletão no bocal! e me mijei de rir (junto com o público todo) enquanto a coitada ficava roxa de tanto se esforçar pra tirar um sonzinho qualquer que fosse do instrumento!
ah... e mais um detalhe final, aqui: dona Nydia Lícia jamais voltou a falar comigo depois desse episódio! ficou indignada! hehehe!!!!!!!

Ivan José e Marina Freire

Ivan José e Marina Freire

" CAMILA "

... e foi por essa época que a Nydia Lícia (outra figura que eu nunca fui com a cara, ela e o Alceu Nunes, o "chato-sem-galochas) me convidou pra fazer "CAMILA" (mais uma vez eu me apresentando no, então, maravilhoso Teatro Bela Vista onde eu já fizera "Tia Mame"!
... dos ensaios eu não posso dizer que me lembre de absolutamente nada! lembro que eram chatos e, pra mim, um porre total!
o Amir Haddad era um diretor (na época, pelo menos! nunca mais vi o Amir e tenho o maior respeito pelo trabalho de rua que hoje ele desenvolve lá no Rio, hoje) tããão absolutamente diferente dos meus Júlios Gouveias e Dulcinas e Ziembinskys e, principalmente, do meu super-Ademarzão!!! ele era... apático, anti-carismático e extremamente liberal! tipo fica "mais ou menos aqui assim" e "fala mais ou assim-assim"... ou fala como você achar melhor! ... e, aí, eu já pensava assim: pra que gastar dinheiro com um diretor, então?

do elenco faziam parte o Nilson Condé (com que eu sempre troquei mui cordiais boas tardes e boas noites e nada más!), o Rodrigo Santiago (afetadérrimo, já, e que se "concentrava" tanto que eu sempre saía de perto dele com medo que ele explodisse... ou coisa pior!), a Dina Sfat (muito simpática e esforçada era essa, então, estreante atriz), Marina Freire (que fazia minha mãe e já trabalhara comigo na "Tia Mame" e com que eu me dava bem profissionalmente!), a dona Nydia Lícia Pincherle Cardoso (que, obviamente, dentro do próprio teatro interpretava a tal da chata da "Camila", a personagem principal) e o casal (então eles eram um casal!) Maria Célia Camargo e Altair Lima!

... desses dois, sim, eu gostei! e foram os meus parceirões e amigos durante os 5 ou 6 meses que rolaram entre ensaios e o término dessa temporada!
a Maria Célia tinha uma personalidade fortíssima e adorava me contar histórias e causos e ir tomar coca-cola e comer sanduiche comigo no bar da frente ao teatro! e me dar conselhos, sem eu jamais precisar, sequer, pedi-los! ela tinha verdadeira "tara" por me dar conselhos! eu acho!
o Altair era meu companheiro de camarim! e a coisa que a gente mais fazia juntos... sabe o que era??? rir!!! a gente vivia rindo!!! por tudo e por nada!!! eu amava o Altairzão de paixão!!!!!!!

ah... também não havia dito isto, ainda... mas ganhei prêmios com o "Pablo", com "O titio", "Tia Mame", citação por "César e Cleópatra", pelas duas séries recentes da Record e até por um tele-teatro que não lembro mais qual foi! viviam me dando prêmio por tudo! e até por nada, eu acho! eu tinha, até, um terninho e uma gravata-esquisita especiais pra ir receber esses prêmios todos!!!
pois é... por "Camila"... eu só recebi a grana mensal mesmo!!!
e que era boa! não posso reclamar!
nossa!!! como eu ganhava... e gastava dinheiro adoidado nesses tempos!!!!!!!

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

... fez muito sucesso, sim, mas, mesmo assim, ficou apenas uns 6 meses no ar (ou pouco mais que isso)!
na verdade não me recordo de absolutamente nenhum fato merecedor de destaque aqui.
ensaiávamos, na época, num clube alemão que existia do lado esquerdo de quem sobe a Rua Augusta, precisamente no local onde, hoje, passa a 23 de maio por debaixo!
a zeladora fazia sopas deliciosas pra nós no inverno e fora dos invernos haviam tortas e mil coisas deliciosas pra se comer!
eu só odiava quando ela fazia aquelas toneladas de chucrete pra festas que haviam lá nos finais de semana (nós nunca ensaiávamos em finais de semana, lógico)! o lugar virava uma fedentina que eu sempre associava a um banheiro fechado, coalhado de homens e todos peidando ao mesmo tempo!!!
hehehe!!!
... e, aí, eu voltei pro Rio de Janeiro!

UM MEIO QUE ESTRANHO COCKTAIL !!!

... aí o nosso “GENTE”, como tudo na vida, um dia acabou e eu fui pro Rio, pra casa da tia Maria, no Engenho de Dentro... e fiquei abestalhado com a minha popularidade lá! Aqui em Sampa eu tava acostumado, claro, a ser reconhecido em todo canto e dar autógrafos e coisa e tal... mas no Rio...uau!!! o povo parava na rua! Me fechava em roda! Me dava o que tinha na mão de presente! As lojas paravam de funcionar quando eu entrava! Restaurante jamais cobrava conta! Eu pirei! ... e aí sabe o que eu fiz? Desfilei no Arranco, vestido de índio, junto com os meus primões-adorados, o Zé Luís e o Mateus! ... e foi muuuito 10! TUDO LÁ FOI MUITO 10!!!

But... certo dia recebo um telefonema! Minha mãe recebe, na verdade! Voltar já! Nova série me aguardava! Voltamos, claro!

... e começou “ONTEM, HOJE E AMANHÔ que, na verdade, era o mesmo “Gente como a gente” apenas em nova casa, bairro e classe social! Porque se o “Gente” se passava tipo na Vila Mariana e numa família classe B o “Ontem” era na Freguesia do Ó e numa classe C. mesmo elenco, mesmo tudo . só que, agora, sem convidados especiais a cada capítulo! E, também fez muito sucesso, foi muito legal mas... sabe-se lá exatamente porque... ficou apenas alguns poucos meses no ar!

.. e aí eu fui de férias, de novo, pro Rio, lóóógico!!! Adoro o Rio, sempre amei!

... mas eu falei da Cacilda lá em cima, na chamada... e cadê a porra da Cacilda nesta história, afinal?

Então... os cocktails-must, na época, eram todos na Terrazza Martini, na Av. Paulista, Conjunto Nacional! E, obviamente, o do “ONTEM, HOJE E AMANHÔ também foi! minhas mães de casacos de peles e conjunto de brilhantes com aqueles pedras negras que não sei como chamam (minha-mãe-Lady) e conjunto de brilhantes com esmeraldas (que era, na verdade, da minha avó Ermelinda mas era a minha-mãe-Lélia quem o usava nessa noite)! Aí, lá pelas tantas, rola um zum-zum-zum e, do nada, entram a Cacilda e o Walmor! Os repórteres e TVs se excitaram, claro, e coisa e tal e vamo que vamo! Enfim, o corriqueiro!

... e aí ois e bejitos... ela começou a cumprimentar todo mundo... e aí aconteceu um lance muito estranho: ela parou na minha frente, me encarou com a cara mais séria do mundo... e saiu batido sem nem me dizer oi! Fiquei desconcertado! Porra! Não podia ser que, tanto tempo depois, ela ainda estivesse puta comigo por causa daquela besteirinha de moleque! Eu amava a Cacilda, porra, e tinha o maior dos respeitos por ela como atriz e minha amiga!

... ta, preciso contar a “besteirinha”, né? Ok! No último dia de “Tia Mame” a Dulcina me ensinou... em cena... ela me ensinou isso em cena aberta com o público mijando de rir da minha carinha de patzo... o que era “enterrar” a peça, na última apresentação! ... e se mijou de rir quando eu entendi tudo... e, em retribuição à aula... lhe despejei uma jarra de falsa-limonada na cabeça!!!

... Ok... na última apresentação de “CÉSAR E CLEÓPATRA” ta certo que ninguém me falou de enterro nenhum e nem eu com ninguém e enquanto rolava a cena entre a Ca e o Zimba meu estômago começou a doer porque eu saquei que não ia ter enterro nenhum... mas aí... eu já tinha feito... e não tinha, naquele momento, como desfazer!
... e aí eu entrei e foram rolando as cenas... e eu quase desmaiando de arrependimento... e aí... claro... chegou a cena em que a Cleópatra entrou pra esculachar o Ptolomeusinho! E aí eu olhava pra ela e gaguejava e fazia caras e gestos... mas ela não entendia e, depois, acabou dizendo que quase chorou porque pensou que aquele meu nervosismo era emoção por ser o último dia...
... e ela estranhou quando, pela primeira vez desde que a peça estreara eu sai correndo pelo palco e me pus na frente do tamborete (um banquinho) pra ela Nããão sentar! Só que... ela me encarou... com aquela mesma cara de brava que contei aí em cima... me deu um empurrão que quase caí no chão... e sentou na porra do tamborete sem nem olhar pra ele!
... aí eu respirei aliviado! E ri! Porque ela não tinha lido o que eu tinha escrito no tamborete!
Só que... aí aconteceu o pior e, juro, uma coisa que eu sequer havia cogitado ou jamais teria feito, eu juro!
Ela levantou... de costas pro público... e a platéia... lotadaça... veio a baixo de tanto rir!!! ... e num momento seríssimo da peça!
A Cacilda travou, claro! Todo mundo em cena travou! Menos o Zimba, eu vi! Porque ele olhou pro público e logo sacou que o público ria e apontava pra bunda da Cacilda (que usava uma túnica justa imaculadamente branca) e foi até ela, virou a Ca... olhou pra bunda dela... e despencou a rir com o público quando leu aquele “L A T R I N A” estampado em batom vermelho com toda a perfeição... e a “MINHA LETRA” na bunda da Primeira Dama do Teatro Brasileiro!

... a peça acabou mal e porcamente (por minha culpa!) e quando eu imaginei que ela ia me estrangular (com justa causa!) ela apenas me pegou, gentilmente, pela mão e me levou pro camarim dela e trancou a porta! ... e aí, porra... ela sequer alteou a voz um tonzinho que fosse pra amenizar minha culpa! Cacilda Becker, aquela mulher que eu amava dimais-dimais-dimais apenas me explicou que Tia Mame era uma coisa e César e Cleópatra outra e que Dulcina era Dulcina... e que Cacilda era Cacilda! ... e aí quando eu dasabei em choro ela... ela me pegou no colo... e começou a me beijar e fazer carinho feito se eu fosse o Cuca e aí... e aí só revi a Cacilda nesse momento em que ela entrou no cocktail da Terraza com o tal do Walmor de quem eu não gostava!

Bien... ela fez o tour completo dos cumprimentos e eu olhando pra ela e me segurando pra não chorar pra não vir repórter me fotografar correndo e perguntando: que foi que foi que foi, Ivan?

E aí foi bem assim, cenicamente falando: ela tipo numa ponta da Terrazza cumprida e eusinho na outra de terninho-de-palhacinho e tudo-mais! E vi que ela me encarou de lá! E veio com tudo, jogando a cabeça pra trás daquele jeito que ela fazia e soltando fumaça de cigarro pelo nariz feito locomotiva!
e... me pegou pela mão... sem falar nada... e eu pensei: caralho, ela vai me levar de novo pro camarim dela e... só que ali não tinha o camarim dela... então... ela me levou foi pra um dos sofás que, estranhamente, estava vazio!
... e aí veio o batalhão de fotógrafos e câmeras e aí... aí ela bradou, em alto e bom som: por gentileza, os senhores podem se retirar daqui e não voltarem antes que eu chame? Eu quero falar com o Ivan! Em particular!
Hehehe!!! E eles saíram de perto de nós, claro!
E eu (que inúmeras vezes sei que pareço meio abestalhado!) já comecei a pedir desculpas e ela me olhou... e desatou a rir! E aí me disse tipo: esquece essa besteira, isso você já aprendeu! ... mas sabe o que você não aprendeu, ainda? Muita coisa! Tais como a História do Teatro e esgrima e comédia del'arte e... e depois de algumas “horas” de aula arrematou com um categórico: portanto, assim que fizer 18 anos você vai me jurar, aqui, agora, que entra na EAD! E sendo o ator que você já é em primeiro lugar, obviamente! Jura? ... e eu jurei”! lóóógico!

... mas por quê eu disse que, em parte, ela estava me passando os problemas dela? Simples: porque ela mesma me disse, nesse papo, que uma das grandes frustrações dela foi não ter cursado tipo-uma-EAD (embora, como sabem, ela deu aulas na EAD logo após a fundação da escola pelo Alfredo Mesquita)!

... na foto abaixo (esquerda pra direita, sempre) Felipe Carone (que fazia meu papai), Irina Grecco (minha eterna irmãsinha do coração), Maurício Segall (que fazia o namoradão da Irina! ... e, em tempo, acrescento uma informação que esqueci de dar antes! em "GENTE COMO A GENTE" quem fazia o namorado da Irina era o Armando Bógus que, na realidade, namorava com ela de verdade nessa época!), Lélia Abramo (minha segunda-mãe, de novo!), eu (ostensivamente na frente da Lélia), Osmano Cardoso (que fazia nosso vizinho eternamente adoentado e hipocondríaco, um personagem engraçadíssimo brilhantemente interpretado por esse meu amigão que é outro de quem eu morro de saudades!), Arabela Bloch (que fazia a filha do Osmano... e já falei que ela foi a primeira mulher que eu quis comer na minha vida? mas claro que não comi, né?) e o Jairo Arco-e-Flexa (que fazia o zangado e antipático namorado da Ara)! ... notar que nesta foto (não sei por quê) faltam o Silnei e o Pompêo que, mais uma vez, interpretavam os meus irmãos! aliás, pensando bem, acho que eles estavam, sim! mas como a foto ficou por demais "cumprida"... eles, da revista 7 dias na tv, simplesmente cortaram... centralizando em mim, obviamente! hehehe!!!!!!!

Ivan José & elenco de "Ontem, hoje e amanhã"

Ivan José & elenco de "Ontem, hoje e amanhã"

GENTES NO NOSSO GENTE...

antonces... Inezita Barroso foi de quem eu me lembro mais e vom quem mais adorei gravar! ... o Roberto inventou que, a cada capítulo, "alguém" surgia em nossa casa e... entendeu, né? aí houve aquele cara que só me lembro como sendo o "homem das derrapagens",um negro simpaticíssimo que me ensinou a cantar e empostar a voz! ... e a Milene Pacheco, anos depois, inimiga da Mariajosé de Carvalho, se atreveria a me dizer que estava "errado"!!! rssss!!! ... houveram umas... sei lá... muuuitas participações... mas apenas mais "uma-especial" me marcou: ARI TOLEDO!!!... "VO-MIMBORA PRO MEU CEARÁ PORQUE LÁ TENHO NOME... AQUI NÃO SO NADA SO SÓ ZÉ COM FOME"... e acabava com: "VO PEGA MIA MULA VO ANTIS QUE TUDO REBENTE PORQUE TO AXANO QUI U TEMPU TA QUENTI I PIÓ DI QUI ANDA NUM PODI FICÁ!!!!"... aí... como eusinho, prenúncio de agitador e contestador, cada vez mais puto e indignado com filhos-da-puta que fodem-e-só-fodem meu povo, que os sugam e desarmam sem parar, via não-lhes-dar-educação, poderia fazer como o the-big-astro-mirim Ivan The Rou? berrar? sair às ruas nú e chamar a mídia d'antão (seleta e politisada e não, apenas, oportunista e "comprada"?) pra flagar meu protesto???... juro... eu já entendia beeem de tuuudo isso pois conviver, diariamente, com Robertos e Ademares e Lélias e Silneis e Pompeus... uau!!! pena você não tê-los tido como eu os tive, meu amigo!!!!!!!
but... nada disso fiz! pq acabou nosso GENTE (porque, acho, no fundo, apenas porque que a Irina brigou com Monsieur Votorantim Ermírio de Moraes... nosso patrocinador exclusivo e eterno "parceiro-apático" em nossas gravações!)... e aí... sei lá eu quem veio patrocinar uma nova série nossa! mas... claro... ALGUÉM VEIO NA COLA DOS "FABULOSOS E GLAMUROSOS TECIDOS-VOTORANTINS" QUE MINHA-IRINA ENCARNAVA... ABSOLUTA E ÚNICA... ENTÃO!!!

... PEQUENO COMENTÁRIO MERAMENTE EXPECULATIVO !

... estávamos, ainda, em 1963! só no malfadado 31 de março de 1964 começaria o novo massacre ao povo brasileiro! ... mas... anos depois... estouraria nos meios de comunicação o tal "boato" (tal qual aconteceu com o Wilson Simonal!) do forte-envolvimento do Randal com os meios-de-repressão! verdade? mentira? apenas boato? ... teria sido aquele seu ato de censura das nossas nudezas-fraternas um sinal-claro do que estava por vir... e ele já sabia que viria, sim? ou mera coincidência??? ... bom... num país em que lulas governam homens e jamais cumprem suas promessas de abrir os arquivos dos 21 anos de "obscura-pseudo-história" nacional... pra, assim, manter obscuros e néscios seus burros-governados pra que, burramente, votem em quem lhes for mandado... bom... no meio dessa merda-toda... quem saberá, de fato... o que é realidade? ... ou mero boato???

GENTE COMO A GENTE... O PRINCÍPIO !

... começamos a ensaiar o "GENTE" no minúsculo consultório do nosso autor e psiquiatra e meu novo-super-amigo-repentino (porque saquei a genilidade e boa fé dele-comigo no ato!) Roberto Freire que ficava naquele anguloso prédio na esquina da Maria Paula ao lado do, então, prédio do Estadão! e, de cara também, me apaixonei, perdidamente, por mais 4 pessoas: ADEMAR GUERRA, LÉLIA ABRAMO, IRINA GRECCO e SILNEI SIQUEIRA! ... dias depois entrávamos no pequeno estúdio da TV RECORD e começávamos a gravar nosso primeiro episódio da série! ... lá pelas duas da madruga... estamos eu, já peladinho-da-silva, e o Silnei só de cueca e pronto à tirá-la pra cena do nosso banho-fraterno e absolutamente normal entre irmãos... onde eu, lembro, fazia o mais singelo apelo ao meu brosinho mais velho pra me tranquilizar de que eu também viria a ter pentelhos e um pau grande como o dele quando eu crescesse... quando entra, aos berros, no estúdio o "grandão" Randal Juliano... que viria a ser meu também-amigão por anos e diretor de TV das minhas 3 séries consecutivas na Record e brada pro Ademar: pelados nããão!!! ... segue-se acalorada discussão entre os dois porque magina que o meu-diretor, o Ademar-meu-amor, era artista de se deixar intimidar??? ... comecei a ficar com frio! sei lá... talvez, pela primeira vez, achei que minha nudez ingênua pudesse ofender... sei lá... "quem" ou "o-que-quer" que fosse... e me enrolei numa toalha até o pescoço! ... mui bien... lembro que quando o Randal apelou pro "eu sou um dos diretores da Record, porra"... só aí o Roberto interferiu e disse: ok! chega! os dois de cueca, então!... ao que o Randalzão respondeu: isso! de cueca! e eu só enquadro os dois da cintura pra cima! ... e assim-se-fez nossa fraternal, ingênua e coloquial cena entre irmãos menor e maior... e lindo, porque o Sil era lindo, diga-se de passagem! ... ambos éramos, na verdade! hehehe!!! ... e ainda nos tratamos como irmãos!!! porra!!! gracias a la vida que me ha dado tanto!!! ... mas, continuando! eis que... de repente, não mais que de-repente... em meio-mesmo ao nosso-censurado-banho... me vem à mente um episódio recente!!! ... a primeira cena que eu fazia em "CESAR E CLEÓPATRA" começava com o Chaia me dizendo: Ptolomeu, presta atenção! é a primeira vez que vais falar diante do povo!... e aí, pleno nervosismo-natural-de-estréia... eis que, na coxia, o dito-cujo se abaixa e sussurra no meu ouvidinho: Pintolomeu, presta atenção! é a primeira vez que vais mostrar o pinto diante do povo!!!!!!!... por quê? eu jamais soube! mas ele me sussurrou isso no ouvido antes de cada representação, por toooda a temporada!!! coisas de Jorge Chaia!!! ... mas lembro que foi aí, debaixo daquele chuveiro-improvisado de estúdio, enquanto o meu irmão Silnei me dizia que sim, claro, meu pipi ia crescer, sim... e coisa e tal... que eu pensei: porra, que bosta! a TV e os espectadores brasileiros acabam de perder, pra sempre, a oportunidade de apreciar um belíssimo pintinho semi-virgem de 12 anos!!!
... na foto abaixo (publicada na revista "Intervalo" na semana anterior à estréia de "Gente como a Gente") estão (da esquerda para a direita, tá?): Silnei Siqueira, Irina Grecco, Lélia Abramo, Felipe Carone, Ivan José e João José Pompêo!

... DO COMIGO-NINGUÉM PODE À TV RECORD !!!

... então... era um final de tarde e a Morineau gravava com a Rosamaria Murtinho algumas cenas de que eu não participava... e meninos (mesmo se atores e estrelas-mirins!) não sabem ficar parados, certo? e são muito curiosos! e alguns (como eu) podem, também, ser bem audiciosos e idiotas, ao mesmo tempo! lembro que há tempos eu duvidava de que apenas encostar a língua no talo quebrado do comigo-ninguém-pode matava até um elefante! que patetice, pensava eu! ... e como o saguão da Excelsior estava vazio naquela hora... e como havia aquele enorme vaso repleto da maléfica planta... e como fosse eu Ivan José, o invencível... por quê não apenas lascar um nadinha daquelas talos frondosos e verdejantes... e beber... só um pouquinho daquela gosma transparente, tentadora e... mortífera? e... foi exatamente o que eu fiz!!! uau!!! ... meu berro e "estertores" passaram a ser tão terríveis como se Jack, o Estripador, estivesse me atacando! e é claro que o estúdio inteiro correu pra me salvar! ... e eu, aos berros, chorando e berrando altíssimo, minha boca em brasa, clamava à todos que me vissem morrer em menos de 30 segundos... ao que, ao compreender a asnice que eu cometera, La Morineau (que apenas assistia, lembro, "impávida e colossa" àquele meu pequeno show de interpretação que parara as gravações já atrasadas) ordenou: trrragam água! muita água! ... e disse, então, Madame à minha mãe: você cum cerrrteza trrás iscova-di-denti deli na sua boolsa, oui? bien! lavi-lhe bem a línga i tuda boca! i faça-u calarrr-si... qui prrriciso grrravar!!!... sobrevivi... embora ainda choramingasse e a boca ainda ardesse um pouquinho... quando alguém entrou no banheiro feminino em que minha mãe ainda operava em me livrar dos meus padecimentos e anunciou: dois senhores querem falar com o Ivan José! aguardam no saguão! e saiu! ... e, pobres desses tais senhores! levei mais uma meia-hora até me recompor e, olhos vermelhos, ir atendê-los! ... quem eram? Roberto Freire e Ademar Guerra! o que queriam? me convidar pra fazer "Gente como a gente", na Record! ... o que eu respondi, na buxa? obviamente eu disse que não!!! porque jamais deixaria meu Júlio e Tatiana e, ad eternum, trabalharia, exclusivamente, com-eles ou perto-deles! ... e quem, no dia seguinte, me disse "para de ser besta, muleque! é claro que você vai aceitar esse convite, sim senhor... e já"? ... o Dr. Júlio Gouveia! ... e aí o que eu fiz??? ... ué... eu obedeci, claro!!!!!!!

IVAN JOSÉ / FELIPE WAGNER

IVAN JOSÉ / FELIPE WAGNER

Ivan José, Felipe Wagner, José Serber e Georges Ohnet

Ivan José, Felipe Wagner, José Serber e Georges Ohnet

IVAN JOSÉ (e não Ivã José, como o jornal publicou aí)

IVAN JOSÉ (e não Ivã José, como o jornal publicou aí)

EXCELSIOR E MADAME MORINEAU !!!

... mas eu havia dito que falaria da Morineau, certo?
então... pós "PABLO, O ÍNDIO" fiz 1000 coisas, ainda, na Tupi! PADRE VICENTE - TOM SAWYER - TEATRO DA JUVENTUDE - TVS DE COMÉDIA E VANGUARDA...
... mas eis que era criada a TV EXCELSIOR - CANAL 9... e eis-me lá, obviamente!
primeiramente, "O TITIO", seriado de Tatiana Belinky... onde, aliás, criei meu primeiro texto para um dos episódios e que se chamava "O PIC-NIC"! Beatriz Segall minha mamãe de novo... José Serber meu papaisão... e perdoem se não lembro mais quem foram meus irmãos e nem mesmo se os tive lá!
... fiz um seriado curto e sensacional que se chamava "O CASAL" e onde éramos apenas eusinho... e por papais o casal Cleyde Yáconis e Leonardo Villar! mein Got... que tempos deliciosos de televisão-positiva!!!
... e fiz, ainda, vários tele-teatros! TELE-TEATRO EXCELSIOR e TELE-TEATRO BRASTEMP... ambos sob direção geral da Bibi Ferreira... um deles "A SAPATEIRA PRODIGIOSA" onde cantei em público pela primeira vez e descobri que dona Bibi (já era video-tape, claro) só funcionava a base de ponto-de-ouvido... e eu obrigado a ficar ouvindo aquele bla-blá-blá-baixinho saindo das orelhas dela enquanto contracenávamos me incomodou sobremaneira e fez com que meus conceitos sobre tal dama diminuíssem quase ao zero!
... mas... voltando aos tele-teatros... fui dirigido pela primeira vez pelo Antunes Filho, entre outros... e... eis que, de repente e não mais que de repente... chamam-me pra um texto francês (que também não lembro do nome)... onde os três únicos personagens eram interpretados por mim (que tocava piano ao vivo)... Rosamaria Murtinho de mamãe-minha... ao lado de Madame Henriette Morineau (que também dirigiu o "evento")! ... e eusinho... que já havia dividido palcos, por meses, com monstros como Dulcina e Cacilda e tirara de letra... tremi na base!
Morineau era... sei lá... majestosa? européia demais... ou atriz-demais???
as 3 coisas, com certeza!
nos ensaios ela me pareceu... fria! técnica! e perfeccionista em excesso! confesso que pensei: que velha chata e convencida essa aí! quem ela pensa que é? afinal... eu sou eu, o Ivan José!!!
mas... quando gravamos a primeira cena... eu descobri... maravilhado... chorando de verdade... e em êxtase absoluto... que o destino me reservara ter a honra de contracenar com uma das maiores atrizes que já viveram e atuaram em todos os tempos!!!
... e agradeço ao meu destino-querido por mais essa graça! cooom toooda a certeza!!!!!!!

Ivan José e Henrique Martins

Ivan José e Henrique Martins

HOMENAGENS, AGRADECIMENTOS E OUTROS RECUERDOS

... e assim farei aqui:
irei (ao menos tentarei) homenagear e agradecer à todos aqueles que, seja da forma que haja sido, ajudaram a fazer com que eu seja o Homem-Artista que sou!
mas... como a memória do Homem (mesmo os de alto QI) não é mais tão exata aos 56 anos... prometo, aqui, sempre que revir esta, ir "consertando" as omissões que haja cometido! em alguns casos (aqueles que eu julgue menos óbvios!) citarei as razões que me levam a nomeá-los, in memoriam (infelizmente!) ou não (felizmente)! ok, então? ah... apenas mais um detalhe: omitirei, aqui, citar períodos específicos ou trabalhos específicos quando, de alguma forma, eu os sinta em mim agregados como uma só memória!
TV TUPI (o princípio de tudo-meu como Homem-de-Teatro que eu iria me tornar):
1. minha mãe, Lady Cardoso Henrique da Cunha! por ser a ÚNICA pessoa neste mundo que soube intuir que já era, há nove anos, a mãe do IVAN JOSÉ... e JAMAIS do Ivanzinho que todos os demais seres do planeta Terra pensavam que eu fôsse!
2. Tatiana Belinky (meu anjo) e Júlio Gouveia (meu Homem-Exemplo! EM TOOODOS OS SENTIDOS IMAGINÁVEIS E INIMAGINÁVEIS)!
3. Hernê Lebon e Georges Ohnet!
4. Beatriz Segall... pelo carinho, caronas... e por me fazer entender, pela primeira vez, como é divinal você ser ator e contracenar com uma parceira que também é!
5. Felipe Wagner, pela força imensa que me dava como colega de cena e como Homem!
6. Henrique Ogalla... por ter sido meu primeiro amor! E não, apenas, por ser belíssimo como homem e nem por qualquer desejo sexual precoce... mas por ter sido o primeiro cara a quem eu chamei de MEU MELHOR AMIGO!
7. Benjamin Cattan, Walter George Durst e Geraldo Vietri, novos professores meus na arte de fazer e amar Teatro!
8. Henrique Pucca Júnior e Salatiel Coelho que me ensinavam que Tv-Teatro é técnica, também!
9. David José (que, diziam, era meu irmão em razão de nossos segundos nomes iguais!), Faelzinho Neto, Nagib Anderáos, Roberto Orosco e Lima Duarte (com quem fiz só um capítulo do "Pablo", ao acaso, quando o Felipe ficou doente e ele o substituiu de improviso... e esse único "improviso-nosso", em conjunto... me tornou melhor como ator... em tooodos os sentidos)!
10. Márcio Passini, figurante no "PABLO"... que eu amei de paixão... encapsulou a "agulha" da tia Trindade e salvou a perna do Fausto, anos depois... e me provou, ao vivo e à corês, no Hospital das Clínicas (onde estagiava, então) que eu jamais quiz ser médico... mas, sim, ATOR... depois autor... depois diretor... e... e depois? ... o que eu quero ser quando crescer???
11. Fernando Bruck!
12. mário pamponet júnior!
TV RECORD - CANAL 7:
1. Ademar Guerra... meu eterno mestre, tutor, pai, amigo, amante e exemplo!
2. Roberto Freire
3. Lélia Abramo, minha segunda mãe e amiga-eterna!
4. Irina Grecco (pelo amor, risadas em cena, caronas no divinal Karmann-Ghya amarelo) e Silnei Siqueira (meu irmão-único... eu que só tive uma irmã e fui criado numa proporção de 10 mulheres pra cada elemento masculino em minha vida)!
5. João José Pompêo... meu brosão mais velho e sábio! meu caroneiro, também! que me dava conselhos e lições de vida! e tentava me ensinar a ser "macho"!
6. Randal Juliano, Felipe Carone, Osmano Cardoso (delícia de coisinha-fofa e gentil), Arabela Block (amiga e primeira mulher com quem eu quiz trepar) e Moema Brum!
TV EXCELSIOR - CANAL 9:
1. Madame Henriette Morineau! a maior aula-de-ator-profissional pela qual fui regiamente pago pra participar!
2. Bibi Ferreira... que me ensinou TUDO AQUILO que JAMAIS quero ser como artista a partir dos péssimos exemplos que tal senhora me deu!
3. Cleyde Yáconis e Leonardo Villar... meus eterno-amor!!!
4. Leila Diniz! uma das maiores paixões da minha life! em tooodos os sentidos!
5. Gianfrancesco Guarnieri, meu divino-companheiro de buteco até altas madrugadas após as gravações de DEZ VIDAS!
6. Waldo Rodrigues! o ator que fez o pequeno-belíssimo-indiosinho, o tuiú, de "A MURALHA" (um new-Pablito-redivivo?) e meu primeiro-eterno-anjinho!
7. Níveo Biancardi (já falecido, assassinado, por sinal)
8. Osmar Prado... na época meu parceirão e amigaço! ... dopo... nunca mais nos vimos!
9. Ayrton Baffi!
TIA MAME:
1. Dulcina de Moraes... jamais ri e me diverti e fui tão aplaudido em cena aberta como ao lado dessa Deusa-mãe!
2. Conchita de Moraes!
3. Myriam Muniz!
4. Guy Loup!
5. Zéluis Pinho
CÉSAR E CLEÓPATRA:
1. ela! a atriz! minha Cacilda Becker!
2. ... Ziembinsky, claro... não em cena (porque era canastrão em excesso!) e muito menos como companheiro-libidinosíssimo de camarim... mas como o diretor-maior-que-sempre-foi!
... e estranham que, apesar do elenco "de peso" eu não cite mais ninguém? então... nenhuma dessas pessoas me impressionou nem um pouquinho... nem então e nem agora, muito menos!
CAMILA:
1. ALTAIR LIMA!
2. MARIA CÉLIA CAMARGO!
MISSA LEIGA: ih... aqui a coisa engrossa pra que eu não me esqueça de ninguém...
ARMANDO BÓGUS - CLÁUDIO PETRAGLIA - FAUSTO BRUNINI - EDMAR FERRETTI - IRACEMA NOGUEIRA - ROSA GUIMARÃES - OSWALDO MENDES - RUTH ESCOBAR - PAULO YUTAKA - RAQUEL ARAÚJO - SONIA CÉSAR - REGINA HELENA PAIVA RAMOS - RECCHE - MÁRIKA GIDALI - JOÃO BATISTA ACAYABE - WALTER STEINER - JOÃO CARLOS VICCI - WALTER CRUZ - OSMAR DI PIERI... ih... aqui eu acrescento mais depois... tá? perdão!
COMO AGITAR O SEU APARTAMENTO:
1. Maria Fernanda! figuraça! maravilhosa no improviso e deliciosa de contracenar e papear e jantar e beber com ela! ... e, ainda por cima, filha da Cecília Meireles (que eu adoro-de-paixão)!
2. Kiko Jaess! o primeiro diretor que me pos em cena... sem um único minuto de ensaio sequer!
OUTROS AMIGOS QUE NÃO POSSO DEIXAR DE CITAR:
1. Desembargador Dr. Luiz Synésio Lopes de Oliveira, o meu-lú!
2. João Francisco Garcia, amigo-eterno e atual dono da DUBLAVÍDEO!
3. Reinaldo Santana (diretor no Rio de Janeiro), meu parceirão-atual!
4. Eurico Neiva!
5. Mauro Gianfrancesco!
6. Elis Regina!
7. Liza Vieira!
8. Egydio Éccio... que me dirigiu em mil dublagens, num especial da Excelsior e com quem eu ía fazer um outro especial absolutamente fantástico na Excelsior... quando esta faliu de vez e foi arrematada pelo Sr. Sílvio-Santos-Vem-aí!
9. grego!
10. moises miastkwosky!
EAD:
1. Mariajosé de Carvalho (tatais)
2. Clóvis Garcia
3. paulo mendonça
4. Edwin Luisi
5. Yolanda Amadei
6. Zécarlos Andrade
7. Prof. Hugo matos (meu prosão de esgrima)
8. José Silbene
FÁBRICA LÚDICA: ih... de novo... vou omitir um monte, sem querer... mas notem que MUITOS que trabalharam aqui comigo eu já citei mais acima, tá?
FAUSTO BRUNINI ( que já citei acima mas cito de novo por ser meu-eterno-sócio e amigo) - CHICO DE ASSIS - ANA LÚCIA CUNHA - GILSON LIMA - WALMIR PANFILI - TATIANA VALENT - PAVEL JAIME VALENT - PAULO HERCULANO - AMILSON GODOY - MURILO ALVARENGA - CHRISTINA RODRIGUEZ - myriam halsman - SOLANGE SANTOS - ILO KRUGGLI - CRISTINA PEREIRA - NENE BARROSO - WILMA DESOUZA - DANIEL ALVES - FRANCISCA LOURENÇO - TATIANA RAMOS - LOURDES E ANTONIO SUBIRES - FANNY ABRAMOVICH - HENRIQUE SUSTER - CARLOS MECENI - XÊNIA BIER - MARIA TERESA GRÉGORI - RANDAL JULIANO - HILTON VIANA - CHIQUINHO MEDEIROS - GONZAGUINHA - ANA MARIA DE SOUZA - ROSA GUIMARÃES - ARLINETE VICENTINI - GELSI POLETTO - ELIANA GAGLIARDI E WASHINGTON - SIDNEY SÉRGIO ROSA - BÁRBARA BRUNO - THERESINHA DE JESUS DE SOUZA MATHIAS - HILDA HADADE - NEIFE ELIAS - DORA KALEF - ÁLVARES DE AZEVEDO, MACHADO DE ASSIS E FERNANDO PESSOA - TCHAIKOWSKY - QUIIDAS - MIKÃO E PITOKINHO - CUBEROS NETO - EDGAR RIZZO - PAULA E RUBENS FERNANDES - PUPPY - ZERO FREITAS - NOEMI MARINHO - WANDERLEY MARTINS - ROGÉRIO PEREZ - RONALDO DOS SANTOS - ALBERTO GUZIK - JEAN-CLAUDE BERNARDET - CLÁUDIA SAVIOLO - EDÉLCIO MOSTAÇO - ANITA MALUFE - oswaldo mendes - regina helena paiva ramos - hilton viana - paulo lara - francisco medeiros - edélcio mostaço - lúcia capuani

Ivan José e... NINGUÉM COMPREENDEU !

Ivan José e... NINGUÉM COMPREENDEU !
... a temporada acabou mostrando ser um fracasso (a cacilda já sofrera uns tantos, estava calejada)! o público e até mesmo parte da "crítica especializada" se negaram em aceitar a figura-mental que faziam de um "poderoso" césar e duma bela e jovem cleópatra nos já envelhecidos zimba e cacilda! ... parece ser dessa época em diante que o público brasileiro passa a apresentar uma "tendência" a valorizar a forma em total detrimento dos conteúdos! ... uma curiosidade, aqui, é que eu só atuava no primeiro ato (e eram dois) e, como estudava pela manhã, havia uma "passagem secreta" (ainda deve haver) no camarim de baixo do palco e eu and my mother, eu sempre maquiado ainda, saímos por essa passagem que dava diretamente... no Restaurante Zillerthal, diretamente no salão! eu fazendo programa líder de audiência na televisão... tipo onze horas da noite... eu maquiado de faraó do Egito!!! ... realmente, essas minhas intempestivas "passadas-corridas" pelo meio do sempre-lotadaço restaurante alemão causavam furor!!! hehehe!!!!!!!

Ivan José, MESTRE ZIMBA e parte do elenco !!!

Ivan José, MESTRE ZIMBA e parte do elenco !!!
... "césar e cleópatra" foi, pra mim, a mais agradável "caixinha-de-surpresas"! sabe quem dirigia a peça e, ainda por cima, contracenava comigo no papel do indômito júlio césar? ele mesmo: ziembinsky, nosso mestre zimba... o polonês que já havia mudado a história, a maneira de interpretar e toda a estética do teatro brasileiro, anos antes, com o seu "vestido de noiva", do nelson rodrigues. logo no primeiro ensaio, na primeira leitura de mesa, ele me surpreendeu ao ler tudo sozinho, fazendo cada uma das dezenas de personagens com uma delicadeza e uma multiplicidade-infinda de nuances... que me pasmou-messsmo!!! um show de interpretação (e quase particular! hehehe)! ... ah... curiosidade: reconhece esses dois aí do lado do ziembinsky? ... se você respondeu que o do meio é o stênio garcia, novinho e maquiado, e o bigodudo é o raul cortez... parabéns, acertou!!!

CACILDA BECKER e IVAN JOSÉ !!!

CACILDA BECKER e IVAN JOSÉ !!!
... e recebo o convite pra me encontrar com Cacilda e Walmor chagas na enorme cobertura duplex deles, na paulista, ao lado do trianon! e eis-me fazendo o ptolomeu, o pequeno faraó do egito, ao lado dessa minha inesperada e nova irmã, Cleópatra, futura rainha do egito... daquela companheira que vai se tornar, rapidamente, minha amiga, professora, conselheira... meu exemplo do que é fazer teatro... e até a minha maquiadora-particular pois, a cada representação (do ensaio geral à nossa última representação), foi sempre ela quem fez questão de me maquiar (por dois motivos, a bem da verdade: porque ela adorava me contar (e eu ouvir!) as suas histórias de teatro... e como eu fui aprendendo com isso só depois compreendi!... e porque eu sempre odiei fazer maquiagem (até hoje odeio)! ... e sabe o que eu também adorava? aquela vista lá de cima do terraço dela! parecia que são paulo inteiro era meu! ... e eu também adorava brincar com o Cuca, o filho dela! ... na véspera da estréia de "CÉSAR E CLEÓPATRA", de bernard shaw, no teatro cacilda becker, na brigadeiro luís antonio, ele e eu (escondidos, lógico!) pegamos duas das adagas dos "centuriões romanos" e saímos lutando pelos camarins! ... e sabe como a gente se "atingia" (era de madrugada, sim)? quebrando as lâmpadas acesas das bancadas dos camarins desertos!!! foi uma luta e tanto, mais que digna de dois jovens, valorosos e corajosos combatentes!!! nós nos matamos mil vezes! ... o resto do elenco e do pessoal estava lá no palco e na platéia fazendo uma montanha de flores de papel-crepom que o gianni ratto, nosso cenógrafo-figurinista, tinha inventado e acho que apareciam na "cena da esfinge"! até a minha mãe ajudando!... resumo da ópera? quando fomos, finalmente, pegos (quase todas as lâmpadas já devidamente quebradas e apagadas, obviamente!) e levados à presença dos nossos executores as penas aplicadas foram: ver e ouvir o quanto o walmor ficou puto com a gente... e ver e ouvir as risadas da cacilda e sentir os carinhos e beijos dela em nós dois!!!

Ivan José e Henrique Ogalla, o "JAMES DEAN", AGAIN !!!

Ivan José e Henrique Ogalla, o "JAMES DEAN", AGAIN !!!
... já em 63 continuei trabalhando na TUPI mas, também, na extinta TV EXCELSIOR - CANAL 9! dir-se-ia, pelo menos nos seus primórdios, uma verdadeira emissora de elite, com uma programação e cuidados de imagem e produção impecáveis pra época!

CARTAS - LÉLIA, FANNY e CLÓVIS

CARTAS - LÉLIA, FANNY e CLÓVIS
... e a gente chega aqui e fala e fala e fica com vontade de contar mais, mais, mostrar mais... mas esquece de se apresentar HOJE!!! ... aqui estão três depoimentos que são MUUUITO importantes pra mim, pessoalmente, e pro FÁBRICA, especialmente! ... aqui em cima uma carta manuscrita pela minha mãe-2 que já partiu, lélia abramo... e abaixo... outra de uma das minhas grandes amigas e uma das cabeças que eu mais admiro neste país, a amore-mio fanny abramovich... e, depois, a do clóvis garcia, amigo que eu respeito e admiro e que foi quem me ensinou que a gente faz "teatro para crianças" e nunca "teatro infantil" simplesmente porque teatro infantil é apenas aquele que é feito por crianças! ... e tem ator aí que quer "começar" no teatro para crianças porque acha que é mais fácil!!! toma tento, bobão!!!!!!!


TIA MAME - ESTRÉIA NO TEATRO

TIA MAME - ESTRÉIA NO TEATRO
... em 1962 recebo convite pra estrear no teatro! convidado por quem? dulcina de moraes! a peça? "tia mame", de jerome lawrence e robert e. lee que já tinha feito enorme sucesso na broadway e virado filme com a rossalind russel! e quem eu ía fazer? o patrick dennis, sobrinho da tia mame, segundo papel da peça, quase o tempo todo em cena com a fera (que também dirigiu o espetáculo)! e ainda foi o último trabalho em cena da mãe dela, uma das grandes damas do teatro, conchita de moraes! quando ela entrava em cena (ela só aparecia em duas cenas) o teatro vinha abaixo em aplausos sem ela dizer uma única palavra! ... é... bons tempos aqueles! havia respeito e intelecção, não tietagem! ... e trabalhar com a dulcina foi, além d'uma escola excepcional, um tesão-completo! ela era divina e uma grande amiga... além de ser uma deliciosa partner de cena! ... ficaria aqui anos contando das mil e uma situações engraçadas, emocionantes e gloriosas que aconteceram durante essa temporada! ... o elenco era numeroso, sim, mas vou falar só delas duas mesmo! ... e mais pra frente prometo que scaneio fotos da peça, tá?

Ivan José, Virgínia Mantovani e Henrique Ogalla ( TV DE VANGUARDA e TV DE COMÉDIA )

Ivan José, Virgínia Mantovani e Henrique Ogalla ( TV DE VANGUARDA e TV DE COMÉDIA )
... e haviam, também, o TV de comédia (dirigido pelo Geraldo Vietri) e o tv de vanguarda (pelo Benjamin Cattan, ambos feras da época)! alternavam-se todos os sábados e apresentavam peças de teatro mesmo, inteiras, completas! grandes textos, grandes autores, obras clássicas! a moçada de hoje ía ver como literatura passaria a ser uma coisa bem mais fácil de se encarar nos vestibulares se algo do gênero reaparecesse (não nos "massificadores" como Globo e SBT, claro!) num canal menor! sei lá! idéias! ... e não lembro mais o nome dessa peça, a atriz é a virgínia mantovani e ele se chama henrique ogala, meu amigão, então-e-hoje-e-sempre!!! ... e era o próprio james dean brasileiro, né não???

Ivan José e o seu "PIJAMA-PROBLEMA" !!!

Ivan José e o seu "PIJAMA-PROBLEMA" !!!
... e eu me recusava (fui, sou e sempre serei chato com determinados detalhes!) a usar as roupas do guarda-roupa da TUPI! fediam! e quem usou antes, né? ... pois nesse episódio eu usava um pijaminha e a minha mamãesinha (a Da. Ladi, a de verdade!) cismou de me comprar esse belo "costume-brilhoso"! ... quase que o capítulo não vai pro ar! o raio do pijama brilhava feito lantejoula na iluminação "de panelão", naquelas câmeras um tanto-quanto-primárias e no preto-e-branco da televisão!!! ... o pessoal da TV ficou pocesso mas eu usar guarda-roupa de sei-lá-eu-quem? eu, hein???

Ivan José no "TEATRO DA JUVENTUDE"

Ivan José no "TEATRO DA JUVENTUDE"
... nessa época a TV era em preto e branco, claro, e ao vivo (só nos últimos capítulos do "Pablo" é que começamos a gravar alguma coisa em tape! ... então, junto, eu fazia um pouco da primeira versão do "Sítio do Pica-Pau Amarelo", "Tom Sawyer" (me divertia tanto fazendo esse como o Pablo) e todos os sábados o Teatro da Juventude! ... esse aí nem lembro a história mas eu partia numa viagem espacial, era um sonho... algo assim!

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"
... e desculpem a imodéstia... mas até que eu era bonitinho, né??? hehehe!!! ... e claro que isso era uma peruca e não o meu cabelo de verdade!!!

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"
... na verdade, a minha primeira imagem que apareceu na mídia foi esta! ... ah, e quem coadjuvava essa novela comigo? ... entre outros a minha mamãe na novela era a Beatriz Segall (que nem imaginava, então, que ía ser "assassinada" como Odete Roitman, tantos anos depois)!!! ... e diz que não é pra fazer história mesmo?

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"

Ivan José como "PABLO, O ÍNDIO"
... aqui foi onde, na verdade, tudo começou a começar! novela "Pablo, o índio", de Karl Bruckner, adaptação de Tatiana Belinky, direção de Júlio Gouveia, na antiga TV TUPI - Canal 4 de São Paulo. o ano? 1961! eu (já estreando de "estrelo"!!!) com 9 aninhos de idade!
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IVAN JOSÉ & MIKE

IVAN JOSÉ & MIKE
IVAN JOSÉ, eu, diretor do Grupo de Teatro FÁBRICA LÚDICA, em 2004, no alto da escadaria do Castelo do Bruxo e Seus Animagos, com meu Fiel-Escudeiro, o pouco amistoso akita-inú MIKE!